OPINIÃO

Comparativo Harley-Davidson Road King / Moto Guzzi Eldorado - um “Spaghetti Western” motociclistico

Testar estas duas glamorosas máquinas quase em simultâneo, lembrou-me frequentemente aqueles saudosos filmes de cowboys, à italiana.

andardemoto.pt @ 5-5-2016 15:44:41

Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp

Texto Rogério Carmo    Foto: ToZé Canaveira
                           

Mas neste filme de cowboys não há bandidos, há apenas um Mau e um Vilão, que disputam mais do que um punhado de dólares. Nem Zapata, nem Django causaram tantos danos ou partiram tantos corações como esta imponente parelha que, não fosse por serem ambas tão corpulentas, quase podia encarnar o papel de Trinitá e Bambino.

De um lado da contenda temos a veterana má da fita, uma moto que dispensa apresentações pois tem protagonizado imensos papéis principais na cena Custom mundial: a Harley Davidson Road King, de Milwaukee. Se seguir esta ligação pode ver o teste completo que lhe fizemos recentemente.

Do outro, está uma rufia moderna, mas com antepassados de origem latina, que foram importados para o “novo mundo” em meados do século XX com a missão de combater o crime nas “Interstates” que rasgavam as pradarias da americanas.

Por isso vem agora reclamar território num mercado que, por herança histórica, também lhe pertence: é a Moto Guzzi Eldorado, de Mandello del Lario, ou da Califórnia conforme o prisma. Seguindo esta ligação pode ver o teste completo que lhe fizemos recentemente.

Neste duelo, ambas possuem armas muito semelhantes e igualmente letais: O charme do motor V-Twin, a voluptuosidade das formas, os contornos bem desenhados, a sonoridade grossa do escape, o estilo vintage e o deslumbramento causado pelo brilho dos cromados...

A Harley-Davidson Road King, apesar da experiência acumulada, está numa posição relativamente debilitada com a visão toldada pelo brilho do seu sucesso, e pela poeira levantada no deserto antes calmo e sereno, onde era dona e senhora, mas que agora se agita sob os ventos provocados por um ataque cerrado ao seu território.

Um ataque perpetrado por todo um mercado que já percebeu que a mística dos pergaminhos, a nostalgia do vintage e o ideário americano vendem muitas motos, e podem ainda vender mais, sobretudo porque a cena Custom já não é o que era. No entanto, o nome da sua marca continua a ser ainda uma grande vantagem, capaz de desmoralizar qualquer adversário mais ou menos atrevido.

A Moto Guzzi Eldorado, apesar de menos experiente, apresenta-se a favor do vento e do sol, pois além de praticamente ser da casa (o chefe do departamento de design da Piaggio, Miguel Galluzzi, está sediado em Pasadena, na  California), tem a seu favor uma elevada dose de charme, tecnologia e conforto italiano.

Neste caso, faz o papel de um “vilão desafiante”, com uma pontaria bem treinada no que diz respeito à arte da sedução, e cheia de “suplesse”, sendo mais ágil e mais ligeira, também dona de um ar retro, mas rematado por tecnologia de ponta.

Por isso a Eldorado é bem capaz de fazer sérios estragos na moral da sua concorrente, sobretudo no que ao "feeling" de condução diz respeito.

Nos dias de hoje há muitos novos motociclistas a querer abraçar um estilo de vida marcante, diferente, e sinónimo de rebeldia, mas tudo isso em jeito de “fast food”, com preferências cada vez mais sintéticas nas formas, menos substanciais no que ao purismo do conceito diz respeito, e mais perdulários em relação à adopção de novas tecnologias, mas sobretudo, mais sequiosos por exclusividade. E nisso, a Eldorado dá cartas.

A nova geração de “bikers” é também muito exigente em termos de segurança, performance e fiabilidade, já para não falar em termos de consciência ecológica, duelo que também a Harley-Davidson tem que enfrentar para conseguir sobreviver à apertada perseguição de um xerife implacável que dá pelo nome de normas de emissões de poluentes Euro4, que entrará em vigor no primeiro dia de 2017, e que tem dado trabalho extra à marca para conseguir manter o "Twin-Cam" dentro dos parâmetros legais, mas sem perder o feeling de condução, nem o característico som do escape, nem as prestações. Não tem sido uma tarefa fácil, e nem sempre os esforços estão a ser bem sucedidos.

Sem intenção de fazer qualquer prognóstico sobre quem será o sobrevivente comercial deste duelo, qualquer destas motos pode fazer feliz qualquer motociclista que se queira distinguir por um estilo alternativo e rebelde. A verdade é que a arma da Moto Guzzi não está carregada com pólvora seca. E a Harley-Davidson precisa mesmo de treinar a pontaria.

A Harley encanta pelas suas linhas tradicionais, pelo aspecto massivo e pela profusão de cromados. O seu nome é sinónimo de uma desvalorização depreciável e de muito status. 

A Guzzi encanta pelo charme da marca e pelo desempenho do seu “V-Twin” montado transversalmente, e conquista pela simplicidade das linhas, pelos pormenores de design, pela qualidade dos acabamentos e pela modernidade. A sua suspensão é de um nível muito superior, e a qualidade dos materiais empregues é também toda ela muito boa. Isto para nem falar dos preços.

Se tem dúvidas, então marque um test-ride. Vai ver porque é que, como se costuma dizer, o coração tem razões que a razão desconhece.

andardemoto.pt @ 5-5-2016 15:44:41

Galeria de fotos


Clique aqui para ver mais sobre: Moto Guzzi - Notícias


Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp



Mais