Teste Kawasaki GTR 1400 - Expresso do Prazer
Uma "Grand Turismo" refinada que, apesar de já contar com alguns anos no activo, não deixa de surpreender pela sua enorme capacidade de devorar quilómetros, seja a que ritmo for.
andardemoto.pt @ 4-4-2016 05:02:55
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Já há algum tempo que não me sentava aos comandos de uma GTR 1400. Somos íntimos desde que há uns anos percorremos literalmente todas as praias entre o Porto e Lisboa.
Foi com a versão apresentada em 2010, que tinha já limadas algumas arestas pouco interessantes da versão original, lançada em 2007, e que então acabava com 21 anos de ausência de motos turísticas na gama da Kawasaki.
Depois de muitas outras motos me terem entretanto passado pelas mãos, sentar-me aos comandos desta Grand Tourer foi um prazer redescoberto.
A versão agora testada, a de 2016, poucas alterações apresenta relativamente à anterior, mas representam uma melhoria substancial no propósito de viajar para longe, e depressa, seja qual for a meteorologia ou o tipo de estrada.
A suavidade e a disponibilidade do motor são o primeiro factor cativante desta grande Kawasaki. Os seus 155cv e os quase 140 Nm de força de binário garantem uma condução descontraída a qualquer regime, sobretudo devido ao sistema de controlo de válvulas variável que permite boas respostas logo desde baixa rotação.
A caixa de velocidades é suave, bem escalonada, e o comando da embraiagem é, também, bastante leve.
Depois, o comportamento em curva, com uma fácil inserção em angulo e uma grande estabilidade, reforçam o prazer de enfrentar qualquer estrada de curvas.
A suspensão firme absorve bem as irregularidades do piso, evitando o afundamento sob travagem, e a instabilidade a alta velocidade, mesmo quando carregada com passageiro e bagagem.
Continuando, há o conforto a vários níveis: a grande protecção aerodinâmica, com o ecrã agora redesenhado, regulável electricamente, capaz de proteger muito bem das maiores chuvadas. Nesta nova versão, o ecrã oferece deflectores reguláveis que permitem diminuir substancialmente a turbolência.
Depois há o muito espaço para o condutor e passageiro, a posição de condução confortável e as malas com muito espaço para arrumação, para além do pequeno porta-luvas com fechadura electrica que é optimo em viagem.
O assento, bem desenhado apesar de ser relativamente alto e sem regulação, tem um desenho cuidado, e nesta versão é mais estreito na ligação com o depósito, o que permite que, alguém com uma estatura superior a 1,70m possa assentar bem os pés no chão.
O descanso lateral é muito acessível e estável, e o descanso central também é fácil de usar.
O sistema KIPASS é outro factor de conforto, já que evita os incómodos da chave. No entanto, as malas laterais e o depósito de combustível ainda apresentam fechaduras que são actuadas ou com a chave de reserva inserida no comando remoto, ou com a do botão da ignição.
O K-ACT, o sistema de travagem assistida, é mais um mimo que faz poupar energia, já que, na maior parte das situações, apenas necessita que se actue sobre o pedal, sendo o sistema responsável pela repartição do esforço automaticamente entre ambas as rodas. A travagem é potente, com as novas pinças de aplicação radial, e bastante doseável. Para promover todo o conforto o sistema combinado necessita de alguma habituação.
O controlo de tracção também contribui para uma condução relaxada, mesmo em situações de fraca aderência, como piso molhado, e pode ser desligado.
No entanto não tem regulação, e a sua programação ainda permite alguma derrapagem da roda. E apesar de continuar a ser uma grande ajuda para digerir o grande binário, na concorrência já se desfruta de sistemas mais eficazes.
150cv não vivem apenas do vapor da gasolina e os 22 litros de capacidade do depósito de combustível são uma limitação nas grandes viagens, pelo que a Kawasaki dotou a GTR 1400 com um sistema de assistência à economia.
Este liga-se com recurso ao botão das funções do painel e, desde que o punho do acelerador seja usado com suavidade, e abaixo dos 30% do seu curso total, e ainda abaixo das 6.000 rpm e dos 160km/h, a marca garante uma redução substancial do consumo. Sinceramente não tivemos oportunidade de o confirmar.
Com uma condução cuidada, sem infringir muito os limites de velocidade do código da estrada, podemos ver a autonomia estendida até perto dos 330km. Mas na prática devemos contar com abastecimentos, se não formos demasiado abusadores, a cada 250km.
E se realmente quisermos explorar todo o potencial da Kawasaki GTR 1400, então devemos estar preparados para paragens bastante mais frequentes.
O painel de instrumentos é de fácil leitura e bastante legível sob qualquer luz. Fornece indicações sobre o consumo, sobre as temperaturas do ar e do liquido de refrigeração e sobre a mudança engrenada. Também tem dois totalizadores de quilómetros.
A pressão dos pneus é monitorizada electronicamente e é igualmente registada no painel.
A iluminação é de muito bom nível. Não é de LED, mas ainda assim a noite vira dia sempre que ligamos os máximos.
A qualidade geral de construção é muito boa, com acabamentos cuidados e muita atenção ao detalhe. No entanto, numa moto deste nível e deste segmento já é quase indesculpável a ausência de controlo automático de velocidade.
Os comandos também são exageradamente destacados e grandes, com os botões de selecção do modo do K-ACT e do KTRC em laranja gritante.
Mas se o seu objectivo é viajar, por estradas secundárias e durante muitos e rápidos quilómetros, poucas são as alternativas à Kawasaki GTR 1400. E ainda assim, nem todas conseguem proporcionar o mesmo nível de conforto ou o seu prazer de condução. Por isso, esta Kawasaki GTR1400 é mesmo o Expresso do Prazer.
Além do mais, as suas linhas imponentes não deixam ninguém indiferente. E somos frequentemente abordados com piropos e por curiosos que ficam realmente impressionados com o seu aspecto, imponente, sóbrio, mas agressivo.
Equipamento:
Neste teste usámos o seguinte equipamento:
Blusão Revi’it Outback
Capacete Schuberth C3 Pro
Luvas OJ Grip
Botas Alpinestrars Roam
andardemoto.pt @ 4-4-2016 05:02:55
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