Teste Suzuki GSX-S 750 - Dona das curvas

Porque o prazer de condução não se mede em cavalos, a Suzuki reeditou a sua GSX-S 750 e disse que ela era a dona das curvas. Fomos verificar!

andardemoto.pt @ 3-4-2017 18:47:08

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O caderno de encargos para esta Suzuki era bastante preciso: “Criar uma moto de aspecto agressivo, com um carácter amistoso”! Que é como quem diz: uma moto que pudesse impressionar pelo aspecto e não pela brutalidade das reacções, sendo capaz de fazer apaixonar, sem intimidar nenhum condutor menos experiente.
Efectivamente o primeiro contacto com esta nova Suzuki é bastante interessante.

Ela sente-se leve, confortável, suave, e absolutamente nada intimidante. A resposta ao acelerador é progressiva e imediata, muito tolerante na efectiva relação com o motor. Não é preciso fazer muitos quilómetros para se perceber que os engenheiros de  Hamamatsu cumpriram o objectivo proposto.

Mas eles foram além disso, pois esta é uma moto que também pode encantar um motociclista experiente, com sede de sensações fortes. Um verdadeiro caso de “lobo com pele de cordeiro”.

O 4-em-linha, desenvolvido a partir do que equipava a Suzuki GSX-R 750 de 2005, tem um carácter típico, com um desempenho quase envergonhado a baixa rotação que dá a sensação de se estar a conduzir uma moto com uma cilindrada e potência muito inferior.

No entanto, para lá do meio da faixa de regime, ele transforma-se, e mostra o que realmente valem mais de 110cv quando desenvolvidos por um tetracilíndrico! Mas já lá vamos!

A direcção é leve e a brecagem é relativamente boa, permitindo manobrar facilmente no meio do trânsito. A posição de condução é bastante ergonómica, e se algum pormenor merece reparo, ele diz respeito ao assento, tanto na configuração como no estofo, que deixam um pouco a desejar. Mas isto digo eu, que tenho peso e tamanho a mais para motos assim tão compactas!

A travagem, por outro lado, foi substancialmente melhorada relativamente à da versão de 2015, com pinças Nissin de aplicação radial (a substituírem as antigas Tokico), de 4 pistões opostos, que mordem discos recortados de maior diâmetro.

A sensibilidade da manete é razoável, sobretudo suave na mordida inicial, mas incisiva e potente quando se aperta. No entanto poderia seguramente beneficiar de umas tubagens em malha de aço, sobretudo quando se lhes dá muito uso. Mas... já lá iremos também.

Ainda no âmbito do carácter amistoso, há lugar para destacar a altura do assento, que é bastante contida e que seguramente vai proporcionar muita confiança a condutores de estatura mais baixa.

Para os iniciados (e não só), a Suzuki instalou o sistema de ajuda ao arranque, à semelhança do que existe na Suzuki SV650A (cujo teste pode ver se clicar aqui). O “Low RPM Assist”,  está ligado a um monitor electrónico da velocidade do “ralenti” que, quando “sente” que o motor pode “ir-se abaixo”, aumenta ligeiramente a rotação, evitando que este se “cale”.

Assim, os condutores menos experientes têm uma verdadeira vantagem a manobrar, ou no pára arranca no meio do trânsito. E por falar em “gadgets” electrónicos a Suzuki também instalou nesta nova GSX-S 750, o sistema de “easy start” que é como quem diz: arranque fácil, e que põe o motor a trabalhar sem ser necessário manter premido o botão do motor de arranque. Basta um pequeno toque e a electrónica faz o resto.

Também para pôr o motor a funcionar, e desde que não esteja nenhuma mudança engrenada, já não é necessário manter a embraiagem premida.

Então e porque é que alguém experiente pode querer comprar uma Suzuki GSX-S 750?

Primeiro pelo prazer de condução! A começar pelo carácter bipolar do motor, que permite um passeio agradável com passageiro, com retomas suaves desde muito baixa rotação, mas que também serve para umas curvas terapêuticas a solo; que oferece uma condução despreocupada no meio do trânsito, mas que é capaz de um verdadeiro ataque a qualquer estrada de curvas; que permite uma utilização diária urbana, mas que dará um enorme prazer num qualquer “track day”.

A caixa de velocidades é suave e muito precisa, e a embraiagem é leve, carecendo apenas de afinação na manete. O som emitido pelo escape é verdadeiramente delicioso: um canto de sereia em qualquer estrada com radares! 

Depois pela confiança que inspira! A ciclística da GSX-S 750 oferece um comportamento muito bom, com a suspensão dianteira a proporcionar uma grande confiança na entrada em curva, e o amortecedor traseiro a digerir muito bem a carga do binário sob forte aceleração.

A potência de travagem, que apenas merece reparo pelo efeito de “fadding” quando abusada violentamente, é realmente boa, beneficiando do aprumo da ciclística mesmo em situações "in extremis". Até o ABS tem um excelente desempenho, sendo rápido a devolver o controlo à manete (ou ao pedal). Mas estes também são assuntos a que os pneus Bridgestone Battlax Hypersport S21 não são alheios, sendo também eles grandemente responsáveis pela potência da travagem e pela “confiança” que se sente quando as curvas apertam e a adrenalina sobe.

O controlo de tracção, desligável ou regulável em 3 modos, em que o menos intrusivo é suficiente para libertar a nossa atenção para coisas mais importantes do que a intensidade com que rodamos o punho direito, não retira qualquer prazer de condução.

E ainda, também pela qualidade de construção e nível de acabamentos, onde tudo foi pensado para não chocar a vista, e onde todos os pormenores parecem ter sido cuidados, como é o caso do comutador de luzes médios/máximos, colocado no sítio correcto, o canhão da ignição muito acessível, ou o painel de instrumentos, de design agradável e facilmente legível, e ainda os espelhos, que oferecem uma boa visibilidade. Também a iluminação merece destaque, pois apesar de convencional cumpre na perfeição o seu papel.

Em termos de estética, o cunho nipónico está bem patente, mas as linhas são harmoniosas e a palete de cores é bastante sóbria. Os traços têm muitas semelhanças com os da “irmã” mais crescida, que também já tivemos oportunidade de testar nestas páginas (clique aqui para ver o teste da GSX-S 1000).

Em suma, esta nova GSX-S 750 vem quebrar a tendência do segmento, que nos últimos anos tem vindo a apresentar motos nervosas e cheias de binário logo desde baixa rotação, e devolver ao mercado o charme de uma moto com condução relaxada quando necessário, mas agressiva quando for preciso. Ágil, leve, com uma direcção muito precisa e uma suspensão bastante bem calibrada, ela é sem dúvida dona das curvas!

Esta nova GSX-S 750 já está disponível na rede de concessionários Suzuki, e tem um P.V.P. recomendado de 9.399,00€

Neste teste usámos equipamento de segurança composto por (clique nos links para saber mais):

  •  Luvas Darts Sunland

andardemoto.pt @ 3-4-2017 18:47:08


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