OPINIÃO
BMW R1200RS - Evocação histórica
A marca bávara ressuscitou o lendário conceito Reisen Sport (Sport Touring em alemão) que remonta há quarenta anos atrás com o lançamento da BMW R100RS, um modelo que então mudou os destinos da marca e catapultou o motor boxer para a fama. Será a nova R1200RS capaz honrar o conceito original?
andardemoto.pt @ 9-8-2015 19:22:52
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Em 1976 a Europa estava fascinada com as motos japonesas. A Honda CB750
Four era a moto mais desejada da época e a produção europeia baixava os
braços perante o superior nível tecnológico asiático. No seio da BMW
discutia-se o futuro do ramo “motorrad”.
Foi sob esse clima de tensão
que o então director de produto da marca, Hans-Guther von der Marwitz e o
designer Hans Muth receberam instruções para desenvolverem uma moto
exclusiva, com características de viagem, capaz de enfrentar a
concorrência e impulsionar as vendas, aproveitando o sucesso relativo
que a R90S tinha, ainda que timidamente, conseguido com o seu estilo e
linhas desportivas.
Como o orçamento não era ilimitado, Muth e os seus engenheiros
basearam-se precisamente na R90S. Aumentaram-lhe a cilindrada, a
potência, a autonomia e mudaram-lhe o estilo. A protecção aerodinâmica era
um factor fundamental, pelo que Muth se socorreu das instalações de
Pininfarina e do seu túnel de vento, para desenvolver a aerodinâmica a
um nível nunca antes visto no mundo das motos.
Por isso a R100RS foi a
primeira moto de produção em série a oferecer carenagem fixa no quadro,
que além de proteger os passageiros dos elementos, ainda proporcionava
uma estética apurada e um efeito dinâmico na roda da frente que lhe
garantia um excelente desempenho a alta velocidade.
Com uma grande
capacidade de combustível e um painel de instrumentos muito completo, a
R100RS conjugava luxo, um bom comportamento dinâmico e uma grande
apetência para percorrer largas distâncias. O conceito "Reisen Sport"
nascia assim.
Entretanto, desde 2005 que a marca não oferecia nenhuma proposta com a designação “RS”. E se é verdade que a “RT” tem sido uma óptima solução para quem quer viajar, também é verdade que muitos motociclistas não encontram nela a vertente desportiva encerrada no conceito inicial. Por isso surge agora a nova “RS” que aqui lhe apresentamos.
Com uma qualidade de construção de grande nível, dotada de série com ABS, dois modos de motor, "Rain" e "Road", e controlo de tracção, pode também receber o "upgrade" do "Riding Mode Pro" que para além de desbloquear dois modos de motor adicionais ainda oferece um controlo de tracção mais refinado.
À semelhança da versão "R", esta "RS" mantém o sistema Paralever na roda traseira, que integra o veio de transmissão, mas a roda dianteira é suportada por uma forquilha convencional, em vez do emblemático sistema Telelever.
Quando nos sentamos na “RS” encontramos uma posição de condução desportiva, devido aos “avanços” que incutem uma posição de condução mais dinâmica e mais avançada, forçando mais os pulsos, mas mantendo as peseiras na mesma posição que a versão “R” já aqui testada e que está na génese da quase toda a sua essência.
Ainda assim, nesta "RS" o braço oscilante é ligeiramente mais longo (cerca de 1,5 cm) e a forquilha ligeramente mais inclinada, ambas as soluções destinadas a garantir uma maior estabilidade a alta velocidade. Também o motor boxer foi alvo de alguma atenção, e oferece um binário ligeiramente favorecido a baixa rotação.
Na prática, esta R1200RS resulta mais vocacionada para a estrada, sobretudo se esta oferecer muitas curvas encadeadas, enquanto que a versão “R” é mais urbana, mais manobrável e nitidamente mais reactiva, sendo muito mais divertida de conduzir.
A nova carenagem é apenas suficiente para nos proteger minimamente da intempérie e dos mosquitos, sem sequer se assemelhar à protecção que é proporcionada pela R1200RT, essa sim, à prova de quase tudo!
Nitidamente focada no desempenho dinâmico, o ecrã frontal desta "RS" apenas pode ser regulado em duas posições, e de forma manual. A iluminação é de muito bom nível. A unidade disponibilizada neste teste não estava equipada com o magnífico sistema "quickshift" que torna a condução muito mais interessante sobretudo em ritmos mais vivos, mas a caixa de velocidades é suave e precisa, e a manete da embraiagem é bastante suave, à semelhança dos outros modelos equipados com o motor "Boxer".
Mas, muito sinceramente, a “RS” não foi uma das BMW Boxer mais agradáveis que conduzi nos últimos tempos. Não pelo seu desempenho dinâmico ou pelo carácter do motor, mas sim pela posição de condução. Sou um fã incondicional da “RT” pela sua ergonomia e potencial para viagem, e gostei imenso da “R” pelo seu carácter mais nervoso e ágil, pelo que esta “RS”, com uma ergonomia mais penalizadora dos pulsos e do pescoço e bastante menos manobrável e confortável que a “RT” não é, nem nada que se pareça, a “minha praia”.
Ainda para mais, tendo em conta que, em viagem, nem o condutor nem o passageiro podem desfrutar do conforto proporcionado pela “RT”, e que a manobrar em cidade, e também com passageiro, a “RS” é muito menos hábil que a versão “R”.
Mas não será um problema deste modelo específico, antes um problema do conceito de moto. Para mim, uma moto com características semi-desportivas nunca vai ser uma boa moto de viagem, nem ser fácil de conduzir em ambiente urbano, por isso também a Honda VFR1200F, a Yamaha FJR1300 ou a Kawasaki ZZR1400, todas a fazer parte deste segmento e concorrentes directas desta R1200RS, são motos que não fazem definitivamente o meu género.
Mas a BMW está apostada em não deixar nenhum motociclista insatisfeito com a sua oferta, e assim, a sua gama fica ainda mais completa. Afinal, se todos gostassem de amarelo...
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BMW R90S
No início deste texto fazemos referência à BMW R90S lançada em 1974. Foi a primeira moto de série com uma carenagem, e o seu nível de equipamento e qualidade de construção era muito elevado para a época.
Apresentava um ficha técnica invejável, com 900cc, 215kg de peso, caixa de cinco velocidades e mais de 200km/h de velocidade máxima.
Ainda hoje se encontram bastantes exemplares desta moto em perfeito estado de conservação e a funcionar diáriamente. A versão aqui apresentada é a de 1975, em "Daytona Orange".
"There’s absolutely no doubt that the R90S is a remarkable motorcycle. It does or can be made to do, almost everything as well and possibly better than any other road machine you can buy."
— Cycle, March 1974
andardemoto.pt @ 9-8-2015 19:22:52
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