Alicia Sornosa - Viajante no feminino

Há mulheres a quem o mundo dá a volta, e há outras que dão a volta ao mundo. O motociclismo tem destas coisas!

andardemoto.pt @ 31-1-2016 17:39:53

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Viajante, comunicadora, jornalista e solidária, Alícia Sornosa tem no seu currículo de motociclista muitos quilómetros feitos por todo o mundo. Já atravessou todos os continentes, e por diversas latitudes.

A sua vida é viajar de moto. Nos intervalos, dá palestras de motivação, escreve artigos sobre as suas viagens, faz rádio e prepara acções de solidariedade que leva a cabo durante as suas viagens.

Recentemente foi convidada para ser a imagem da Ducati Scrambler em Espanha, facto que considera uma honra. O seu próximo plano é voltar à Índia, com companhia, numa nova aventura de que brevemente lhe daremos conta.

A Alícia também já escreveu um livro. Uma novela baseada na sua volta ao mundo. Ainda não tem data para a publicação, mas a história já está completa!  Enquanto não sai o livro, pode ler abaixo a pequena entrevista exclusiva que tivemos a oportunidade de lhe fazer.

Qual foi a viagem da tua vida? A que mais te preencheu?

A viagem da minha minha vida comecei-a em Setembro de 2011 e terminei-a em Abril de 2013: Dei a volta ao Mundo! Mas todas as viagens são importantes para mim!

Então e agora, qual é a tua viagem de sonho? 
Agora gostava de viajar num veleiro por todos os mares do Mundo! Essa ainda não a consegui concretizar!


Qual foi o pior momento que alguma vez viveste nas tuas viagens? Aquele que mais vontade te deu de voltar imediatamente para casa?

Aconteceu na minha passagem pelo Quénia! Na Moyale Road que liga a fronteira da Etiópia com a capital, Nairobi! Uma pista destruída pela chuva e pela passagem dos camiões. Foram os três piores dias da minha vida! Doíam-me as mãos, os braços e a cabeça.

O piso era muito mau, levava a moto carregada, a pesar 280 kg, e não tinha nenhuma experiência de “off-road”. Chorei todos os dias! Até que umas pedras partiram o cárter da moto! Vi como o óleo escorria do motor, mas não me importou! Finalmente o pesadelo tinha acabado!

Qual é a recordação mais grata, aquela que nunca hás-de esquecer?

Foi o momento em que avistei o cartaz de madeira a dizer ALASKA! Até chorei de emoção! Tinha ido desde Los Angeles, a solo, e quando ali cheguei, sozinha e depois de nove meses de viagem; foi aí que finalmente me considerei uma verdadeira viajante.

De que é que tens mais saudades quando estás mais de um mês longe de casa?

Da comida de Espanha! Do Presunto e do Azeite!

O que é que te dá ânimo: a estrada ou o destino? 
Gosto de fixar um destino para que a estrada se vá desenrolando, mas a viagem, essa faz-se é na estrada e não no destino. E isso é o mais nostálgico, pois sabes que essa estrada que estás a fazer, nunca mais se vai voltar a repetir!


E o que é que mais gostas de conhecer? As pessoas ou a natureza?

Sem dúvida que são as pessoas! A natureza repete-se por todo o mundo. Em todos os continentes há cascatas, desertos, rios e montanhas impressionantes. Mas as pessoas impressionam sempre! Ensinam-te e leva-las no coração para sempre!

E na memória, o que é fica gravado mais fundo: As comidas típicas ou as paisagens?

Acho que o que mais acabo por recordar de um país são as comidas e os aromas. Até porque estão relacionados com a paisagem. Depende se estás num altiplano ou num deserto. A comida varia e conta a história da paisagem!

E na estrada, o teu melhor amigo é o GPS ou o mapa?

O GPS! Nunca usei nenhum mapa de papel! Sou uma viajante 2.0 do século XXI. Não gosto dos mapas em papel! Sem dúvida é o GPS!

E as fotos? São algo importante ou um complemento? 
São muito importantes! Permitem-te recordar pormenores, contar histórias, reavivar a memória! Eu nunca páro de tirar fotos!


Nas tuas viagens tens-te confrontado com machismo?

Encontro-o mais no meu país! Sendo mulher, viajar tem uma grande vantagem: nós não somos agressivas, por isso não intimidamos ninguém. Ajudamo-nos todas umas às outras e nos homens reflectimos as suas mães, irmãs, filhas ou esposas, e colocam-nos no lugar delas; imaginam o que gostavam que lhes fizessem se elas estivessem na nossa situação, e tornam-se ternos e protectores. Alguns não gostam que façamos determinadas coisas, mas são poucos, e não lhes faço caso!

E a mecânica? Dominas o assunto, ou apenas confias na fiabilidade da máquina?

Com as motos de agora pouco se pode fazer! Sei trocar uma corrente de transmissão, mudar os filtros, remendar um furo, e aprendi alguns truques com outros viajantes. Mas de forma geral confio na máquina e na minha condução. Eu estimo a moto!

E gostas mais do asfalto, ou do fora de estrada?

Eu gosto mais do fora de estrada! Desde que não seja o “rípio” que isso é mais do que fora de estrada, é uma tortura! Adoro as trialeiras, as pedras e a terra dura. A areia e o rípio são o que me custa mais!


E para terminar: Conheces Portugal? Por onde andaste? Vais voltar em breve?

Portugal sempre esteva ligado ás minhas viagens! Quando era jovem e viajava no meu Seat Panda, percorri toda a costa de sul a norte. Tenho amigos em Lisboa, no Porto… Conheço muito bem o Alentejo! E sou uma grande admiradora dos navegadores portugueses que nos seus barcos descobriram um mundo novo! Para mim Portugal é irmão de Espanha! Sempre unidos!

Então agora deixa ficar aqui um conselho para as motociclistas portuguesas que querem viajar mas ainda não estão bem convencidas!

Pois vão! Viagem! O mais difícil de qualquer grande viagem é marcar a data da partida! Enquanto não se fizer isso, a viagem nunca mais começa! E depois há que confiar nas pessoas e na própria intuição. E sorrir sempre! Com isso vais a qualquer lado! O medo não é bom! Esse deve ficar em casa, fechado num armário!

Pode ficar a conhecer melhor a Alícia Sornosa visitando o seu site oficial ou acompanhando a sua página do Facebook.

andardemoto.pt @ 31-1-2016 17:39:53


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