Teste QJMotor Fort 125N - Distinta mas Acessível

A QJMotor Fort 125N salta à vista pelo seu estilo GT e pela sua elevada qualidade de acabamentos. Juntando-lhe o seu baixo preço e o elevado nível de equipamento, será esta uma proposta irrecusável?

andardemoto.pt @ 26-5-2026 17:05:29 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Com uma estética muito agradável, (pelo menos a julgar pelos muitos comentários, fixes e invejosos olhares de esguelha) uma presença impactante, quase luxuosa, reforçada pela pintura de elevada qualidade, a QJ Motor Fort 125N não deixa ninguém indiferente, mesmo antes de perceberem que é de uma marca chinesa ou de lhe conhecerem o preço.

Graças a um excelente desempenho dinâmico, ergonomia bem conseguida, excelente proteção aerodinâmica, que inclui um pára-brisas com regulação elétrica em altura, e a um assento muito confortável, que posiciona o condutor a apenas 780 mm do chão para permitir uma boa colocação dos pés para manobrar, mesmo para motociclistas de estatura mais baixa, o contacto com esta scooter foi uma agradável surpresa.

O guiador largo e elevado garante um excelente controlo, as manetes são reguláveis, e os espelhos retrovisores estão muito bem colocados, garantindo uma boa visibilidade, mesmo com a visão periférica. Os espelhos podem ainda ser recolhidos para o interior para facilitar o parqueamento em locais mais apertados.  O passageiro não foi esquecido e conta com um amplo assento elevado, boas pegas de apoio e poisa-pés bem colocados.

Dinamicamente a Fort 125N destaca-se pela grande estabilidade em curva, pela facilidade de inserção na trajetória e pela excelente capacidade de travagem. A isto não é estranho o desempenho dos pneus CST, de medidas 120/70-15 na frente e 140/70-14 na traseira, que mostram um comportamento muito bom, tanto em curva como sob travagem, tornando o ABS de duplo canal quase desnecessário.


Também o depósito de combustível, colocado na frente e em baixo, reduzem a altura do centro de gravidade e melhora a distribuição de pesos entre os dois eixos, o que se traduz numa melhor resposta da direção e uma maior potência de travagem.

O sistema micro‑híbrido, que utiliza o motor de arranque como apoio ao motor de combustão nos primeiros metros, garante uma saída muito mais viva do que é habitual no segmento, sobretudo dos 0 aos 50 km/h, e o motor sobe de rotação com relativa facilidade, conseguindo andamentos capazes de acompanhar o ritmo do trânsito, mesmo nas vias rápidas e autoestradas. 

Claro que se deve ter em conta que é uma 125cc, com um peso de 160 kg, e que a partir dos 80km/h é preciso dar-lhe um pouco mais de tempo para que o conta-quilómetros chegue aos 3 dígitos, algo que quase consegue também em subidas pouco pronunciadas. Isto graças ao monocilindro com 4 válvulas e refrigeração por líquido, que lhe permitem debitar 12,0 Nm de binário máximo às 8250rpm e 15cv de potência às 8500rpm, valor limite para os utilizadores com carta de condução de categoria B ou A1.

O destaque vai para a ausência de vibrações e para o seu funcionamento realmente silencioso, sobretudo nos baixos e médios regimes de rotação, o que contribui para a redução de ruídos parasitas no conjunto.


Como aspetos negativos posso apenas referir a suspensão da frente, que sofre do mesmo mal da sua irmã mais crescida (a Fort FORT 4.0 que também tive oportunidade de testar e cujo resumo pode ler aqui) e responde com violência ao maiores impactos em buracos ou lombas, consumindo facilmente todos os 10 centímetros de curso dos hidráulicos da forquilha. 

No entanto revela-se extremamente confortável em calçadas e nos asfaltos mais remendados, tal como os amortecedores traseiros. Também é pena que o porta-bagagens debaixo do assento apenas tenha espaço para capacetes de pequenas dimensões. Limitado pela sua profundidade, ainda assim pode facilmente acolher objetos como mochilas ou sacos de compras. 

Gostei do pequeno “porta-luvas” com tomadas USB no seu interior, que apenas peca pela sua pouca acessibilidade e ausência de fechadura.

Também gostei da iluminação, profunda e bem espalhada, mesmo em curva. 


Por outro lado não fiquei fã dos gráficos rebuscados nem do minúsculo tamanho da fonte em que alguns dados são revelados no ecrã TFT de 7" a cores, que a seu favor tem modo dia/noite e conectividade por bluetooth. A interface que permite o acesso às diversas funcionalidades é de utilização simples, através de apenas dois botões instalados no punho esquerdo.

Vocacionada mais para passeios esporádicos do que para cruzadas urbanas diárias no meio de trânsito intenso, sobretudo por causa das suas maiores dimensões, o depósito da Fort 125N, com capacidade para 11,5 litros de gasolina, garante uma autonomia muito interessante, de mais de 300 quilómetros, considerando que a marca declara um consumo optimizado de apenas 2,6 litros aos 100 quilómetros.


Com controlo de tração desligável, sistema Start & Stop, Smart key e indicador de pressão e temperatura dos pneus, a Fort 125N está disponível em Vermelho, Cinza e Preto.

A QJMotor posicionou esta scooter num patamar muito elevado. Comparada com a concorrência mais direta (Honda Forza 125 - 5600 €, Yamaha XMAX 125 - 5550 €, SYM Cruisym Alpha 125 - 4999 € e Kymco Downtown 125 - 4499 €, a QJMotor Fort 125N tem um preço muito atrativo de apenas 3990 € e em alguns casos está melhor equipada.

E a garantia de 6 anos ou 50.000 quilómetros mostra bem o empenho da marca em provar a qualidade e fiabilidade dos seus produtos.


andardemoto.pt @ 26-5-2026 17:05:29 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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