Teste Kawasaki Z650 S: Diversão para Jovens e Adultos
A nova Kawasaki Z650 S é uma digna herdeira de uma extensa linhagem de motos de cariz desportivo que começou com a inovadora e carismática Z1 900, no já longínquo ano de 1972.
andardemoto.pt @ 27-6-2026 02:46:01.0770549 - Texto: Pedro Pereira Fotos: Luís Duarte
Desde então a marca de Akashi manteve sempre a sua família Z com motos de várias cilindradas, mas nas quais a diversão e o foco no comportamento dinâmico sempre andaram de mãos dadas, sem que fosse necessário ter níveis de potência ou sofisticação que as tornassem inalcançáveis pelo comum dos mortais, por serem demasiado exigentes.
Sempre atenta às tendências do mercado e na procura de soluções e propostas que honrassem o seu ADN a Kawasaki lançou, pela primeira vez em 2014, na poderosa Z1000, o seu estilo Sugomi que podemos traduzir por “predador que se prepara para atacar”. Daí para cá, todas as motos da família Z, de forma mais ou menos pronunciada, seguem esta filosofia.
Assim esta Z650, que no corrente ano ganhou um S e várias atualizações, vem com um visual mais agressivo dado por uma frente mais volumosa, que inclui uma nova assinatura luminosa, numa atitude como que à nossa espera para irmos fazer da estrada a nossa presa.
Se tentasse reduzir numa só expressão a impressão que melhor caraterizou a minha convivência nestes dias com a Z60 S seria essa, pois sintetiza todas as boas sensações que me transmitiu, pois até parada consegue ser convincente, tendo inclusivamente recebido elogios de transeuntes durante a sessão fotográfica ou nas paragens nos semáforos.
A moto tem uma presença e uma silhueta que transmitem desportividade, mas não é, nem pretende ser, uma pura desportiva. Garante-nos tremendas doses de diversão, mas não nos castiga demasiado o corpo na condução. A resposta do motor é convincente, não pregando sustos e sendo adequada para condutores mais ou menos experientes. Além disso, o preço de aquisição é razoável: 7.690 Euros, mais despesas.
Para viver estas boas sensações basta pegar na Z650 S de forma descontraída, fazer alguns quilómetros para o motor e os pneus Dunlop ganharem alguma temperatura e escolher uma estrada de montanha com muitas curvas e bom piso! Em pouco tempo surge o sorriso nos lábios porque a moto tem esse efeito, a que não é alheio um quadro com excelente rigidez, travões obedientes e resistentes à fadiga, uma grande agilidade graças a uma distância entre eixos de apenas 1.410 mm ou um estilizado depósito e respetivos plásticos, que garantem um encaixe perfeito e permitem conduzir a moto quase só com os joelhos.
Para estar mais próximo da perfeição só faltou um quick shifter (na Kawasaki chama-se KQS), que até está disponível na lista de acessórios, mas que não é bidirecional, pois não permite reduções.Aliás, a lista de possíveis extras é tão extensa que se torna uma verdadeira tentação: além dos já anteriormente mencionados, temos sistemas de escape, ecrã pára-brisas, proteções de motor e de depósito, diferentes assentos, diversos sistemas para o transporte de carga, capas para proteção da moto… e a lista continua.
Mesmo numa utilização mais urbana e descontraída esta Kawasaki foi uma boa surpresa. A forma como se deixa levar pelo meio do trânsito é quase arrebatadora e mais parece que estamos a conduzir uma 125 cc com esteroides, a que não é alheio um peso em ordem de marcha de apenas 190 kg, que lhe garante uma grande facilidade de manobra inesperada e muito bem-vinda, mesmo com o depósito de 15 litros cheio.
Sem chegar a ser uma moto desconfortável, é claro que tem de haver compromissos e a dinâmica exige algumas cedências, mas no lugar do condutor vamos muito bem instalados, sendo que a posição de condução foi revista e está agora mais dinâmica.
Carregamos mais peso sobre a roda da frente, os poisa-pés foram ligeiramente recuados e os braços ficam mais próximos do guiador, que é agora mais largo, tudo na medida certa, incluindo um assento ligeiramente mais acolchoado. Já no que respeita ao lugar para o passageiro, a situação é um pouco mais delicada, dada alguma exiguidade do mesmo e a posição mais elevada, embora nem se possa dizer que esta Z seja uma moto egoísta a ponto de ser dedicada apenas ao condutor.
Assistimos a uma tendência mais ou menos generalizada no mercado de motociclos em que a dotação tecnológica e de equipamento já começa, em muitos casos a roçar algum exagero ou, se preferirem, as motos estão a aburguesar-se. Pessoalmente não tenho nada contra, mas reconheço que não são apenas vantagens e isso representa um aumento do peso e mais custos na aquisição, mas parece ser uma tendência imparável.
A Kawasaki, com esta Z650 S resistiu a essa tentação, podendo até ser acusada de ser algo espartana. Contudo, não abriu mão da boa qualidade de construção que lhe é conhecida, veja-se o caso da pintura e acabamentos no geral, e optou por focar-se no essencial, o que faz dela, para muitos de nós, uma moto ainda mais tentadora!
Não temos vários modos de condução, nem um ecrã gigante de 6 ou 7 polegadas e até a suspensão dianteira está a cargo de uma forquilha convencional e não invertida, embora se agradecesse alguma possibilidade de regulação.
Naturalmente que não falta o ABS, um controlo de tração (a marca chama-lhe KQS) com dois níveis e com a possibilidade de ser desligado (obrigado Kawasaki) e pouco mais. Até a nova instrumentação é modesta, num painel TFT que tem apenas 4,3 polegadas, com a informação essencial mesmo à mão de semear e dois modos de visualização, mas sem abdicar da conetividade com o smartphone, via App, para ajudar a manter o condutor bem informado, mas sem nunca se distrair do essencial, pois afinal de contas, qualquer distração e a presa pode fugir! Já a ausência, de série, de uma tomada USB é difícil de entender, pois apenas pode ser encontrada no vasto catálogo de acessórios.
Não posso negar uma certa simpatia pelo motor que dá vida a esta Kawasaki, pois é um caso sério de longevidade, com duas dezenas de anos de mercado, sendo que já equipou muitos modelos distintos ao longo deste tempo.
Mas não me interpretem mal! O motor é disponível, afinal de contas são 67,3 cv às 8.000 rpm com um binário máximo de 64 Nm às 6.700 rpm, que nos garantem uma resposta simpática, que sobe bem de rotação e cuja fiabilidade é inquestionável, mas que está a ser superado pelas concorrentes! Com esta edição Special a Kawasaki podia ter aproveitado a oportunidade para uma revisão do mesmo, talvez até passando por um ligeiro aumento de cilindrada e algum trabalho ao nível do próprio som do motor.
Apesar das sucessivas atualizações, incluindo uma embraiagem deslizante, já lhe falta algum refinamento e há aspetos a rever, como é o caso de alguma vibração por volta das 5.500 rpm, que coincidem com uma velocidade a rondar os 120 km/h, em sexta velocidade.
Nota positiva para a economia. Numa utilização descontraída, com alguns exageros à mistura e sem grandes preocupações ecológicas, uma média global de 4,5 litros é um valor francamente interessante e garante-nos 300 km sem atestar!
O lançamento desta Z650 S é, apesar de tudo, uma lufada de ar fresco que reforça o seu ar de família, sendo também uma moto muito polivalente, até para pessoas de menor estatura (assento a apenas 790 mm do solo) e pouca experiência, tudo reforçado pela existência de uma versão específica para os titulares de carta de categoria A2.
Esta cor verde lima e cinza metalizado fica-lhe muito bem, mas existem mais duas opções: uma muito discreta que conjuga tonalidades de cinzento e preto e, finalmente, aquela que na minha ótica é a mais apelativa, ao combinar cinza fosco com preto brilhante e o quadro tubular num tom dourado, dando-lhe um aspeto único e diferenciador, reforçado pela mesma cor nos autocolantes das tampas laterais.
Tudo somado, esta Z650 S faz todo o sentido e é uma proposta muito atrativa, num mercado altamente concorrencial em que as diferenças entre modelos se encontram muitas vezes nos pequenos detalhes, precisamente onde a Kawasaki brilha. Apesar de algumas arestas por limar, esta é uma moto que acabou por ser uma bela surpresa.
andardemoto.pt @ 27-6-2026 02:46:01.0770549 - Texto: Pedro Pereira Fotos: Luís Duarte
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