Teste Harley-Davidson Road Glide 117 Limited - A Arte de Viajar Longe

Há motos que se compram para conduzir e há motos que se compram para desfrutar ao longo de milhares de quilómetros. A Road Glide Limited pertence claramente à segunda categoria, e volto a confirmá-lo sempre que me sento aos seus comandos.

andardemoto.pt @ 28-7-2026 05:06:38.8340583 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Harley Davidson Road Glide Limited 2026 | Moto | Grand American Touring

Há motos que se compram para conduzir e há motos que se compram para desfrutar ao longo de milhares de quilómetros. A Road Glide Limited pertence claramente à segunda categoria, e volto a confirmá-lo sempre que me sento aos seus comandos.

Basta olhar para ela para que não subsistam dúvidas de que a Road Glide Limited pertence a um grupo de motos muito restrito, destinado a quem não faz concessões nem ao estilo nem ao conforto ou à segurança. Com o seu charme nostálgico, que não passa despercebido, vai derretendo corações ao longo do caminho e enchendo de orgulho quem a estiver a conduzir.

No início do ano já tinha tido um primeiro contacto com este modelo que é o Navio Almirante da Armada de Milwaukee. Nesse contacto, a “nariz de tubarão” já tinha mostrado o que valia. Mas agora tive oportunidade de a desfrutar “na vida real” e de a explicar com um pouco mais de profundidade, se bem que uma moto destas não tem nem precisa de explicação lógica. As suas linhas, o seu som, o exagero da sua engenharia só se explicam pela paixão, pelo deslumbramento, pela exclusividade.


O motor Milwaukee-Eight VVT 117, de 1.923 cc, entrega 107 cv às 5.020 rpm e 175 Nm de binário, disponíveis logo a partir das 3.500 rpm, graças a um novo sistema de abertura de válvulas variável (VVT) que melhora a recuperação a baixas rotações e reduz a vibração do bicilíndrico, conseguindo ainda um consumo homologado de apenas 5,9 l/100 km. 

Na prática, este binário generoso, disponível a tão baixo regime, traduz-se num prazer imediato: acelera com fluidez desde baixa rotação, sem exigir trocas de mudanças constantes, estando sempre disponível para ultrapassagens rápidas, mesmo com dois ocupantes a bordo e muita bagagem. É este atributo, mais do que a potência declarada na ficha técnica, que transforma a condução, mesmo em autoestrada, num prazer em vez de uma obrigação.



Em termos de eletrónica, o que a Harley-Davidson designa por Rider Safety Enhancements é hoje um conjunto de tecnologia bastante mais completo do que se possa pensar. Trata-se de um completo pacote eletrónico composto por:

ELB (Electronic Linked Braking), que reparte electronicamente o esforço de travagem entre as duas rodas quando se acciona a manete dianteira ou o pedal de travão e que funciona em paralelo com o ABS, que evita o bloqueio das rodas em travagens de emergência ou em piso escorregadio.

TCS (Traction Control System), que impede que a roda traseira patine em aceleração.

DSCS (Drag-Torque Slip Control System), que evita o bloqueio da roda traseira em desacelerações bruscas ou reduções de caixa exageradas, sobretudo em piso molhado.

VHC (Vehicle Hold Control), que mantém os travões bloqueados após a paragem, essencial para arranques em piso muito inclinado, sobretudo com muita carga, e sobretudo útil para a subida do passageiro a bordo, permitindo ao condutor segurar bem a moto, sem ter que estar dependente da manete do travão.

TPMS, com monitorização de pressão dos pneus indicada directamente no ecrã.

Todos estes sistemas, à excepção do VHC e do TPMS, têm ainda componente "Cornering" (C-ABS, C-ELB, C-TCS e C-DSCS), o que significa que o software tem em conta o ângulo de inclinação da moto em curva, e não apenas o comportamento em linha recta. 

É um nível de sofisticação que há uns anos seria impensável numa cruiser deste porte, e que devolve confiança ao condutor precisamente nos momentos em que uma moto com mais de 400 kg mais precisa dela: travagens de emergência numa curva, em piso molhado ou em arranques em subida. O interface de utilizador é sobretudo baseado em botões dedicados, e os diversos menus de configuração são bastante fáceis de navegar.



A este pacote soma-se o impressionante sistema de infotainment Skyline OS, com ecrã TFT a cores de 312 mm (12,3"), ligação Apple CarPlay com e sem fios, Bluetooth para telefone e auriculares, entrada USB-C e navegação integrada. O som é assegurado por quatro altifalantes, dois na carenagem frontal e duas no Tour-Pak, com 50 W por canal com uma qualidade e potência que podiam facilmente dar espetáculo em qualquer concentração motard.

A capacidade de carga é outro dos argumentos desta Harley: o conjunto de malas laterais e o novo Grand Tour-Pak, com iluminação LED integrada e encosto para passageiro, cifra-se em 143 litros (0,143 m³), um volume que permite partir para grandes viagens sem comprometer o conforto do passageiro. 

Junte-se a isto uma suspensão confortável, uma proteção aerodinâmica excepcional, a ergonomia perfeita e os assentos aquecidos com comandos independentes para condutor e passageiro, cada um com regulação do seu próprio nível de intensidade, e temos uma moto pensada para viajar a dois com toda a bagagem que a viagem exigir.



Mas nem tudo são vantagens. Começando pelo preço, dificilmente acessível à maioria das bolsas, e com 417 kg de peso em ordem de marcha, manobrar a Road Glide Limited a baixa velocidade exige experiência e antecipação, sob pena de sessões de "musculação" involuntárias num qualquer parque de estacionamento ou numa rua estreita.

A isto soma-se uma lacuna que persiste: apesar de todo este arsenal electrónico, a Harley-Davidson continua sem dotar estas máquinas de marcha-atrás, o que obriga o condutor a empurrar o peso todo à mão, e eventualmente a pedir ajuda, sempre que a manobra o exija.

Agora que os dias são bastante mais quentes, notei algum calor a emanar sob a coxa direita, resultado da proximidade do motor e do sistema de escape duplo 2-1-2. É um pormenor que se sente sobretudo em trânsito parado, nos dias mais quentes, e que vale a pena ter em conta.


Há um factor que nenhuma ficha técnica traduz ou deixa adivinhar: o carisma. A Road Glide Limited transporta consigo décadas da história da Milwaukee, e isso sente-se na estrada, nos olhares que atrai e na forma como impõe presença mesmo parada.

É esse charme, aliado à qualidade de construção (suspensão Showa de emulsão dupla com pré-carga ajustável, travões Brembo de quatro pistões e discos flutuantes duplos à frente), que continua a fazer desta gama uma referência incontornável no segmento das grandes tourings.


Neste teste usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:


Capacete Nolan N100-6

Blusão RSW Mac

Jeans RSW Peter

Luvas RSW MSSL – 011

Botas TCX Blend 2 Waterproof

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