Teste Moto Morini Alltrhike - Aventura Acessível

O nosso colaborador Henrique van Uden esteve presente na apresentação ibérica dos novos modelos Moto Morini disponíveis em Portugal, agora importados oficialmente pela Multimoto. O evento decorreu na região do Douro, cenário que se revelou à altura da ocasião. Para além da Alltrhike 450, aqui tratada, foram também apresentadas a X-Cape 700 e a X-Cape 1200, de que falaremos na próxima edição.

andardemoto.pt @ 28-7-2026 08:00:00 - Texto: Henrique van Uden | Fotos: Marca

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A Alltrhike é a primeira moto off-road de pequena cilindrada da Moto Morini. Desenhada em Itália, fabricada na China sob a alçada do grupo Zhongneng Vehicle Group (ZVG), foi completamente desenvolvida na sede da marca em Trivolzio, perto de Pavia.

Convém recordar que, desde a sua aquisição há pouco mais de seis anos, o renascimento da Morini tem-se centrado numa gama equipada com motores bicilíndricos paralelos de 650/700 cc fornecidos pela vizinha CFMOTO. Só a X-Cape 650 vendeu mais de 18.000 unidades a nível global em quatro anos.

E a X-Cape 1200 de 129 cv, que recuperou a histórica configuração V‑twin a 87° da Morini, agora em conformidade com a norma Euro 5+, também está a ter uma boa aceitação pelo mercado.

Chega agora a Alltrhike 450 de 2026, equipada com mais um motor CFMOTO, o mesmo bicilíndrico paralelo compacto de 449 cc, refrigerado por líquido, utilizado na desportiva 450SR e, mais relevantemente, na popular aventureira 450MT.

O teste, por estradas sinuosas de bela região do Douro, foi mais do que suficiente para que pudesse apreciar os predicados desta pequena aventureira. Notoriamente mais pequena do que as big trail, revelou-se ágil e perfeitamente capaz de enfrentar todo o tipo de piso. A Alltrhike 450 é adequada a qualquer tipo de condutor, incluindo os de menor estatura ou os menos experientes.

Na prática, o motor arranca prontamente. As vibrações são quase inexistentes em toda a gama de rotações. A embraiagem é leve. A rotação sobe progressivamente até ao limitador. A 120 km/h, o conjunto revela-se perfeitamente confortável e as retomas a partir dos 2000 rpm são limpas.


Na afinação Morini, o bicilíndrico de 449 cc e oito válvulas debita 48 cv (35 kW) às 8.500 rpm e 42 Nm às 6.500 rpm, posicionando-se claramente dentro dos limites da carta A2. Ao contrário de muitos motores de dois cilindros paralelos de pequena cilindrada que usam cambota a 180°, este motor adopta uma cambota a 270°, proporcionando um intervalo de ignição semelhante ao de um V‑twin a 90°. O resultado manifesta-se com uma melhor tração fora de estrada e um som de escape distintivo e surpreendente, bastante agradável.

Dois veios de equilíbrio accionados por engrenagens eliminam praticamente todas as vibrações indesejadas até ao limitador de rotações, situado às 11.000 rpm. A gestão electrónica é da Bosch e a CFMOTO afirma ter realizado a este motor mais de 4.000 horas de testes de durabilidade, a regimes elevados

A ciclística assenta num quadro de duplo berço em aço, combinado com um braço oscilante em alumínio, resultando numa distância entre eixos de 1.525 mm. A suspensão é KYB: forquilha invertida com jarras de 41 mm e 208 mm de curso, ajustável em pré-carga e amortecimento, e monoamortecedor traseiro com 190 mm de curso, através de bieletas, ajustável em pré-carga e expansão.

As jantes de raios de 21 polegadas na frente e 18 atrás, estão calçadas com pneus CST de uso misto, de medidas 90/90-21 e 140/70–140/80-18 respetivamente. A distância ao solo é igualmente generosa, cifrando-se em 215 mm.

A travagem é assegurada por um disco dianteiro de 320 mm com pinça de quatro pistões e um disco traseiro de 255 mm. O ABS Bosch de dois canais é de série e pode ser desligado na roda traseira em modo off‑road. O peso a seco é de 190 kg, associado a um depósito de 18,5 litros que promete boa autonomia em viagem.


O nível de equipamento é impressionante para o segmento. A dotação de série inclui iluminação LED, com um farol de duplo projector, proteções de punhos, manetes de travão e embraiagem ajustáveis, controlo de tração comutável e um painel TFT de 5 polegadas com conectividade Bluetooth e navegação integrada através de aplicação móvel.

Estão também presentes tomadas USB e USB-C. Os botões dos comandos são bastante acessíveis, mesmo com luvas grossas e são retro-iluminados. A proteção aerodinâmica oferecida pelo pequeno ecrã pára-brisas é suficiente.

A posição de condução é vertical e natural, com o guiador a oferecer bastante afinação. O assento a 840 mm do chão é estreito na parte frontal e permite apoiar completamente os dois pés no chão a um condutor de 1,80 m.

Os poisa-pés permitem a remoção dos capas de borracha para utilização fora de estrada, beneficiando o acesso aos pedais de travão e mudanças com botas de offroad calçadas. O passageiro conta com um assento individual, elevado, com boas pegas para as mãos.


Nas curvas, a Alltrhike entra com precisão e mantém a trajectória sem surpresas. A forquilha KYB regulável absorve bem o piso degradado e contribui para uma grande agilidade. Fora de estrada, a resposta suave do acelerador e o intervalo de ignição a 270° favorecem a tracção em piso solto.

A travagem dianteira é suficientemente eficaz, tal como o travão traseiro, e o ABS é desligável no eixo traseiro. Os pneus mostraram-se ao nível da exigência, mostrando um excelente comportamento tanto no asfalto como na terra, e apesar dos abusos, ao final do dia não apresentavam qualquer dano.

Além da versão normal, existe uma versão High Equipped que acrescenta assento e punhos aquecidos. Ambas as versões incluem cavalete central, um detalhe muito prático neste segmento.
A Alltrhike está disponível em duas versões: A Standard (em Verde e Preto), a partir de 5.680 € e a High Equipped (em branco) a partir de 5.990 €. 


Equipamento:

Neste Teste usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:

Fato LS2 X‑Master
Capacete Arai MX-V Evo
Botas Gaerne SG22
Luvas LS2 Bend

andardemoto.pt @ 28-7-2026 08:00:00 - Texto: Henrique van Uden | Fotos: Marca


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