Teste KOVE 350 RR - Pequena só no nome

A Kove apresentou uma pequena desportiva que nos faz voltar a sorrir dentro do capacete

andardemoto.pt @ 24-8-2026 02:34:33.5686946 - Texto: Miguel Rico | Fotos: Marca

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KOVE 350RR | Moto | Street

Há motos que impressionam pela potência, outras pelo estatuto da marca. E depois existem aquelas que simplesmente nos deixam divertir. A KOVE 350 RR pertence claramente a este último grupo.

Durante dois dias de testes em Barcelona tive oportunidade de experimentar vários modelos da marca de Chongqing, mas foi precisamente esta pequena desportiva que acabou por me conquistar. No final de cada sessão havia um denominador comum: tirava o capacete com um enorme sorriso na cara.

E isso, para quem gosta verdadeiramente de motos, vale muito mais do que qualquer ficha técnica.

ADN de competição

Basta olhar para a KOVE 350 RR para perceber que a competição faz parte do seu ADN.

A apresentação internacional contou com a presença de Beñat Fernandez, piloto oficial da KOVE e campeão do mundo de SuperSport integrado no calendário de Moto GP, uma demonstração clara da importância que a marca atribui ao desporto motorizado. Mais importante ainda é perceber que esse investimento não fica apenas nas pistas. A tecnologia e a experiência acumuladas chegam efetivamente aos modelos de produção.


É precisamente essa ligação entre competição e estrada que se sente logo nos primeiros metros.

Leveza é a palavra chave

A primeira sensação ao subir para a moto e começar a desfrutar é de enorme facilidade. Com apenas 149 kg a vazio e 164 kg em ordem de marcha, a 350 RR parece quase uma bicicleta quando comparada com muitas das desportivas atuais. Tudo acontece com naturalidade: mudar de direção, corrigir uma trajetória ou simplesmente posicionar a moto na curva exige muito pouco esforço.

A altura do assento, de 790 mm, torna-a igualmente acessível a um grande número de motociclistas, enquanto a posição de condução consegue encontrar um equilíbrio interessante entre desportividade e conforto. Senti-me imediatamente à vontade.

Um pequeno motor... com muita vontade

O motor bicilíndrico debita 47 cv, o limite máximo permitido para a carta A2, e entrega 32 Nm às 9.000 rpm. Mas o que realmente impressiona é a forma como sobe de rotação.

As 12.000 rpm chegam rapidamente e convidam constantemente a explorar a zona mais alta do conta-rotações, proporcionando uma experiência muito divertida sem nunca intimidar o condutor.


A entrega de potência é progressiva, previsível e suficientemente suave para inspirar confiança mesmo aos motociclistas menos experientes. 

Os dois modos de condução, Sport e Eco, permitem adaptar facilmente a resposta do acelerador às diferentes utilizações.

Feita para aprender e ... divertir

Grande parte do teste decorreu em circuito fechado (Castelloli, Barcelona), o ambiente ideal para perceber a verdadeira personalidade desta pequena desportiva. A travagem revelou-se um dos pontos fortes.
Na frente encontramos um disco de 320 mm com pinça Taisko de dois pistões, enquanto atrás trabalha um disco de 220 mm.

O conjunto transmite uma excelente sensação de controlo e oferece aquela confiança adicional que todos procuramos quando começamos a travar mais tarde para uma curva.

O ABS dispõe de três níveis de intervenção, podendo igualmente ser desligado, tal como o controlo de tração.

Outro detalhe pouco habitual nesta faixa de preço e de cilindrada é a presença de Launch Control, pensado para otimizar os arranques entre semáforos , além da embreagem assistida, que torna a utilização ainda mais agradável.

Tecnologia acima da média 

A KOVE não quis poupar no equipamento. O ecrã TFT de 7 polegadas oferece dois modos de visualização,  Racing  e Clássico, incluindo também conectividade Bluetooth para smartphone.

O conjunto eletrónico é surpreendentemente completo para uma moto que custa 4.997 euros (valor ao qual acrescem transporte, matrícula e ISV).


Também merece destaque o braço oscilante em alumínio, uma solução normalmente reservada a modelos mais caros, bem como os pneus CST Ride Migra S1, montados em jantes de 17 polegadas, com medidas 110/70 à frente e 150/60 atrás.

Uma estratégia inteligente
A
 KOVE tem apenas sete anos de existência, mas percebe-se claramente qual é a estratégia da marca.
Ao investir fortemente na competição e ao transferir essa experiência para motos acessíveis, procura conquistar uma nova geração de motociclistas desde o início da sua vida sobre duas rodas.

Quem compra uma primeira desportiva divertida, bem equipada e fiável tende a criar uma ligação emocional à marca. E essa fidelização pode ser decisiva no futuro.

A existência de uma rede de concessionários e assistência já bastante alargada, aliada a cinco anos de gatantia, reforça ainda mais a confiança no produto.

Um momento que não irei esquecer

Há dias que ficam gravados para sempre na memória de qualquer motociclista,  e este foi um deles. Não é todos os dias que temos oportunidade de rodar num circuito. Muito menos de partilhar a pista com um campeão do mundo.

O momento em que Beñat Fernandez me ultrapassou pelo exterior de uma curva foi daqueles instantes que ficam para sempre guardados. Em poucos segundos percebemos verdadeiramente o que distingue um piloto de classe mundial de todos os restantes. Foi um privilégio assistir de tão perto à diferença que faz o talento.

Veredito

A KOVE 350 RR não pretende competir com as superdesportivas de elevada cilindrada. Nem tal faria sentido.

O seu objetivo é outro: oferecer uma moto acessível, extremamente divertida, leve, fácil de conduzir e suficientemente bem equipada para permitir a qualquer jovem motociclista começar a explorar o mundo da condução desportiva com total confiança.


E consegue fazê-lo de forma brilhante. Depois de dois dias a testar vários modelos da marca, esta foi, sem margem para dúvidas, aquela com que mais me diverti. Nem sempre a moto mais potente é aquela que proporciona mais emoções.

Às vezes basta uma ciclística muito bem afinada, um motor que gosta de subir de rotação e um conjunto que transmite confiança para nos lembrar porque gostamos tanto de andar de moto. E a KOVE 350RR fez exatamente isso.

E o melhor indicador que posso dar é muito simples: mesmo habituado a motos bastante mais substanciais, nesta, sempre que tirava o capacete eu estava a sorrir!

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