Yamaha DT 50 LC: a mais cobiçada

Pela primeira vez nestas crónicas vamos debruçar-nos sobre uma 50 cc e não será um modelo qualquer.

andardemoto.pt @ 23-8-2026 21:30:00 - Texto: Pedro Pereira Fotos: Luís Duarte

Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp

A Rainha das 50 cc

A Yamaha DT 50, mais ainda na versão LC (Liquid Cooled) com ou sem o D à frente (abreviatura de Disk) é o que podemos chamar de uma verdadeira “Moto de Culto”. É a prova viva de que os veículos de duas rodas não necessitam de ter performances extraordinárias ou historial na competição para serem verdadeiros casos de sucesso, apreciados e apetecidos por diferentes gerações.

Fica também a promessa de que, no futuro, estas crónicas irão trazer até vós mais modelos de 50 cc, nacionais ou não. Afinal de contas, estão a atravessar uma fase de grande popularidade e aceitação e merecem ser ainda mais conhecidos, ou não fossem eles o meio primordial de deslocação de muita gente, até de famílias inteiras, por esse Portugal fora, na segunda metade do século passado.

Alguma contextualização

A Dual Terrain (DT) conheceu no nosso país um sucesso incrível, apesar de não existir em muitas cilindradas, como em outros mercados.

Portugal apenas conheceu as variantes de 50 e 125 cc, mas ambas são ainda hoje modelos de créditos firmados e os seus valores de transação atingem quantias inimagináveis. Diz-se, por graça, que exemplares em bom estado são melhor investimento que um bom depósito a prazo, tal a sua valorização!

Tudo começou em 1968, numa altura em que o construtor nipónico já se começava a afirmar a nível global. A novidade Yamaha DT-1 foi uma verdadeira pedrada no charco e o facto de se poder usar igualmente no asfalto ou fora dele só veio dar razão à marca. Perfeita para ir para a escola ou trabalhar… e ir fazer uns trilhos ao fim de semana!

Suspensões de curso maior, posição de condução ereta, pneus menos asfálticos, estética cuidada e boas performances, o resultado não podia ter sido melhor. O sucesso acabou até por apanhar de surpresa a marca dos 3 diapasões que rapidamente decidiu diversificar o modelo.


Ao longo dos anos existiu numa multiplicidade de modelos, sendo que a cilindrada ia dos 50 cc, como o desta crónica, passando pelas 80 cc (populares na vizinha Espanha), às 100 cc, 125cc… Chegou até a existir uma DT 400 que era, certamente, uma verdadeira fera! Aliás, já tive oportunidade de conduzir uma 200 cc, importada, e as performances são de eleição.

Ainda durante a década de 70 começou a ser comercializada no nosso país a DT 50, numa versão com caixa de 5 velocidades, refrigeração a ar e já com autolube (sistema de mistura automático), revelando décadas de avanço face aos construtores nacionais.

Além disso, a marca soube ir atualizando sempre o seu modelo, de tal forma que a sua popularidade foi sempre em crescendo. Por exemplo, em 1983 recebeu um monoamortecedor traseiro e em 1988 a evolução foi mesmo gigante: a estética atualizou-se, basta ver o farol retangular dianteiro, manómetros completos, o motor já tinha 6 velocidades e refrigeração por líquido! Um verdadeiro luxo!

O modelo conheceu tal sucesso no nosso país que a marca criou até uma série especial alusiva a Portugal que chamou de Cabo da Roca! A DT era de tal forma apreciada que as forças de segurança, nomeadamente a PSP, tinham inúmeras ao seu serviço. Contava um amigo, agente da PSP, que estavam anos-luz à frente das outras, caso das Casal e das Sachs!

O que é que a DT 50 tem?

Não quero escrever “tem tudo como ninguém” como cantava a eterna Carmen Miranda porque a DT não tinha muito mais que as suas concorrentes. Aliás, em alguns casos até tinha menos, tirando o status! Era um verdadeiro objeto de consumo e de culto, também muito ambicionada, incluindo até por aqueles que não a podiam adquirir!

Não era a mais rápida (de origem tinha uma velocidade máxima a rondar os 70/80 km/h), nem a mais barata (era até bastante cara, custando 325 contos em 1990). Mesmo as suas capacidades off-road, completamente stock, eram algo limitadas, mas o conjunto tinha muitos outros atributos: leve, fiável, bonita, divertida, de manutenção fácil, com aquele zumbido inconfundível… e toda a juventude desejava ter uma!

Este bonito exemplar que pode ver nas imagens é de 1989 e apesar de não estar completamente original, basta olhar para o escape que é um Firefox completo, está bastante próxima da sua forma inicial.

Além disso, continua a ser usada de forma regular e a dar um muito prazer e satisfação na sua condução, tal como acontecia há mais de 30 anos! Aqui aparece com uma bonita decoração rosa.


Enquadra-se bem com a sua condutora, mas no original era vermelha! Aliás, para ser mais preciso, “branca e outra”, o que equivale a dizer que podem ser escolhidas imensas cores! Verde, azul, amarelo e tantas outras! Aliás, mesmo para quem quer uma diferente… não falta material para ter uma DT única!

Ou seja, era a motorizada da moda e a verdade é que o voltou a ser. Claro que há muitas que estão literalmente “diferentes”, para ser simpático, mas o que não falta é material para que seja possível devolver-lhes a glória original, mesmo que com mais uns pozinhos, como é prática habitual em quase todas elas!

Não é preciso chegar aos exageros de lhe duplicar a cilindrada (há muitas assim), mas só um ligeiro aumento de cilindrada, algumas melhorias no carburador e filtro de ar e as performances sofrem um enorme incremento, sem comprometer demasiado a fiabilidade, desde que não se ande sempre com o “punho enrolado”.

Caso se opte constantemente por uma condução mais agressiva, não há milagres nem em termos de fiabilidade ou de consumos. Além disso, rapidamente se destacam as suas limitações, caso da travagem, sobretudo na frente, nas que usam ainda o sistema de tambor.

Impressões de condução

Nunca cheguei a ter uma, nem nos meus anos de adolescência, mas acabei por a conduzir tantas vezes (até em algum fora de estrada), que posso afirmar que conheço perfeitamente o modelo e às vezes até me custa a perceber o encanto que continua a ter nas pessoas. Foi graças a este modelo que muitos de nós começamos a andar em duas rodas e transmitimos esse espírito aos mais jovens!

Quando me sento ainda me parece mais pequena. Não que eu tenha crescido nas últimas décadas (tirando para a frente), mas ali tudo parece e é minimalista. São menos de 100 kg em ordem de marcha (podem ser ainda menos se começarmos a retirar peças, que é prática comum) e o resultado é que a DT é mesmo ágil e escandalosamente fácil de conduzir.

O pedal de arranque aciona-se facilmente com a mão e não estou a exagerar. Usando o pé não é necessário fazer força nenhuma, é só deixar cair e o motor acorda para a vida com aquele tradicional zunido que lhe é peculiar. Aliás, o escape original deste exemplar foi trocado sobretudo para alterar esse som por algo diferente, tal a saturação.


Não se esperam prestações de eleição, mas neste caso há mais qualquer coisa que lhe dá um pouco mais de binário. Algo como um ligeiro aumento de cilindrada, mas quase impercetível e muito bem-vindo, para carregar com os meus mais de 80 kg, ou seja, quase o peso da máquina!

O motor sobe bem de rotação e se quisermos explorar tudo o que tem para dar não há outra forma que não sejam rotações sempre lá bem em cima! A caixa de velocidades continua a ser magnífica: curtinha, fácil de acionar sem falsos pontos mortos! Tão à frente das produções europeias e nacionais da época!

Para o off-road, que agora não cheguei a testar, já é preciso fazer mais alguma coisa, nomeadamente ao nível das suspensões, de adicionar alguma proteção, um guiador melhor e até algum trabalho ao nível da travagem, mas tal como está pode sair do asfalto, desde que em modo soft, sem exageros.

Notas finais

As motociclistas e os motociclistas continuam a adorá-la! A sua utilizadora habitual afirma que já foi várias vezes abordada para a vender! Também por causa disso há que ter imenso cuidado! É extremamente fácil de roubar e esqueçam-se as trancas de direção ou os cadeados. Se for deixada sozinha há sempre o risco de que possa desaparecer… e para nunca mais voltar!

A DT 50 foi muitas vezes imitada. A marca nacional Casal foi mais longe tendo lançado uma réplica denominada XT 50, mas que nunca a conseguiu igualar! Podiam existir concorrentes com uma melhor ciclística, basta pensar na Honda CRM 50 ou produções nacionais e italianas com mais potência, mas nada disso serviu para destronar a DT 50!

Sem querer fazer futurologia, depois de uns anos em que o seu sucesso esteve adormecido, ele é agora maior que nunca! Não me admirava se assim continuasse a ser no futuro. A prova disso é que vemos pessoas com 50 ou 60 anos a andar nela, mas também vemos jovens com 20 anos ou menos e todos conseguem retirar prazer da sua condução!


andardemoto.pt @ 23-8-2026 21:30:00 - Texto: Pedro Pereira Fotos: Luís Duarte


Clique aqui para ver mais sobre: MotoNews


Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp