Rogério Carmo

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Publisher Andardemoto.pt

OPINIÃO - Editorial

Porque não... 18/04/2019

Não vou à bola!

Não vou à bola! 

andardemoto.pt @ 26-4-2019 17:00:33 - Rogério Carmo

Não ligo à bola! Não pelo jogo, que não me aquece nem arrefece, mas pelos adeptos! Obviamente não todos! Mas bastam poucos minutos mergulhado nas redes sociais, num café ou frente a uma televisão, para ver que, aquilo que realmente motiva uma grande percentagem dos adeptos do jogo da bola não é a destreza física nem os predicados atléticos dos jogadores, ou as capacidades do treinador, e nem sequer o contexto e desenrolar dos jogos.

Normalmente o que motiva o futebolismo crónico é a necessidade que muitas pessoas têm de convencer os outros de que sabem falar sobre coisas de que, na realidade, pouco ou nada percebem, numa tentativa de provar uma inteligência que efectivamente não têm. Podiam estar calados, e eventualmente até tentar ouvir quem sabe, mas não. Por isso, eu não “vou à bola” com eles.

O meu desporto é o motociclismo. Gosto de ver uma boa corrida e não importa nem de que campeonato nem de que categoria. Não tenho ídolos (apenas simpatias) e para mim os pilotos e as marcas são até, em parte, irrelevantes já que o que conta mesmo é o binómio homem-máquina: a destreza e coragem do piloto e a agilidade da moto.


Também neste desporto, que envolve tantas variáveis, sempre houve “treinadores de bancada”, felizmente poucos, com preconceitos referentes a esta ou àquela marca, ou a um ou outro piloto, mas raros eram os que ousavam mostrar animosidades contra quem quer que fosse, pois é um facto que quem chega aos campeonatos de topo é um excelente piloto, um verdadeiro sobredotado, que sabe o que pode exigir à mecânica e a si próprio, e que cada vez que entra em pista está a arriscar a sua própria vida, o investimento e reputação da sua equipa, e a gerir ao mesmo tempo todas as inseguranças pessoais e contratempos colectivos, em busca de um equilíbrio emocional fundamental para poder render o máximo e vencer corridas e campeonatos tentando, no final, continuar vivo e saudável.

Com a chegada do Miguel Oliveira ao Campeonato do Mundo de Velocidade, o motociclismo em Portugal ganhou um novo fôlego. As corridas de motos começaram subitamente a ganhar adeptos e a chegada do piloto almadense à classe rainha, em 2019, arrastou uma multidão de simpatizantes da modalidade que, agora (e obviamente não todos), começam a fazer às motos aquilo que tão naturalmente fazem com a bola: falar sobre coisas de que, na realidade, pouco ou nada percebem, numa tentativa de provar uma inteligência que efectivamente não têm, expressando-se levianamente nas redes sociais e onde calhar, relativamente à chegada do “nosso” Miguel ao MotoGP. Como se o trabalho que ele está a fazer e os resultados que já conseguiu obter, num ano de estreia numa nova categoria, com uma nova equipa e numa moto em desenvolvimento, rodeado por multi-campeões do mundo, fosse algo menosprezável, indigno ou vergonhoso, em vez de o apoiarem e lhe darem força, incondicionalmente!

O Miguel já ganhou: está no topo da carreira e pertence a uma elite, e a sua equipa até está bem satisfeita com o seu trabalho e resultados. Espero, por isso, que o Miguel não dê importância às vozes que não chegam ao céu, e não se deixe desmoralizar. Porque aqueles que sabem do que falam estão sempre a dar-lhe a maior força! Incondicionalmente. E aos tais… há que simplesmente dizer-lhes como disse o outro: Por qué no te callas?

andardemoto.pt @ 26-4-2019 17:00:33 - Rogério Carmo