Teste Royal Enfield Scram 411 - Quando menos é mais

A simplicidade da Royal Enfield Scram 411 é realmente o seu grande argumento. Estivemos em Espanha, na sua apresentação Europeia, para avaliar o seu potencial. 

andardemoto.pt @ 27-6-2022 11:46:00

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Royal Enfield Scram 411 | Moto | Scram

A filosofia que a Royal Enfield adopta para as suas lendárias motos é, sobretudo, a de simplicidade. Do design à mecânica, as Royal Enfield são motos que resumem a essência do motociclismo. Nada de excessos, apenas o fundamental para garantir conforto, fiabilidade e resistência.

As prestações dinâmicas absolutas não são prioridade da marca que, tendo recentemente cumprido 120 de idade, é desde 1994 pertença do Grupo Eicher, um dos grandes fabricantes indianos de veículos pesados de mercadorias, reconhecido pela sua parceria estratégica com o grupo Volvo.

Por outro lado, a qualidade de construção em prol de um desempenho à prova de bala é definida pelo slogan “Made like a gun”.

Para tal, em 2015, o grupo integrou a reconhecida empresa de engenharia automotiva britânica Harris Performance, especialista em ciclística de competição, e em 2017 inaugurou o Royal Enfield Technology Centre, sedeado perto de Leicester, no Reino Unido, onde emprega uma equipa de mais de 100 engenheiros, designers e outros especialistas, com o intuito de investigar e desenvolver uma estratégia de produto a longo prazo, que agora começa a dar frutos.

Após o sucesso da Himalayan, a Royal Enfield decidiu criar uma versão “light” da sua moto de aventura e apresentou a Scram 411, mais vocacionada para uma utilização urbana diária, mas com capacidades para garantir umas escapadelas terapêuticas pela natureza.

Despretensiosa mas esteticamente atraente, simples mas extremamente agradável de conduzir, a nova Royal Enfield Scram 411 é uma versão mais prática da Royal Enfield Himalayan, com quem partilha o quadro e o motor. Mais leve e com uma ciclística redesenhada, pretende assumir um melhor comportamento dinâmico em asfalto.

A simplicidade mecânica, consubstanciada pela refrigeração por ar e óleo, regimes de rotação e potência moderados, caixa de velocidades de apenas 5 velocidades e níveis de eletrónica extremamente limitados (apenas o ABS, a Ignição e a Injeção são digitais), tornam a manutenção e eventuais reparações extremamente acessíveis.

Logo à partida, o posto de condução sente-se agradável, tendo o assento sido redesenhado para proporcionar maior conforto durante viagens longas. De peça única, reflete o estilo urbano da moto e oferece um excelente apoio para o motociclista e o passageiro. A sua baixa altura ao solo (795 mm) contribui para uma elevada confiança a manobrar, mesmo para quem não é favorecido verticalmente.


Também a posição de condução é bastante ergonómica e proporciona um excelente controlo sobre a direção, seja numa condução sentada ou em pé, tanto em andamentos rápidos como fora de estrada, já que esta Scrambler não se nega a nenhum caminho!

A nova roda dianteira de menor diâmetro, 19 polegadas por comparação com a de 21 polegadas na Himalayan, torna a direção mais incisiva e rápida, que favorece o desempenho no asfalto, sem no entanto perder significativo desempenho numa utilização fora de estrada, já que ainda garante uma altura livre ao solo de 200 mm.

O comprovado motor LS410 a quatro tempos, com árvore de cames simples à cabeça, mantém o seu caráter lânguido mas incansável, dócil mas determinado, extremamente fácil de controlar, sobretudo em manobra, revelando-se incentivador de paz, tranquilidade e harmonia com a natureza e connosco próprios.

A caixa de cinco velocidades está perfeitamente sincronizada com a disponibilidade do binário para diminuir a necessidade de efectuar mudanças de relação, tornando a condução mais fluida e cómoda. 

Os comandos são igualmente relaxantes, com a embraiagem bastante leve, o pedal das mudanças bastante suave e assertivo e com um ponto-morto extremamente fácil de selecionar.

Os travões, que apresentam discos e ABS em ambas as rodas, têm uma mordida inicial bastante suave e necessitam de bastante convicção na manete, e pecam pela sua facilidade em acusar fadiga, isto tendo em conta as elevadas temperaturas que encontrámos no sul de Espanha e o ritmo de andamento normalmente imposto durante estas apresentações internacionais. De qualquer forma, este é o ponto menos forte da Scram 411.

Pode parecer que os modestos 24 cavalos de potência, debitados pelo monocilíndrico de 411cc de cilindrada, são incapazes de andamentos relevantes, mas ainda assim, os 32 Nm de binário são mais do que suficientes para impulsionar a Scram 411 a uns razoáveis 120 km/h em piso plano e definitivamente excessivos a descer qualquer estrada de montanha.

A suspensão não compromete o desempenho do conjunto, mostrando-se suficientemente firme em curva e sob travagem. 

Com ligeiramente menos curso que a forquilha da Himalayan, um centímetro a menos, e em conjunto com o menor diâmetro da roda, o centro de gravidade fica mais baixo e mais colocado sobre a frente, o que contribui para a maior sensação de controlo da direção que a Scram mostra sobre a Himalayan, notando-se perfeitamente que houve mão da Harris Performance no desenvolvimento da ciclística deste modelo. 

De qualquer forma, 15 quilos a menos no seu peso também potenciam um melhor desempenho do conjunto.


A Scram 411 vem equipada com pneus polivalentes que potenciam uma aderência fiável tanto no pavimento de asfalto como na gravilha solta, apesar de serem ilustres desconhecidos de uma marca premium indiana: Ceat.

O painel de instrumentos é minimalista, digital e analógico, e permite um acesso fácil à informação essencial: conta-rotações, totalizador de quilometragem parcial, relógio, e indicador de nível de combustível com avisador de reserva.

É complementado por um pequeno satélite gerido por uma App através de uma ligação Bluetooth ao smartphone, que pode ser configurado num navegador de ponto-a-ponto. Este sistema de navegação Royal Enfield Tripper é disponibilizado de série em todas as versões da Scram 411.

Um aspecto que salta à vista nesta Scram 411 é a boa qualidade de construção. A solidez dos materiais e a firmeza da sua montagem contribuem para que não se ouçam chocalheiras nem ressonâncias, isto apesar de praticamente todos os componentes serem fabricados em metal, com muito pouco recurso a plásticos, o que contribui para uma excelente sensação de robustez.

E é claro que a Royal Enfield não perdeu a oportunidade de disponibilizar diversas versões deste modelo, cada uma com o seu esquema cromático próprio, todos eles bastante interessantes, que pode ainda ser complementado com recurso à vasta gama de acessórios que a marca disponibiliza.

A Scram 411 deixou-nos satisfeitos pela sua honestidade e facilidade de condução. Pode perfeitamente ser uma moto de iniciação, para os recém-chegados ao mundo das duas rodas, ou uma segunda moto para utilização diária e até mesmo uma excelente companheira de aventuras de um qualquer motociclista experiente. 

A marca anuncia consumos de combustível inferiores a 3,2 litros/100 km, pelo que o depósito de combustível, com uma capacidade de 15 litros, consegue garantir autonomias muito interessantes.

Sejamos sinceros, com um PVP recomendado de 5.249€, a Scram 411 é uma excelente solução de mobilidade: é versátil, fácil de conduzir, tem estilo, tem história, tem provas dadas e não pretende enganar ninguém. Simplicidade, robustez e fiabilidade são o que promete.

Por isso, muitas vezes, o menos é mais!

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