Teste Rev'it! Poseidon 2 GTX

Um conjunto de blusão e calças, para homem, destinado aos grandes viajantes.

andardemoto.pt @ 16-6-2020 07:00:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

O conforto é um dos factores fundamentais para as grandes viagens. É função de um bom equipamento de motociclismo, conseguir controlar a temperatura do corpo e proteger a pele da chuva e da transpiração. E esses foram os aspectos considerados logo desde o início da concepção deste equipamento de referência, desenvolvido para uma utilização em motos de estrada ao longo de todo o ano. Outros cuidados, como a resistência à abrasão, a liberdade de movimentos, a arrumação e a visibilidade, tampouco foram esquecidos.

A Rev’it! desenvolveu o novo Poseidon 2, tendo em conta o “feedback” dos utilizadores da primeira versão deste conjunto e o aspecto primordial que a marca teve de resolver foi o peso. Um equipamento destinado a grandes viagens tem que oferecer características muito específicas: fisionómicas, protectoras e térmicas, que se reflectem directamente no peso dos casacos e das calças, factor que ao final de um dia, entre dias inteiros de condução, contribui para um desgaste significativo que nada abona a favor da segurança.

Assim, a primeira solução encontrada foi utilizar um poliéster mais leve, reforçando-o nas zonas mais sujeitas a abrasão em caso de queda. Por isso o Poseidon 2 apresenta aplicações em Superfabric, um material cinco vezes mais resistente à abrasão do que o cabedal, mas com apenas metade do seu peso, que está revestido por uma camada de resina epóxi para não riscar a pintura da moto.

Além disso, o nylon 400D (400 vezes mais denso que um fio de seda natural, material padrão que para perfazer 1kg de peso, necessita ter um comprimento de 9 quilómetros =1Den) tem uma vantagem acrescida que é a maior liberdade de movimentos promovida por um tecido mais flexível, mas sem perder a resistência a cortes, rasgões ou abrasão.

A segunda solução, para impermeabilizar o conjunto, foi laminar no interior do Nylon, 2 ou 3 camadas de membrana impermeável Gore-Tex, dependendo da zona estar mais ou menos sujeita a uso, e que tornam o conjunto à prova de água, sem deixar ensopar a camada exterior, mantendo o peso contido, mesmo debaixo de fortes chuvadas. Uma solução que evita a mais complicada utilização de uma terceira camada destacável, intermédia, impermeável, que não se revela absolutamente nada prática.

Nos dias mais quentes, além do conforto proporcionado pela membrana de Gore-Tex devido ao facto de esta permitir a evaporação da transpiração, o casaco e as calças possuem um novo sistema de ventilação, desenvolvido especificamente para uma posição de condução sentada, com entradas de ar no peito e nos ombros, e generosos extratores nas costas, com abertura regulável e protegidos por um fecho rápido à prova de água. 

No peito, os dois painéis de ventilação são mantidos abertos por um eficaz sistema de fixação rápida que incorpora ímanes de neodímio, tornam muito fácil a operação de abertura e fecho, mesmo durante a condução. Um sistema de calhas em borracha, desenvolvido pela Rev’it!, impede a entrada de água quando os painéis estão fechados.


Nas calças encontramos os mesmos painéis de ventilação, colocados à altura da coxa, mas estrategicamente colocados para permitirem a entrada de ar para a zona do abdómen. Continuando nas calças, que têm fechos de união para ligação com o casaco, além de estarem preparadas para receber suspensórios, o destaque vai para o botão de aperto do cós, um “Slide Lock” da YKK que garante que, por maior que tenha sido a barrigada do almoço (ou jantar), as calças vão continuar apertadas.

O cós conta ainda com um conveniente sistema de ajuste rápido de cada um dos lados, realmente eficaz nas mesmas circunstâncias. Inserções elásticas nos joelhos aliviam a pressão na posição sentada e aplicações anti-derrapantes no rabo evitam que se escorregue em cima dum assento molhado.

As calças contam com dois bolsos laterais, e alguns colegas jornalistas estrangeiros queixaram-se de que o seu acesso, durante a condução, não é fácil. E efectivamente não o é! Mas quem já caiu de moto, sabe que andar com coisas nos bolsos pode causar mais danos do que a própria queda. A mim já aconteceu, por isso, destino estes bolsos apenas para a chave da ignição, ou para uns poucos trocos, já que fora da moto o seu acesso é fácil. Por serem estanques, estão equipados com fechos rápidos à prova de água, protegidos por uma pequena aba para evitar infiltrações.

Voltando ao casaco, posso continuar com o tema dos bolsos. O primeiro, e para mim o mais importante de todos, é o bolso napoleão, aquele interior, onde normalmente guardo a carteira e que, também normalmente, está colocado sobre o peito, do lado esquerdo, com uma abertura vertical.

Neste caso, está sobre o lado direito, e devido à construção laminada da camada exterior, este bolso está completamente protegido da chuva. Os dois bolsos externos, também  impermeáveis, têm a mesma configuração dos das calças. No interior existem ainda dois bolsos, convenientes para guardar o smartphone ou os documentos.

No fundo das costas existe um grande bolso, igualmente estanque, guarnecido com fecho à prova de água e aba protectora, que uso apenas para guardar a gola destacável, a Storm Collar como a marca a define, um acessório útil, fácil de pôr e tirar, que guardo para situações de fortes chuvadas e/ou muito frio, e que se revela de uma eficácia muito elevada. Supostamente, nesse bolso, também se pode guardar o forro térmico do casaco, mas para o meu gosto fica demasiado volumoso, por isso prefiro levar ambos os forros nas malas da moto, ou na mochila. 

Por falar nos forros térmicos, que se unem à camada exterior através de fechos rápidos e algumas molas de pressão, o do casaco conta com um generoso bolso interior. A sua concepção e corte não me fazem sentir “enchouriçado”, pois ao usá-los, o volume do casaco e das calças não aumenta substancialmente e, com a ajuda de uma boa camada base, garantem conforto a temperaturas (positivas) de apenas 1 dígito. No entanto, a partir dos 18 graus, o forro térmico já se pode tornar insuportável.

Todo o conjunto tem ajustes reguláveis: no colarinho, nos punhos, nas mangas, na cintura e nas perneiras das calças, para que nada vá a abanar, garantindo assim uma viagem muito menos cansativa e mais agradável. As calças possuem aberturas generosas nas perneiras, que permitem apertar ou desapertar facilmente as botas, operação que é necessária efectuar antes de poder vestir ou despir as calças. O casaco conta ainda com dois foles laterais, na zona da anca, para permitir uma posição sentada mais desafogada.


Esta versão de côr prateada, que é praticamente branca, tem ainda inserções refletoras nas costas, que promovem uma visibilidade ainda maior, debaixo de chuva ou em condução nocturna.

Sendo um equipamento topo de gama, há pormenores que considero menos conseguidos, nomeadamente o fecho dos punhos, que não oferece o mesmo tipo de aperto de outros, como por exemplo o do meu outro fato Rev’ít! Offtrack (cujo teste pode ler se clicar aqui), e que permite uma regulação permanente, facilmente adaptável a diversos tipos de luvas. No entanto, admito que essa solução pode ser menos eficaz em termos de impermeabilidade e a solução do Poseidon 2 acaba por ser igualmente prática, apenas parecendo menos “high-tech”.

Apesar de toda a ventilação, e isto ainda antes de ter tido oportunidade de o comprovar em temperaturas superiores a 30 graus, acredito que o conjunto vai ser um pouco quente, pois a temperaturas primaveris já pude sentir algum calor, sobretudo em motos daquelas que nos torram quando se começa a espremer a cavalagem, ou então, se for necessário fazer algum esforço físico.

Um ponto a ter em conta, que é facilmente resolvido com o uso de um colete refrigerante que pode ser adquirido em separado, já que o casaco está concebido para a sua utilização! Mas de qualquer forma este não é um fato para ir para Marrocos, como o já referido Rev’ít! Offtrack,  antes para os Alpes, onde as temperaturas e a altitude tornam o clima mais ameno e as chuvadas são frequentes e imprevisíveis em qualquer altura do ano.

Outro aspecto que entendo que um casaco desta gama e preço deveria ter, é o chamado “destination liner”, ou seja, um forro interior térmico, discreto e bem acabado, que no final de um dia de viagem se possa levar vestido a um jantar ou a um museu, ou apenas para ficar à fogueira, de forma confortável e sem se necessitar de carregar mais bagagem. Já tive alguns e é realmente uma solução excelente.

Falta ainda falar das protecções de impacto. Neste caso estou a referir-me àquilo que a marca reclama ser um produto da mais refinada tecnologia, peças de armadura extremamente leves, respiráveis e flexíveis, com uma capacidade de absorção de impacto muito elevada, que inclusivamente excede os padrões de homologação, mantendo a consistência sob uma ampla faixa de temperatura de utilização.

Trata-se das Seesmart e das Seeflex, estas últimas dignas de apreciação pelos Red Dot Awards pelo seu design e inovação, e que têm a seu cargo a tarefa de proteger ombros, cotovelos e joelhos, podendo ser ajustáveis em altura para um encaixe perfeito, e que vêm instaladas de fábrica no Poseidon 2. No casaco ainda é possível instalar uma protecção cervical e uma protecção de peito, ambas vendidas em separado.

Por isso já sabe, desde que não tencione ir para Marrocos nos meses quentes, e pretenda um equipamento duradouro e de aspecto impactante, esta é uma opção que deve ter em conta.

O conjunto é vendido em peças separadas, e está disponível também em cor preta. O P.V.P. do casaco é de 750 euros e o das calças é de 550 euros, valores justificados pelo conforto que proporcionam, pelos bons acabamentos e pela qualidade dos materiais utilizados.

andardemoto.pt @ 16-6-2020 07:00:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


Clique aqui para ver mais sobre: Notícias de Equipamentos e Acessórios para Motos