Teste Airoh Commander: capacete do tipo Transformers

Um capacete que é um verdadeiro “3 em 1”. Além da versão Standard (com viseira e pala), transforma-se na versão Naked (apenas com a viseira) e na versão MX (sem viseira, apenas com pala). Tem viseira solar integrada escamoteável. Saiba como se comporta!

andardemoto.pt @ 18-7-2020 16:21:56 - Texto: Pedro Pereira

Este capacete já tinha sido apresentado no seu Andar de Moto quando chegou ao mercado, mas só agora foi possível fazer-lhe uma análise detalhada e com base no seu uso diário em diferentes contextos, já que é de uma versatilidade acima da média.

Por opção, foi escolhida uma cor que resulta particularmente bem e faz parte da coleção de cores sólidas para 2020: azul mate. Só para terem uma ideia, já recebi vários comentários elogiosos e perguntas sobre o mesmo, em particular por causa da cor e respetivo acabamento, mas também do preço, cujo valor anunciado é de 369,99€.

O que é que o Airoh Commander tem?

A analogia com a conhecida música O que é que a baiana tem, imortalizada pela portuguesa de gema (nascida em Marco de Canaveses e emigrada para o Brasil com meses) Carmen Miranda não é inocente.

Este capacete tem uma série de caraterísticas que o tornam diferente de quase todos os capacetes que existem no mercado.


Quando abrimos a caixa e o retiramos do respetivo saco, se não tivermos feito o trabalho de casa, não imaginamos as potencialidades de transformação que permite, mas basta uma rápida olhada para o manual (com instruções também em Português) para percebermos que temos em mãos um produto especial. Aconselho a qualquer potencial comprador que veja atentamente as instruções antes de fazer o quer que seja, além de ver o tamanho e como lhe assenta.

De acordo com a descrição apresentada, bem documentada por fotos, o capacete é um verdadeiro “3 em 1”. Além da versão Standard (com viseira e pala), há a versão Naked (apenas com a viseira) e a versão MX (sem viseira, apenas com pala). Todas mantêm a viseira solar integrada que pode ser basculada mediante um sistema de patilha.

A viseira é removível e tem tratamento anti risco com pinlock já integrado, e ainda conta com preparação para intercomunicador e bluetooth, O forro  interior é removível e lavável...



O Airoh Commander faz-se acompanhar ainda por um cartão, à parte do manual, em que alerta que este acabamento em mate exige cuidados especiais para a sua limpeza.

É um aviso importante, mas que também nos faz pensar se este acabamento será boa opção para um uso verdadeiramente endurista, sujeito às mais duras condições e obstáculos entre pó, pedras, ramos de árvore, lama...

Vem ainda com duas pequenas embalagens plásticas, sendo que numa estão as 3 peças essenciais para a montagem de uma câmara de aventura (com ou sem pala e não tem que ser obrigatoriamente uma GoPro) e no outro saco está quase uma dezena de peças e acessórios, de vários tamanhos e feitios para reduzir a entrada de ar pelo queixo (queixeira), ocultar o local de parafusos retirados…


Infelizmente, estas operações de transformismo necessitam da ajuda de ferramentas e as mesmas, lamentavelmente, não constam do conjunto que nos é entregue. Vão necessitar de uma chave de fendas e de uma chave sextavada de 2,5 mm.

Além disso, é importante que façam as alterações de forma delicada e num espaço desimpedido, de modo a preservar a integridade de todo o puzzle que conta com peças de pequena dimensão.

Última dica, ao alterarem as configurações do capacete podem e devem fazê-lo em casa ou pelo menos num local com chão limpo, nada de ervas ou terra. É fácil deixar cair um dos minúsculos parafusos e depois, para o encontrar, pode ser um problema. Quem vos avisa… 

A minha experiência

Ao ser relativamente cabeçudo (perímetro da cabeça medido um pouco acima das orelhas de 62 cm) sei que tenho que usar o tamanho correspondente e nesse aspecto o tamanho XL da Airoh assenta-me perfeitamente.

Infelizmente isto não sucede com todas as marcas e modelos e é algo comum a todos nós e nos leva a condicionar o leque de escolhas. Afinal de contas, tal como há diferentes tipos de cabeça… também há de calotas!



A primeira impressão é logo a da leveza habitual nos capacetes da marca (ronda os 1500 gramas), algo que se agradece sobretudo em viagens mais longas onde uma diferença de 200 ou 300 g se torna muito maior do que se poderia prever. Para os mais exigentes, tem até uma versão em carbono, certamente mais leve… e mais cara!

É muito fácil de colocar na cabeça, o fecho de aperto em duplo anel é prático e todas as funções, como subir e descer a viseira (tem uma posição stop wind em que fica encostada e deixa apenas passar algum ar), abrir e fechar sistemas de ventilação e operar a viseira solar são simples e práticas.

Curiosamente, a viseira solar que tinha um acionamento da respetiva patilha algo duro inicialmente, melhorou com o uso. Eu diria que teve um período de rodagem!

O campo de visão é excelente, embora a pala (o meu uso mais habitual) acabe sempre por ser visível ao olharmos mais para longe.

Não causa interferência nenhuma na condução e acaba por se ignorar. Podia ser evitado se a fosse possível movimentá-la ligeiramente, como sucede nos “puros” capacetes de off-road, mas esta é fixa, para poder ser compatível com as restantes configurações do capacete.


Mesmo em versão naked não é um capacete verdadeiramente silencioso, e é fácil perceber porquê. O desenho anguloso, a zona do queixo protuberante, as ranhuras de circulação do ar… fazem com que a própria aerodinâmica ofereça mais resistência ao vento.

Naturalmente que com a pala montada o ruído aumenta, mas sem nunca chegar a ser realmente incomodativo, sobretudo se andarmos a velocidades que respeitem os limites legais, ou a moto oferecer alguma proteção, como sucede com a maioria das trails atuais…
Conheço bem a marca, nomeadamente pelos seus capacetes de fora estrada, com gamas para diferentes gostos e preços. Também têm uma oferta significativa de capacetes integrais, do tipo aberto (jet), modulares, mas este, do tipo on/off, é uma bela surpresa e já se tornou no meu companheiro de uso regular.

É leve, tem uma estética agressiva e irreverente, bons acabamentos, e a escolha de materiais nota-se que foi criteriosa, mesmo não sendo um capacete “topo de gama”.

Além disso, é razoavelmente insonorizado para o tipo de capacete em causa e nem aquece demasiado, mas imagino que uma cor como o branco possa fazer melhor, apesar de não ter o encanto desta!

Pela negativa, aponto o facto de, logo após algumas utilizações, se ter descosido a banda protetora almofadada que cobre o lado direito da fita de retenção. Imagino que tenha sido uma pequena falha no controlo de qualidade, mas encontrei forma de resolver o problema com a aplicação de 2 ou 3 pontos de costura na respetiva zona de fixação da fita.

Não serve para manchar a avaliação global do capacete, talvez sirva apenas para reforçar que a prática mais que generalizada de transferir a produção, em especial para países asiáticos, implica efectivamente riscos adicionais, e deve ser repensada.

Até pelos custos ambientais do transporte e pelo desrespeito de normas laborais básicas.

Da minha parte continuo bastante agradado com este belo capacete e digo aos invejosos/as (no bom sentido do termo, claro) vão ao site do importador ver e depois passem por uma loja do vosso agrado, que comercialize a marca e o modelo, vejam as cores sólidas e, os decorados... mas levem o cartão de crédito ou débito que é bem capaz de vos fazer falta!

andardemoto.pt @ 18-7-2020 16:21:56 - Texto: Pedro Pereira


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