“Segunda Pele” - Teste de longa duração do Capacete Kappa KV30 e do Fato REV’IT! Sand 4 H2O

O capacete KAPPA KV30 e o fato REV’IT! Sand 4 H2O (blusão, calças e luvas) acompanharam-me nos últimos meses e foram fundamentais quando as protagonistas eram as motos de aventura. 

andardemoto.pt @ 30-8-2022 08:07:00 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte

Foram várias as realidades climáticas e cenários onde colocamos este equipamento à prova, desde situações de calor intenso a horas consecutivas debaixo de chuva, desde Maxi-trails a scooters Adv, desde asfalto, estradões de piso solto até mesmo lama. A polivalência, a adaptabilidade e o conforto de utilização em situações tão díspares fizeram deste teste de longa duração um dos mais exigentes para o material.
Porque lhe pedimos aconchego quando o frio aperta, ventilação eficaz quando o termómetro passa dos 30º e sobretudo que nos permita liberdade de movimentos quando tentamos dominar máquinas em situações de baixo atrito, este conjunto de peças de vestuário técnico tem de ser eficaz nos mais variados parâmetros.

Comecemos então pelo fato REV’IT!, a mais recente evolução de um best-seller da marca, o Sand 4 H2O. O tecido base para toda a estrutura do mesmo é um poliéster não rasgável (ripstop), uma característica fundamental para garantir a integridade do material em caso de algum tipo de perfuração ou abrasão. As costuras apresentam uma qualidade irrepreensível e é claro o objectivo de manter a qualidade geral nos acabamentos.

Todas as protecções são CE nível 2, sendo que encontramos ajustes para melhor acomodação das mesmas na zona dos cotovelos. Existe mesmo a possibilidade de colocação de protecções adicionais na zona do peito.
O blusão vem de origem com uns tirantes que permitem incorporar o colete de alta visibilidade da marca, fixar um colar cervical (também da marca) e até mesmo acomodar o tubo de hidratação de uma qualquer mochila com reservatório de água que possamos transportar. 

Os ajustes são múltiplos, na zona da cintura, colarinho, antebraço e bíceps, e junto aos punhos. Não só porque somos todos diferentes, mas sobretudo porque o Sand 4 H20 incorpora dois casacos completamente amovíveis e independentes (daí a importância do eterno ajuste consoante o “volume interior”).

Na primeira camada temos um casaco impermeável em Hidratex, sendo que tem a mais valia de poder ser utilizado em separado (tem fecho próprio). Dentro do mesmo, um forro térmico pode ser integrado, assim como no casaco principal. As calças seguem a mesma linha de raciocínio. Esta modularidade permite adaptarmos o número de peças que queremos acrescentar ao conjunto, consoante a temperatura.

A título de exemplo, na apresentação internacional da Triumph Tiger 1200 no Algarve, durante dois dias apanhamos temperaturas que variaram entre os 25 e os 12 ºC, terminando com uma valente carga de água que nos acompanhou durante mais de 3 horas. O fato esteve à altura do acontecimento, mantendo níveis de conforto ímpares ao longo de todo o evento. 


A capacidade de ventilação é outro dos fatores que torna o Sand 4 H20 um verdadeiro equipamento 4 estações. Começando pelos painéis frontais, encontramos dois fechos que descobrem uma rede em mesh 3D, sendo que a principal novidade em relação ao Sand 3 é que estes podem ser fixos na sua abertura máxima.

Outra novidade importante é a existência de um segundo fecho (debaixo do fecho principal) que deixa a descoberto uma larga faixa ventiladora ao longo de toda a zona central do casaco, sem comprometer a integridade do mesmo. Eficaz e prático. O ajuste no aperto do colar permite jogar com a abertura que queremos a nível do pescoço, existindo também uma fixação se o quisermos deixar aberto.

Os restantes ventiladores são os que já conhecíamos no modelo anterior, os habituais extratores na zona das costas e os longos fechos na zona dos braços (com rede protetora nos bíceps e completamente aberto no antebraço).

O casaco tem a tipologia adventure/touring, com aquele formato ¾ que acolhe e protege a zona da cintura. Como espaços de arrumação, temos dois grandes bolsos dianteiros com forro resistente à água e a tipicamente generosa bolsa traseira (absolutamente fundamental para carregarmos pequenos volumes). Um bolso com fecho no interior do casaco alberga facilmente um telemóvel sobredimensionado de última geração…

Dois fechos de comprimento variável fazem a ligação às calças, onde o paradigma da modularidade se mantém. Temos também dois forros, um impermeável em Hidratex e um térmico. Dois grandes bolsos laterais e dois enormes ventiladores compõem os mesmos princípios de funcionamento do sistema, a polivalência e a facilidade de utilização.

Encontramos novamente as proteções CE de nível 2 nas ancas e nos joelhos (sendo que as últimas têm 3 possibilidades de encaixe), e os ajustes na cintura, na zona dos gémeos e na bainha garantem uma adaptabilidade extra na procura do conforto de uso.

Para além da já referida eficácia de utilização nos mais variados climas, uma das coisas que mais me surpreendeu e agradou neste REV’ IT! foi a sua leveza.

Todos nós já experimentámos verdadeiras armaduras que nos prendem os movimentos e acumulam cansaço, mas o Sand 4 consegue esconder bem o seu peso, graças ao tipo de material utilizado e sobretudo à engenhosa forma como os painéis estão desenhados. Longas foram as horas em cima de motos de aventura sem nunca deixar de me sentir ágil nos movimentos.

A compor o conjunto, utilizei as luvas Sand 4, especificamente criadas para utilização nos dias mais quentes. Um misto de pele perfurada, tecido em mesh 3D e protecções em TPR (um polímero altamente resistente à abrasão e ao impacto) na zona dos nós dos dedos e da palma da mão. 

Extremamente confortáveis e frescas, a sua principal característica é a capacidade que têm de se moldar à mão, utilizando uma certa percentagem de tecido elástico para este efeito. O bom tacto nas pontas dos dedos é exponenciado pelo facto de conseguirmos utilizar um ecrã tátil, e uma fita junto do ajuste em velcro permite-nos calçá-las num gesto fluido e prático.

Confesso-vos que gosto tanto destas luvas que muitas vezes as retiro do seu contexto e uso-as noutras máquinas mais estradistas…


Para finalizar este teste de longa duração temos o capacete KAPPA KV 30 Enduro Flash. Feito em termoplástico, a sua tipologia assume-se como capacete de aventura, onde a pala e o visor são características fundamentais para a sua função.

Os interiores são amovíveis para facilitar a sua lavagem e sentem-se bastante confortáveis ao toque, a sua forma e estrutura estão bem dimensionadas.

O fecho micrométrico de abertura fácil é bastante prático, assim como o accionamento da viseira solar. Uma nota muito positiva para a grande amplitude de visão que este capacete proporciona, uma mais valia quando circulamos em cenários onde o piso muda constantemente.

Estando preparado para poder montar um Pinlock, gostaria que o mecanismo de fecho da viseira fosse um pouco mais assertivo, garantido uma melhor operação do mesmo. Três ventiladores estão presentes, um na queixeira (que tem uma pequena rede deflectora na sua base) e dois no topo.

De um modo geral, gostei bastante da honestidade e coerência do KAPPA KV 30. Não sendo um produto premium, não se acanha nas suas funcionalidades, e ao longo de mais de dois meses de abusado uso, não apresenta sinais de fadiga do material (ruídos parasitas, folgas, etc).

Não se sente um capacete pesado e aerodinamicamente consegue resistir moderadamente ao inevitável ruído da deslocação do ar, o que já de si, é um feito digno de nota. E sim, existem decorações mais alegres na gama… Boa relação qualidade preço, sem dúvida!

andardemoto.pt @ 30-8-2022 08:07:00 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte


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