Africa 1º encontro Marrocos (2)

Até Chefchaouen

@ 8-3-2015 04:27:39

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Atravessar de Algeciras a Tanger Med tem as suas vantagens, o passaporte é carimbado a bordo  e a papelada de entrada de veiculo no país é feita durante a travessia, quando desembarcamos  do Ferry é praticamente só seguir.

 Terra á vista, continente Africano! Já viajei por muitos países e muitas vezes sozinho, sempre me senti muito seguro na Europa, mas aqui sentia me algo estranho, não era medo , mas corria me uma certa adrenalina no sangue ao entrar neste "novo" continente, ainda mais vontade tinha de desembarcar. Consoante os veículos foram entrando um a um no barco, também lá fomos saindo em filinha, uma pequena paragem pelos guardas fronteiriço a perguntar por prendas " Prendas??? as prendas é no regresso para a família " respondi eu , com frontalidade. Outra paragem para trocar uns euros por dirhams e estava pronto para seguir viagem.

E pronto, estou em Marrocos, a rolar em duas rodas, estradas em alcatrão, casas de um lado e do outro, muitas praias, a adrenalina vanesceu, afinal só mudei de continente, não mudei de planeta, está tudo na mente, mais um desafio superado, sentia me bem , sentia me livre, estava super feliz.

 Terra á vista, olá Marrocos

Terra á vista, olá Marrocos


Próxima etapa era Tanger para comprar um cartão de Telemóvel, pois assim as chamadas tornavam se mais baratas que o roaming e ainda beneficiava de acesso a internet. Já tinha pesquisado sobre o assunto e a escolha recaiu na rede Orange, e realmente foi boa escolha,  pelos cerca de 3000 km rodados em Marrocos, não me lembro de ter ficado sem rede e sempre tive boas velocidades para navegar no Android. Chegado a Tanger comprei o cartão sim numa lojita de conveniência, qual a minha surpresa quando descubro que a internet não funciona, tinha comprado recentemente um BQ Aquaris 5, telemóvel de marca espanhol, ainda era novidade na Europa, em Marrocos não era comercializado então não existia os parâmetros 3G no telemóvel, dirigi-me a uma loja Orange para resolver me a situação, estava uma fila enorme mas decidido fiquei a aguardar a minha vez, felizmente resolveram me o problema, lá fui eu embora todo contente.


Com isso tudo perdi umas 3 horas, tinha previsto chegar ao meio da tarde a Chefchaouen para conhecer melhor, acabei por chegar de noite. Um pouco triste com a situação,  dei uma pequena volta a procura de um local para passar a noite. Parei no Hotel Bonsai, será chinês ou japonês? não, é mesmo marroquino, 8 euros a noite e chuveiro a 1 euro. E a mota? perguntei eu. Ficou na pequena esplanada com muro e portão a separar da rua, fiquei muito mais descansado. Foi a pensão mais barata do trajeto, pois, quando vou a procura de uma ficha para carregar o telemóvel, não existia, ainda tinha carga e no dia a seguir meti a carregar na mota em direção a Fés. Depois de instalado e duche tomado fui dar uma volta a pé, jantei num tasco simpático, a comida e temperos é muito diferente da nossa, tenho sempre o cuidado de escolher restaurantes  muito frequentados,  e de preferência que fazem a comida a vista, não vai a comida estar passada. Agua só de garrafa, verifiquem se não foi violada, para muita gente é o maior perigo de Marrocos , ainda que a da torneira seja potável, por norma não estamos habituados àquela água e muita gente fica doente (diarreias, etc), cuidado com gelo também, mais vale sem gelo, e a fruta que comer com casca, convém lavar com água engarrafada.  


Depois de jantado fui dar um giro, acabei numa praça junto a Medina onde experimentei o tradicional chá de menta, muito bom, é uma maneira rápida e refrescante de melhorar a saúde em geral, ajuda no processo de digestão e na redução do estresse e tem mais uma serie de benefícios, recomendo. Nessa praça conheci 3 marroquinos, um era guia turístico no sul do país, o pai dele alugava camelos junto ao Sahara, mostrou me varias fotos e fiquei na altura com o contacto dele, ele estava em Chefchaouen a passar uns dias em casa do primo e seguia no dia a seguir para casa, ia passar por Fés e disse para lhe ligar quando lá chegasse. O primo dele tem um tear e faz tapetes berbere, estive a ver o seu trabalho, cada peça é única, cada tecelão acrescenta a sua própria imaginação e, assim, cada tapete é uma criação única. Quando disse que achava fantástico os tapetes,  ele tentou vender me um, eu disse que era muito caro e ele perguntou me quando dava por um e começou a mostrar me cada vez mais tapetes, e qual é o mais bonito, e qual é que mais gostas e pronto, a conversa tornou outro rumo, acabei por levar um para não me chatear, mas meio chateado com isso, apaguei o contato do primo, ainda vinha tentar me vender mais alguma coisa e não estava para os aturar. 


Chefchaouen não é muito grande, a Medina é pequena, difícil de se perder, e com muito menos confusão do que nas grandes cidades, o efeito azul torna a ainda mais especial, é única no mundo . Regresso ao Hotel  para descansar , amanha a estrada a fazer, quero conhecer mais do pais, o destino é Fés Cidade Imperial. 

@ 8-3-2015 04:27:39


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