Dakar 2023 - Patrão, o sobrevivente

Único português à chegada nas motos

Mário Patrão, apoiado pelo Crédito Agrícola, completou com sucesso a sua participação na 45ª edição do Dakar vencendo entre os veteranos e acabando num magnifico terceiro lugar entre os concorrentes da Original by Motul, o enorme desafio para os que se aventuram a disputar a mais importante competição mundial de todo-o-terreno sem assistência externa.

andardemoto.pt @ 24-1-2023 11:09:28 - Paulo Araújo

“Já não sou daqueles que vão de punho trancado a arriscar tudo nas zonas rápidas, porque o risco é muito maior!”

No entanto, a participação bem sucedida de Mario Patrão no Dakar 2023 quase podia não ter acontecido.

Quando o piloto de Seia  apresentou o projeto ao seu patrocinador tradicional, o Crédito Agrícola, estes lembraram-lhe que, no âmbito da Política de Sustentabilidade do Grupo, a aposta estratégica da instituição é na sustentabilidade, com uma aposta em desportos verdes e ambientalmente positivos.

Tanto assim que a sua participação nos nacionais de enduro tem sido numa moto eléctrica.

Sem se demover, Mario embarcou num projeto em que plantou mais de 300 árvores, acabando por vencer as objecções do CA e conseguir o patrocínio necessário, como explicou:

Ainda antes do Dakar, fizemos uma primeira plantação de várias centenas de árvores autóctones no parque natural da Serra da Estrela e vamos continuar porque queremos competir de forma ambientalmente positiva e sustentável."


“Os Dakar na Arábia Saudita têm sido areia, areia e depois, mais areia! Este ano, houve troços com condições muito diferentes, mais técnicas!”

Foi o primeiro passo de uma epopeia que viu Patrão fazer o Rali com um objetivo preciso e a um ritmo calculado, conseguindo todos os seus objetivos no final: Chegar ao fim, vencer a classe de veteranos e ficar no pódio da categoria malle “Original by Motul”.

Pelo caminho, chegou a acabar em segundo da classe em várias etapas e venceu pelo menos uma, a 11ª, entre Shaybah e o Empty Quarter.

Ontem, na sede do seu patrocinador principal, Mário partilhou esta e outras histórias de um 45º Dakar que ele descreveu como o melhor de sempre para si mas ao mesmo tempo muito, muito difícil:

“Não é uma questão de andamento, eu podia ter arriscado cada dia 20 ou 30% mais, a andar mais rápido e disputar etapas à geral, mas ao longo de dias, a hipótese de uma lesão e de vir para casa mais cedo torna-se muito real...” – disse Mário, de certa forma numa referência velada ao facto de que foi o único sobrevivente do contingente português nas duas rodas.


“Foram 15 dias em que tentei "sobreviver" o melhor possível. Foi um Rali extremamente duro e com muito poucas horas de descanso. Há que ver que quando um piloto de fábrica chega ao bivouac, entrega a moto e vai descansar. Nós na categoria malle temos de fazer a própria assistência, e acabamos por só dormir duas ou três horas. Ao fim de dias, começa a pesar!”

“Mesmo assim, saio contente com a minha prestação. Sei que era possível fazer mais e melhor, mas saí de casa com uma estratégia pré-definida e objetivos delineados.”

“O meu terreno de eleição é o mais técnico, ou seja, já não sou daqueles que vão de punho trancado a arriscar tudo nas zonas rápidas, porque o risco é muito maior!”

“Este ano, com as chuvas, que ninguém esperava, houve zonas em que as motos se atolavam até meio, chegando algumas a ter de ser tiradas de helicóptero... Para dar uma ideia, a última etapa é normalmente uma de consagração, uma festa e já não decide nada... este ano, os dois primeiros estavam separados no fim por quê, sete segundos?”

“Nessa última etapa, fiquei atolado, como muitos pilotos, e com 20 Kg de lama em cada roda, caí duas ou três vezes, devagar, porque a roda bloqueava. O esforço para a embraiagem foi tal que tive de fazer o resto da etapa em ritmo contido, mas eu queria mesmo chegar ao fim!”

“Não tive a sorte 100% do meu lado, mas também não me posso queixar muito. Tirando o problema de encontrar água na gasolina por duas vezes e umas quantas quedas feias, sobrevivi e volto para casa com saúde que é sem dúvida o mais importante!”

 “Os Dakar na Arábia Saudita têm sido areia, areia e depois, mais areia! Este ano, houve troços com condições muito diferentes, mais técnicas, com rochas e terreno solto, mais técnico, que é melhor para mim, pelo que digo que, apesar de ter sido muito, muito difícil e muito cansativo, para mim foi o melhor Dakar de sempre!”

“Podia ter ganho a categoria mal, porque o vencedor trocou de motor, o que não é permitido a menos que leve um motor consigo na caixa... quase todos tínhamos certeza de que le fez batota mas não há provas!”

De resto, a organização reuniu e discutiu a possibilidade de vigiar mais a zona de assistência para evitar isto no futuro...”

“Estritamente, ao ter vencido, pelo regulamento já não poderei participar nas classes que venci, que estão cada vez mais a atrair profissionais!”

“Tenho que ver o que se oferece a seguir!”

“Obrigado a todos pelo apoio. Patrocinadores, família, amigos e todos os que me apoiam. Sem todos, não era possível estar aqui”, salientou ainda Mário Patrão.

andardemoto.pt @ 24-1-2023 11:09:28 - Paulo Araújo


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