OPINIÃO

Dani Pedrosa, o pequeno grande Campeão

Dani Pedrosa correu a sua última corrida de MotoGP, há dias, em Valencia. Como nunca ganhou nenhum título na categoria rainha, é fácil esquecermos até que ponto o seu talento foi uma componente essencial do Mundial de Velocidade nos últimos 17 anos…

andardemoto.pt @ 21-11-2018 23:58:00

A carreira de Dani Pedrosa no Mundial começou, até, de forma mais meteórica que a de Valentino Rossi, já que este progrediu através das classes vencendo ano-sim, ano-não. Já Pedrosa conquistou os seus títulos nas 125 e 250 em anos consecutivos em 2003 e 2004, ou seja, venceu logo à primeira em todas as classes que disputou, menos na MotoGP

O catalão começou a correr de moto com 4 anos de idade, quando lhe deram a sua primeira moto, uma Italjet 50, completa com rodinhas laterais. A sua primeira moto de corridas, pouco depois, foi uma miniatura réplica da Kawasaki, que recebeu com 6 anos e que usava para correr com os amigos. Pedrosa descobriu o mundo real das corridas aos 11 anos, quando entrou no Campeonato Espanhol de Minibikes e terminou a sua temporada de estreia em 2º, conquistando o seu primeiro pódio logo na segunda corrida da temporada. No ano seguinte, Pedrosa entrou na mesma categoria, mas problemas de saúde impediram-no de melhorar o resultado e terminou a época "apenas" em 3º lugar.

Em 2001, Pedrosa estreou-se no Campeonato Mundial na categoria de 125cc após ser selecionado na Copa Movistar Activa, uma série desenvolvida para promover novos talentos em Espanha, em 1999. Com o padrinho e mentor Albert Puig, Pedrosa alcançou dois pódios na sua primeira temporada e venceu a sua primeira corrida no ano seguinte, quando também terminou em 3º no campeonato. Em 2003, ganhou cinco corridas e venceu o campeonato a duas corridas do final, somando 223 pontos. Em sua primeira temporada vitoriosa, Pedrosa conquistou cinco vitórias e seis pódios. Uma semana após vencer o campeonato, Pedrosa, então com 18 anos, fracturou os dois tornozelos num acidente nos treinos, em Phillip Island na Austrália, terminando ali a sua temporada.

Após vencer o campeonato de 125cc, Pedrosa foi para a categoria das 250cc em 2004 sem testes apropriados na sua nova moto porque os seus tornozelos ainda estavam em recuperação após o acidente no fim da temporada anterior. Mesmo com essa inferioridade à partida, Pedrosa venceu a sua primeira corrida na África do Sul, começando a luta pelo título de campeão, e também pelo título de estreante do ano. 


Na sua primeira temporada nas 250cc, Pedrosa sagrou-se Campeão Mundial, alcançando 7 vitórias e 13 pódios. Decidiu ficar por mais um ano na categoria, e venceu outro campeonato, novamente a duas corridas do final da temporada. Em 2005, Pedrosa venceu 8 corridas e alcançou 11 pódios, apesar de uma lesão no ombro contraída nos treinos do GP do Japão.

Pedrosa foi para o MotoGP nas motos de 990cc em 2006, e continuou a correr pela Honda, onde acabaria por fazer toda a sua carreira. Alguns críticos dizem que Pedrosa não é grande ou forte o suficiente para ter sucesso correndo em MotoGP. Seja como for, terminou em 2º na abertura do campeonato em Jerez, em 26 de Março de 2006. Na sua quarta aparição no MotoGP, em 14 de Maio de 2006, durante o fim de semana do Grande Prémio da China, em Shangai, venceu a sua primeira corrida de MotoGP.

A segunda vitória viria logo depois, em Donington Park, tornando-o um forte candidato ao título de campeão. Foi uma vitória memorável de Dani, que dividiu o pódio pela primeira vez com Valentino Rossi em 2º lugar. Ele também obteve duas "pole position" só na primeira metade da temporada.

Até o GP da Malásia em Sepang, Pedrosa era 2º no campeonato, atrás do seu mais experiente companheiro de equipa, Nicky Hayden. Então, caiu mal durante os treinos livres e sofreu lesões graves num joelho; isto deixou-o praticamente imobilizado no momento. No entanto, Pedrosa ainda acabou por se qualificar em 5º para a partida, graças ao cancelamento dos treinos de qualificação por causa de uma chuvada forte que atingiu o circuito. Ainda por cima, miraculosamente conseguiu terminar a corrida em terceiro, somente atrás de Rossi e do piloto da Ducati Loris Capirossi. Apesar de todo o esforço, nas corridas seguintes viria a cair, o que o deixou numa amarga 5ª posição no campeonato.

Esta sua pobre performance continuou até ao Estoril. Após um arranque promissor, ficou momentaneamente em 2º antes de ser ultrapassado por Colin Edwards e pelo seu companheiro de equipe e líder do campeonato, Nicky Hayden. Na 5ª volta, tentou mergulhar por dentro de Hayden intempestivamente e escorregou, levando Hayden com ele. Esse acidente acabou com as suas poucas hipóteses de vencer o campeonato e também causou a perda da liderança do seu companheiro, que viu Rossi chegar segundo e assumir o comando do mundial.


Duas semanas depois, Hayden conseguiu recuperar em Valencia e vencer o campeonato enquanto Pedrosa geriu a corrida o melhor que pode e terminou em 4º lugar. Este resultado deu-lhe o 5º lugar no Mundial de pilotos na sua temporada de estreia, ganhando ainda o título de "Estreante do Ano" na categoria MotoGP, batendo outro estreante e seu antigo rival nas 250cc, Casey Stoner.

Em 2007 o MotoGP passou a 800cc e Pedrosa continuou a correr na sua RC212V, a nova moto da Honda para a temporada. Nesse ano, um rival formidável viria a dominar a época: com 10 vitórias em 19 corridas. Casey Stoner levou o título à Ducati, embora Pedrosa, o único espanhol a vencer em MotoGP nesse ano, ganhasse os GP da Alemanha a 15 de Julho e de Valência, a fechar a época, a 4 de Novembro. Como raramente acabava fora do pódio, e apesar de 3 ocasiões em que não acabou, Dani Pedrosa ainda foi vice-campeão, com 242 pontos contra aos 367 de Stoner.


O cenário repetiu-se em 2008, mas desta o "galo" no poleiro era Valentino Rossi, em Yamaha, que dominou a parte final da temporada, com um incrível rol de 6 vitórias nas últimas oito corridas, mais duas que Casey Stoner. O incrível é que, com a sua regularidade, Pedrosa ainda foi terceiro, num ano em que outros espanhóis começaram a marcar presença na classe: Lorenzo terminou 4º com uma vitória em Portugal e Elias 12º. 2009 viu Lorenzo dominar ainda mais, com o título a ir de novo para Valentino, mas Pedrosa tampouco descolou, mantendo o 3º lugar com vitórias nos EUA e em… adivinhou, Valencia de novo!

Em resumo, até 2018 Pedrosa ainda ganhou 23 Grandes Prémios, conquistou mais dois vice-campeonatos (em 2010 e 2012) e incrivelmente nunca esteve mais baixo que 4º no resultado final até 2016, quando o cansaço acumulado das suas várias lesões já fazia antever o fim da sua carreira. Pedrosa ainda vai andar por aí, pois assinou um contrato para ser piloto de ensaios na KTM, desenvolvendo ainda mais as motos laranjas que acabaram de conquistar um primeiro pódio com Pol Espargaró e, claro, vão ver a entrada do primeiro português da história em MotoGP…

andardemoto.pt @ 21-11-2018 23:58:00