Mundial de Superbike 2019 – Ronda 1 – Austrália

Bautista e Ducati avassaladores na abertura da temporada!

O Mundial de Superbike teve o seu início no circuito australiano de Phillip Island. Numa época de grandes mudanças, Alvaro Bautista e a nova Ducati Panigale V4 R estiveram perfeitos e deixaram a concorrência sem reação.

andardemoto.pt @ 25-2-2019 18:46:45

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Alvaro Bautista

Alvaro Bautista

Ano novo, vida nova! Uma frase que podemos aplicar na perfeição à temporada 2019 do Mundial de Superbike, que teve o seu início no passado fim de semana no circuito australiano de Phillip Island.

Com a Dorna e a FIM a procurarem dar nova vida ao Mundial de Superbike, ao introduzirem um novo formato de fim de semana de competição – passa a existir uma única sessão Superpole de 25 minutos ao sábado, e nasce a corrida Superpole de apenas 10 voltas realizada na manhã de domingo -, as grandes estrelas da primeira ronda do ano foram Alvaro Bautista, que este ano chegou a este campeonato após vários anos em MotoGP, e a equipa Aruba.it Ducati que este ano coloca em pista a nova Panigale V4 R em substituição da anterior Panigale R bicilíndrica.
O piloto espanhol, natural de Talavera de la Reina, já tinha estado em evidência nos testes de pré-temporada do Mundial de Superbike, em particular nos dias que antecederam a ronda australiana, onde nos testes oficiais de Phillip Island foi sempre o mais rápido em pista. Os adversários, mas principalmente os responsáveis pelas equipas rivais da Aruba.it Ducati, trataram de suavizar os resultados dos testes.


Alvaro Bautista

Alvaro Bautista

Andrea Dosoli, líder da PATA Yamaha WorldSBK, foi o primeiro a referir-se à Panigale V4 R e aos seu motor V4 que permite atingir as 16.480 rpm de acordo com o regulamento técnico, dando a entender que a Ducati tinha aí uma vantagem. Mas Dosoli também fez questão de dizer que a Ducati não estava a fazer nada ilegal, apenas se estava a aproveitar dos regulamentos técnicos.
Pere Riba, responsável da Kawasaki Racing Team, que nos últimos anos tem dominado a seu belo prazer o Mundial de Superbike através de Jonathan Rea e Tom Sykes, desvalorizou as performances da Ducati e Alvaro Bautista durante os testes, com Pere Riba inclusivamente a afirmar que a Ducati tinha cometido um erro de “marketing”.

Imperturbado por tudo isto que se criou à sua volta, Alvaro Bautista entrou no fim de semana disposto a acabar com todas as dúvidas, e o espanhol desde cedo mostrou ao que vinha. 
Ainda assim, e depois dos treinos livres, Jonathan Rea e a sua nova Kawasaki Ninja ZX-10RR conquistaram a primeira Superpole do ano, com o seu novo companheiro de equipa, Leon Haslam, que esta temporada regressa a tempo inteiro ao Mundial de Superbike após conquistar o título no Britânico de Superbike no ano passado, a fazer o segundo melhor tempo, relegando Alvaro Bautista para terceiro na grelha de partida.


Jonathan Rea

Jonathan Rea

Mas a corrida 1, realizada no sábado, revelou desde a primeira volta quem é que estava mais forte em Phillip Island, e ainda nos momentos iniciais o espanhol da Ducati saltou para a liderança da corrida, e a partir daí, sem cometer qualquer erro, foi-se embora dos perseguidores.
Jonathan Rea e Leon Haslam bem puxaram pelos limites das suas Kawasaki, mas nada podiam fazer para apanhar Alvaro Bautista, e sendo assim tiveram de se entreter entre si. À volta 13, Haslam já se tinha desenvencilhado do campeão em título, e quando seguia em segundo acabou por sofrer uma queda, deixando Jonathan Rea sozinho com o segundo lugar na mão.
Até ao fim da corrida 1, Bautista foi gerindo a sua vantagem, e eventualmente cruzou a linha de meta com quase 15 segundos de vantagem sobre Jonathan Rea. Uma diferença avassaladora, que confirmou o que se suspeitava desde os testes uns dias antes.
O lugar mais baixo do pódio resultou numa interessante luta entre dois pilotos Yamaha: Alex Lowes e Marco Melandri. O primeiro, aos comandos de uma YZF-R1 da equipa oficial PATA Yamaha WorldSBK, parecia levar a vantagem até meio da prova, mas o experiente Melandri, aos comandos de moto semelhante mas da equipa GRT Yamaha, equipa independente mas que recebe forte apoio da Yamaha Racing, soube gerir da melhor forma o desgaste dos pneus Pirelli, que sofrem bastante devido ao asfalto abrasivo de Phillip Island, e acabou por conseguir fechar a corrida 1 no lugar mais baixo do pódio.


Leon Haslam

Leon Haslam

No domingo de manhã, os fãs do Mundial de Superbike puderam assistir à estreia da corrida Superpole. Bastante mais curta do que as corridas 1 e 2, e com pontuação reduzida a metade, a corrida Superpole proporcionou o espetáculo mais interessante do fim de semana, com os pilotos a darem tudo por tudo num verdadeiro sprint até à meta.
A luta pela vitória voltou a ser dominada pelo “ponta de lança” da Ducati, Alvaro Bautista, e pelas duas Kawasaki oficiais de Jonathan Rea e Leon Haslam, este último no entanto incapaz de realmente levar até ao fim o seu esforço, tendo de se contentar com o terceiro lugar.
Com apenas 10 voltas para cumprir, Bautista e Rea deram espetáculo, e lutaram pela vitória sem ligar a estratégias, principalmente no que respeita ao desgaste dos pneus. Os dois pilotos foram trocando de posições ao longo da corrida Superpole, mas embora Rea se estivesse a mostrar mais competitivo, a Ducati Panigale V4 R voava na reta da meta de Phillip Island, com Alvaro Bautista a passar o rival, invariavelmente, a cada vez que passavam na meta. Rea ainda puxava dos galões de campeão na travagem para a curva 1, mas Bautista não se deixou afetar por isso, e foi sempre recuperando a primeira posição.
O espanhol acabou por, aos poucos, conquistar pequenas décimas de vantagem sobre o norte-irlandês, o que se traduziu na segunda vitória do fim de semana para Bautista, desta feita com apenas 1,1 segundos de vantagem sobre Jonathan Rea.
Umas horas mais tarde, esperava-se que o duelo Bautista / Rea se voltasse a repetir, mas mais uma vez o espanhol da Aruba.it Ducati entrou decidido a dominar a corrida 2, e voltou a não dar qualquer hipótese ao seu rival mais direto.
Logo na primeira curva, Alvaro Bautista assumiu a liderança da corrida, e mais uma vez o piloto da Panigale V4 R voltou a assumir as despesas da prova, liderando até ao fim. Mais atrás, a luta pelos restantes lugares do pódio estava novamente reduzida aos pilotos Kawasaki, com Leon Haslam a voltar a mostrar-se muito competitivo, obrigando Jonathan Rea a dar o melhor de si para terminar em segundo, com o regressado Haslam a fechar o pódio da corrida 2.


Marco Melandri

Marco Melandri

Bautista terminou com mais de 12 segundos de vantagem para Rea, e concluiu da melhor forma o seu fim de semana de estreia no Mundial de Superbike, enquanto a Aruba.it Ducati vê recompensado o seu esforço ao trazer para o campeonato a nova Panigale V4 R.
Mas o Mundial de Superbike tem, este ano, outros motivos de interesse, nomeadamente o regresso oficial da BMW e também o regresso oficial do departamento de competição da Honda, o HRC. Em sentido contrário, não marcam presença, para já, Aprilia, MV Agusta e Suzuki.
A BMW tem uma moto totalmente nova. A S1000RR, e pelas mãos de Tom Sykes esteve em evidência nos testes de pré-temporada e também nos treinos desta primeira ronda. O britânico, campeão de Superbike em 2013, revelou estar já bastante à vontade aos comandos da S1000RR, e como melhor resultado obteve um 7º lugar na corrida 1. Depois, foi 11º na corrida Superpole, enquanto na corrida 2 terminou inclusivamente atrás do seu companheiro de equipa, Markus Reiterberger, fechando o fim de semana com um 13º posto.
Interessante também assistir ao regresso do Honda Racing Corporation (HRC). O departamento de competição da Honda assume, finalmente, as rédeas do projeto de Mundial de Superbike da marca nipónica, e a CBR1000 RR Firebalde SP2, esperam, deverá ganhar competitividade. A Honda recorreu à experiência da estrutura Moriwaki que, em conjunto com a Althea Racing de Genesio Bevilacqua, gerem agora as duas SP2 entregues a Leon Camier e a outro piloto regressado esta temporada, o japonês Ryuichi Kiyonari.

Tom Sykes

Tom Sykes

Com Kiyonari bastante longe dos lugares de acesso ao Top 10, Leon Camier tem sido o principal piloto da Moriwaki Althea Honda. O experiente britânico conseguiu alguns tempos por volta interessantes nos testes de pré-temporada, mas na corrida 1 abandonou, na corrida Superpole acabou em 13º, e na corrida 2 obteve o melhor resultado para a Honda com um 10º lugar. Será interessante perceber qual será a evolução da Fireblade SP2 ao longo da temporada agora que o HRC está de regresso ao Mundial de Superbike.
O Mundial de Superbike tem a sua segunda ronda nos dias 15 a 17 de março, com a realização da corrida tailandesa no circuito de Buriram.

Aqui fica a classificação de pilotos do Mundial de Superbike após a primeira ronda de 2019

1 – Alvaro Bautista – Aruba.it Ducati – 62 pontos
2 – Jonathan Rea – Kawasaki Racing Team – 49 pontos
3 – Marco Melandri – GRT Yamaha – 30 pontos
4 – Alex Lowes – PATA Yamaha WorldSBK – 30 pontos
5 – Michael van der Mark – PATA Yamaha WorldSBK – 29 pontos
6 – Leon Haslam – Kawasaki Racing Team – 24 pontos
7 – Sandro Cortese – GRT Yamaha – 19 pontos
8 – Chaz Davies – Aruba.it Ducati – 15 pontos
9 – Tom Sykes – BMW Motorrad WorldSBK – 12 pontos
10 – Eugene Laverty – Go Eleven Ducati – 12 pontos

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