MotoGP Qatar – Dovizioso dá vitória à Ducati e Miguel Oliveira faz recuperação fantástica!
Piloto português Miguel Oliveira conseguiu um excelente 17º lugar depois de começar de último na corrida de MotoGP no Qatar, corrida ganha por Andrea Dovizioso e Ducati. Nas Moto2, Lorenzo Baldassarri foi o grande vencedor na estreia dos motores Triumph, enquanto nas Moto3 o japonês Kaito Toba estreou-se no lugar mais alto.
andardemoto.pt @ 10-3-2019 19:35:43
Ainda com as emoções bem à flor da pele pela estreia de Miguel Oliveira numa corrida de MotoGP, a primeira análise à corrida do piloto luso natural de Almada é que a prova inaugural do calendário decorreu até melhor do que muitos vaticinavam. Miguel Oliveira terminou a sua primeira corrida na categoria rainha com um 17º posto, mas conseguiu durante largos minutos ser o melhor piloto KTM em pista!
Com um bom arranque, em que infelizmente teve de partir da última posição da grelha de partida devido a ter deixado o motor da sua KTM ir abaixo, Miguel Oliveira e a sua KTM RC16 da Red Bull KTM Tech 3 rapidamente se instalaram no miolo do pelotão de MotoGP, discutindo travagens e ultrapassando pilotos já bem mais experientes. Aos poucos a moto austríaca #88 foi subindo de posições, tendo chegado a “morder os calcanhares” de Aleix Espargaró (Gresini Aprilia) que eventualmente viria a terminar em 10º após passar Franco Morbidelli (Petronas Yamaha SRT) nos momentos finais.
Infelizmente para as aspirações do jovem português, que continua a fazer história para as cores nacionais no motociclismo de competição, com o passar das voltas foi sendo suplantado primeiro por Pol Espagaró (Red Bull KTM Factory), depois por Jorge Lorenzo (Repsol Honda), Andrea Iannone (Gresini Aprilia), Johann Zarco (Red Bull KTM Factory) e ainda por Fabio Quartararo (Petronas Yamaha SRT), com o jovem francês a deixar calar o motor da sua Yamaha M1 antes da volta de aquecimento e a ter de perder o seu 5º lugar na grelha de partida, arrancando depois do fim do “pit lane” de Losail.
O 17º lugar claramente não coloca em causa todo o trabalho e evolução que Miguel Oliveira tem vindo a realizar com a Red Bull KTM Tech 3, até porque o resultado acaba influenciado pelo desgaste do pneu traseiro, e mesmo não tendo atingido o objetivo que o próprio tinha assinalado após a qualificação, que era somar pontos já nesta corrida de estreia em MotoGP, o jovem luso sai de Losail com excelentes indicações de performance em corrida, algo a que já nos habituámos, principalmente na temporada passada quando correu em Moto2.
“A corrida foi bastante interessante, o motor foi abaixo na grelha, por isso tive de regressar ao pit lane e depois arrancar de último. Mas de qualquer forma, isso não afetou a nossa corrida. Tive um bom arranque, uma boa primeira volta, e por isso depois disso fiquei a tentar manter-me atrás de um grupo com o Nakagami e com o Aleix Espargaró. Após sete ou oito voltas, senti uma grande quebra no pneu, a deslizar e a vibrar muito na traseira, e pensei que ia explodir. Obviamente que não podia fazer nada. Estou desapontado porque eu sei que podia ter terminado nos pontos se isto não acontecesse. Estou feliz por ter terminado a corrida, diverti-me muito e consegui informações importantes. Agora vamos para a ronda seguinte”, afirmou Miguel Oliveira depois desta corrida de estreia em MotoGP.
Quanto à luta pela vitória, esta foi uma corrida bastante animada, como aliás já se previa. Andrea Dovizioso (Mission Winnow Ducati) desde cedo se mostrou muito à vontade com o ritmo imposto, mas Alex Rins (Ecstar Suzuki) e Marc Marquez (Repsol Honda) também estavam na discussão pela liderança.
Com inúmeras trocas de posições no grupo de oito pilotos que estava a discutir os lugares do pódio, a gestão do desgaste do pneu traseiro acabou por ser determinante nos momentos finais. Dovizioso foi aguentando os ataques de Rins e de Marquez, e foi precisamente Rins que ao exagerar numa travagem deixava fugir os dois rivais, abrindo ainda a porta a Cal Crutchlow (LCR Castrol Honda) para ocupar o lugar mais baixo do pódio.
Na última volta Marc Marquez puxou dos galões de campeão de MotoGP e tentou por todos os meios suplantar o seu maior rival em pista, mas a Ducati de Dovizioso estava perfeita, e Marquez teve de desgastar ainda mais o seu pneu para conseguir alinhar uma manobra na última curva, o movimento habitual do piloto da Repsol Honda.
Com Dovizioso já a contar com o ataque feroz de Marquez na última curva, o italiano da Ducati deixou a porta ligeiramente aberta, Marquez meteu a sua Honda RC213V por dentro, mas com demasiada velocidade foi obrigado a alargar trajetória. Na resposta, “DesmoDovi” rapidamente acelerou a fundo e entrou na reta de Losail na frente, com Marquez a tentar um tudo por tudo final, sem resultados práticos, pois o vencedor da primeira corrida do ano acabou mesmo por ser Andrea Dovizioso e a Ducati. Marc Marquez, ainda sem estar a 100% (de acordo com o próprio), sai de Losail com o segundo lugar, e Cal Crutchlow também se revelou muito satisfeito com o 3º lugar no final da corrida qatari, depois dos sacrifícios que passou ao longo dos últimos meses a curar a lesão na perna.Nas Moto2, o italiano Lorenzo Baldassarri (Flexbox HP40) logrou a sua terceira vitória na categoria intermédia, e inscreve o seu nome como o primeiro a vencer nesta nova era dos motores tricilíndricos Triumph 765cc.
Apesar de dominar e liderar a corrida de Moto2 praticamente desde início, Baldassarri ainda teve de defender-se do batalhador Tom Luthi (Dynavolt Intact GP), que fazendo uma corrida de trás para a frente, nas últimas três voltas chegou-se à traseira da moto do líder da corrida e pressionou para tentar levar Baldassarri ao erro.
O piloto suíço fez de tudo para conseguir cruzar a linha de meta à frente, mas Baldassari manteve a calma até final, e sem erros de maior, conquistou mesmo a vitória na corrida inaugural da temporada e com uma vantagem de apenas 0.026s sobre Luthi, que este ano regressa às Moto2 depois de um ano para esquecer em MotoGP.
Se a discussão pelo primeiro lugar foi intensa, o mesmo se poderá dizer da batalha pelo terceiro lugar: Remy Garner (ONEXOX TKKR SAG Team) e Marcel Schrotter (Dynavolt Intact GP) deixaram para a última volta a decisão de quem subiria ao lugar mais baixo do pódio. Garner conseguiu ocupar essa posição já durante a última volta, mas o alemão conseguiu colocar-se colado à traseira do australiano à saída da última curva, e aproveitando o cone de ar, roubou o terceiro lugar por apenas 0.002s!Na categoria mais baixa do Mundial de Velocidade, o jovem japonês Kaito Toba (Honda Team Asia) fez história. Não só conseguiu somar a sua primeira vitória em Moto3, como Toba torna-se no primeiro piloto a vencer na categoria mais baixa deste mundial após a vitória de Tomoyoshi Koyama no GP da Catalunha em 20017.
A história da corrida até poderia ter tido outro final, caso o italiano Romano Fenati (Snipers Honda) não tivesse decidido cumprir, por sua vontade, pois apenas tinha recebido um aviso dos comissários, a nova penalização de “volta longa” numa altura em que estava a discutir a primeira posição com Toba, Lorenzo Dalla Porta (Leopard Racing Honda) e Aron Canet (Sterilgarda Max Racing Team KTM). Com essa decisão, Fenati desceu muitas posições e deixou de contar para a discussão da vitória.
Indiferentes a tudo isto, Kaito Toba, Dalla Porta e Aron Canet foram puxando atrás de si um longo comboio de jovens pilotos das Moto3, com as posições dentro do grupo da frente a mudarem praticamente de curva em curva, e com algumas quedas a criarem alguns espaços entre os pilotos.
Lá na frente, o trio composto por Toba, Dallar Porta e Canet conseguia uma ligeira vantagem sobre os restantes à chegada da última volta. A vitória seria sempre de um deles, mas Canet e a sua KTM pareciam estar ligeiramente em desvantagem, e isso impediu o espanhol de ir além do terceiro lugar.
A vitória ficou então decidida entre Toba e Dalla Porta. O italiano chegou à curva 16 e à reta da meta em primeiro, mas o japonês, campeão da Asia Talent Cup, aproveitou da melhor forma o efeito de aspiração, colou-se à traseira da Honda do italiano e num último esforço conquistou a almejada vitória.
A segunda ronda do calendário do Mundial de Velocidade será nos dias 29 a 31 de março, em Termas de Rio Hondo, na Argentina.andardemoto.pt @ 10-3-2019 19:35:43
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