Reportagem - MotoGP em modo VIP

A convite da Tabaqueira, subsidiária da Phillip Morris International, estivemos no Grande Prémio da Catalunha como verdadeiros VIP! Tivemos acesso total aos bastidores da equipa Mission Winnow Ducati e do MotoGP, para além de desfrutarmos de uma experiência única que foi andar na Ducati MotoX2.

andardemoto.pt @ 7-8-2019 12:24:40 - Texto: Bruno Gomes

Marcar presença num Grande Prémio do Mundial de Velocidade já é por si só uma experiência bem especial. Mas quando na caixa de correio eletrónico aparece um convite da Tabaqueira, em nome da Phillip Morris International (PMI), para nos juntarmos à equipa Mission Winnow Ducati durante o fim de semana do Grande Prémio da Catalunha, no circuito de Montmeló, sabemos desde logo que nos espera algo verdadeiramente especial, e a única resposta que podemos dar é “Sim!”, tentando disfarçar a ansiedade típica de quem acaba de receber uma das melhores prendas do Mundo.

É que este não foi um convite qualquer! Na realidade a PMI pretende divulgar a sua nova estratégia comercial, que irá levar à reinvenção da gigante do tabaco, uma mudança que tem como “tiro de partida” o novo programa de pesquisa e desenvolvimento denominado de Mission Winnow, principal patrocinador da equipa Ducati esta temporada.

Para ficarmos a conhecer em maior detalhe o que é o Mission Winnow, tivemos então a oportunidade de passar um fim de semana inesquecível na Catalunha. Acesso aos bastidores do MotoGP, acesso quase ilimitado à box da equipa de fábrica da Ducati na categoria rainha, para além de podermos experimentar as sensações únicas de andar à “pendura” numa MotoGP de dois lugares. Basicamente, estamos a falar em viver a experiência de MotoGP em modo VIP.

No circuito de Montmeló ficámos instaládos no “quartel general” da Mission Winnow. O que é o mesmo que dizer o lounge do patrocinador da Ducati no MotoGP VIP Village. Mesmo por cima da box da Ducati, foi ali que pudemos refrescar-nos, deliciar com excelentes refeições preparadas por chefs exclusivos da Mission Winnow, assistir às entrevistas dos pilotos após cada sessão em pista, mas, principalmente, foi no lounge Mission Winnow que como convidados VIP tivemos a oportunidade de organizar o nosso programa especial durante o GP da Catalunha de MotoGP.

Se todo a ambiente escaldante que se vive nas bancadas do circuito de Montmeló não trespassa para o interior do lounge, dando a sensação de que ali se vive num mundo um pouco à parte do comum fã do Mundial de Velocidade, a verdade é que como convidados VIP da Mission Winnow Ducati temos acesso a uma série de regalias e encontros imediatos com os pilotos Andrea Dovizioso e Danilo Petrucci.

Por exemplo, antes da corrida de MotoGP no domingo, que não terminou da melhor forma devido a queda, Dovizioso fez questão de marcar presença no lounge para falar connosco e analisar o que têm sido os últimos tempos na Ducati e como seria a corrida. O segundo classificado de MotoGP disponibilizou-se para tirar fotos com os convidados, e para perder algum do seu precioso tempo a responder às nossas perguntas.

Por entre mais uma bebida refrescante como um mojito ou um prato de paella para retemperar as forças, fomos surpreendidos pela presença de uma responsável da Alpinestars. Perante uma plateia que em muitos casos não conhece os equipamentos que os pilotos de MotoGP têm de utilizar, esta responsável da Alpinestars fez questão de nos explicar em detalhe as principais características do fato que Andrea Dovizioso utiliza em competição, em particular o sistema Tech-Air, o airbag da Alpinestars.

Foi também no lounge Mission Winnow que tivemos a oportunidade de participar num concurso com os restantes convidados. Depois de 12 perguntas sobre a Ducati e os seus pilotos no Mundial de Velocidade, foram distribuídos prémios (capacetes, deslizadores, chapéus) autografados pelos pilotos Andrea Dovizioso e Danilo Petrucci. O seu Andar de Moto não se portou muito mal e trouxemos para casa o deslizador autografado e utilizado por Petrucci no GP de Itália, em Mugello, que o próprio venceu.

Mas o nosso fim de semana não se passou exclusivamente dentro do lounge! Tivemos a oportunidade de visitar o magnífico paddock do Mundial de Velocidade, conhecer de perto as espantosas “motorhome” das diversas equipas, com especial destaque para um encontro imediato com o português Miguel Oliveira à porta das instalações da Red Bull KTM Tech3, ou das inúmeras fotos e sorrisos arrancados à paddock girls que dão um colorido bem especial a todo o espaço exterior do paddock.


Numa componente mais técnica, a Mission Winnow proporcionou-nos a oportunidade de visitar o interior da box da Ducati. O ambiente no interior desta box é extremamente controlado, e fomos imediatamente avisados de que não é possível tirar fotos às motos. Afinal de contas, a Ducati não pretende que um de nós passe as fotos às marcas rivais para descobrirem o que leva as Desmosedici GP19 a serem tão velozes.

Também não podemos falar com as dezenas de engenheuiros da Ducati Corse, e muito menos com os pilotos, concentrados nas suas missões de extraír a melhor performance das motos italianas. É um visita guiada um pouco limitada, mas que definitivamente deve ser feita por qualquer fã da marca italiana, e que serve de “remate final” num fim de semana em que nos sentimos como verdadeiros VIP’s de MotoGP.

Ducati MotoX2 - Adrenalina sem limites!

Tínhamos ordens de não esticar o joelho para raspar com o deslizador... mas vontade não nos faltou para isso! Franco Battaini a mostrar como se curva com pendura numa MotoGP

Tínhamos ordens de não esticar o joelho para raspar com o deslizador... mas vontade não nos faltou para isso! Franco Battaini a mostrar como se curva com pendura numa MotoGP

Conforme já referimos, uma das componentes mais interessantes deste fim de semana de MotoGP em modo VIP foi a possibilidade de experimentar andar à “pendura” numa Ducati de MotoGP. Este programa acontece desde há vários anos, 12 anos para ser exato, e temos os pilotos Franco Battaini e Randy Mamola à nossa disposição para nos levar numa volta verdadeiramente alucinante ao circuito de Montmeló.

No entanto não é fácil conseguir participar neste programa Ducati MotoX2! Tal como acontece com os pilotos profissionais, todos os convidados são obrigados a cumprir uma série de requisitos físicos, e só após uma visita à famosa Clinica Mobile liderada pelo Dr. Mir é que temos o “OK” final.

Muitos convidados ficam pelo caminho, principalmente devido à pressão arterial. Os médicos não vacilam perante os pedidos insistentes daqueles que chumbam nos exames médicos de que os deixem participar nesta experiência de adrenalina sem limites. E não é mesmo nada fácil conter as emoções. Aqueles que conseguem passar nos exames têm então pela frente uma preparação específica para poderem usufruir da experiência em total segurança.

Num local específico do paddock somos recebidos por Randy Mamola. O ex-piloto americano explica-nos tudo o que podemos, e o que não podemos fazer em cima da moto. Qual a posição a adotar em curva, o que vamos sentir nas travagens. Enfim, ensina-nos a ser um bom pendura. Franco Battaini é um pouco mais reservado nesse aspeto. O italiano prefere deixar o Mamola assumir as rédeas do espetáculo. E que espetáculo é poder andar numa MotoGP!

Pouco depois do arranque, já a roda da frente da Ducati estava no ar com Battaini a dizer adeus aos espectadores nas bancadas de Montmeló

Pouco depois do arranque, já a roda da frente da Ducati estava no ar com Battaini a dizer adeus aos espectadores nas bancadas de Montmeló

Com as bancadas do circuito de Montmeló já recheadas de fãs no domingo de manhã, entramos no nosso lugar, à vez, na reta da meta. Outros convidados VIP juntam-se a nós. Vislumbro Claudio Domenicali (CEO da Ducati) que sempre que pode aceita dar uma volta na Ducati MotoX2. Marc Gené, antigo piloto de Fórmula 1 também está presente. Tal como Nani Roma, vencedor do Rali Dakar por diversas vezes em moto e automóvel. Por esta altura já o coração está a bater a mil.

Randy Mamola e Franco Battaini saem para uma primeira volta de aquecimento. O som da Desmosedici X2 é ensurdecedor. Todo o meu corpo estremece com o sobe e desce dos cilindros do motor V4. Afinal de contas esta italiana desenvolve mais de 250 cv e os escapes são meros tubos diretos à saída de escape dos cilindros.

O coração bate ainda mais forte quando as motos regressam à linha de meta. É altura de arrancar para a volta à pendura mais alucinante de sempre!

A traseira da Desmosedici X2 inclui um design peparado para deixar o pendura bem fixo ao assento. Mas não é suficiente. Logo após um arranque em “cavalo”, com o público da bancada principal de Montmeló a aplaudir o espetáculo, assim que a roda da frente toca no asfalto novamente é para iniciar a travagem para a curva 1 do circuito catalão. Que brutalidade!

Os travões em carbono desta MotoGP são absolutamente fenomenais. Mais impressionante do que os 350 km/h que esta italiana consegue atingir, é a forma como trava para as curvas, com uma ferocidade que nem mesmo os apoios no depósito, em que nos agarramos com todas as forças como que para salvar a nossa vida, nos impedem de saltar para as costas do Randy Mamola ou do Franco Battaini.

Curva após curva, nem temos tempo para assimilar o que está a acontecer. Olhamos para o lado e vemos corretor. Olhamos para o outro e vemos outro corretor. Andar a direito acontece apenas durante alguns segundos durante a volta.

O Mamola e o Battaini sentem quais os convidados que podem ser sujeitos a esforços maiores, e quando tudo corre bem, quando tudo está perfeito, estes antigos pilotos do Mundial de Velocidade levam os convidados a sentir a adrenalina que é pilotar uma MotoGP nos limites.


Franco Battaini não resiste a fazer uma égua no final da nossa volta na Ducati MotoX2!

Franco Battaini não resiste a fazer uma égua no final da nossa volta na Ducati MotoX2!

A volta ao circuito de Montmeló termina cerca de dois minutos depois de começar. É uma experiência única na vida, que apenas alguns sortudos têm a oportunidade de experimentar durante o fim de semana de Grande Prémio. Ainda mal estamos refeitos das sensações de curvar a mais de 200 km/h e já estamos a tirar as habituais fotos de família, aquelas que vamos mostrar aos nossos amigos para provar que estivemos mesmo sentados e andámos numa MotoGP.

A “cereja em cima do bolo” é podermos levar para casa as luvas que nos são fornecidas antes de andar na moto, em conjunto com o restante equipamento de proteção. Ainda por cima porque o Randy Mamola e o Franco Battaini fazem questão de as autografar!

Verdadeiramente inesquecível.

O que é a Mission Winnow?

É díficil acreditar que a Phillip Morris esteja a pensar deixar de vender tabaco. Mas isso é mesmo o que a gigante do tabaco pretende, e apesar de não termos conseguido confirmar, há informações de que o “deadline” para isso acontecer seja em 2050. Para isso a Phillip Morris tem de se reinventar enquanto negócio. E foi nessa permissa que nasceu o programa Mission Winnow.

Este programa aposta fortemente na componente científica e tecnológica, e levou a Phillip Morris a criar um departamento específico que cresce a cada ano que passa. Este departamento tem por missão principal encontrar soluções com um risco potencial reduzido para os clientes da marca, e procura faze-lo sem promover qualquer produto ou marca.

Uma estratégia e visão inovadoras, que os levam a ligar-se a empresas que se destacam pela inovação e pesquisa tecnológica. É o caso da Ducati em MotoGP, ou da Ferrari na Fórmula 1. Um bom exemplo das pesquisas inovadoras da Ducati são as asas aerodinâmicas. A casa de Borgo Panigale foi pioneira neste aspeto, e a Mission Winnow apoia este tipo de revoluções tecnológicas e também técnicas.

É também uma visão muito mais saudável do ponto de vista do púbico em geral. Mas não deixa de ser uma aposta arriscada. Por exemplo, e ao contrário de outros patrocinadores, a Mission Winnow não promove qualquer produto! No lounge da marca na MotoGP VIP Village não encontramos nada que seja para “comprar”.

Nem sequer uma caneta ou um bloco de notas. No nosso contacto com a Mission Winnow durante três dias ficámos esclarecidos de que este é mesmo um programa que pretende afastar a Phillip Morris do mundo do tabaco. Mas nem toda a gente pensa assim.

Como bem sabemos, os patrocínios ligados ao tabaco e bebidas alcoólicas estão proibidos no MotoGP. Embora a Mission Winnow esteja afastada do tabaco, a realidade é que a equipa Ducati já teve de competir sem o logótipo do seu principal patrocinador em diversas corridas (GP de França, GP Holanda, GP Alemanha, GP da República Checa). Muita gente continua a ligar a Mission Winnow à Phillip Morris, e de facto estão ligadas. Mas após conhecer de perto o que este programa científico procura fazer em prol de todos nós, fica complicado entender as razões que levam à proibição do uso da imagem da Mission Winnow nas motos da Ducati.

BioTekna - A tecnologia ao serviço da performance

Conforme já referimos, a Mission Winnow é um programa ligado à tecnologia e ciência a favor do ser humano. Nesse sentido, as equipas Ducati de MotoGP e do Mundial Superbike recorrem a um sistema de telemetria do corpo humano.

Os pilotos Andrea Dovizioso, Danilo Petrucci, e Alvaro Bautista são analisados pela BioTekna. O programa BioTekna acompanha e analisa os três pilotos ao longo da temporada, e dá-lhes indicações de forma a melhorarem o seu estilo de vida e preparação, para obterem os melhores resultados em pista.

Este sistema de telemetria biológica estará, brevemente, disponível para os participantes da experiência Ducati MotoX2. Nos diversos equipamentos dos convidados serão incluídos sensores que irão medir quatro áreas específicas: Geral, Adaptação a um ambiente novo e exigente, Activação ou capacidade de cada um em reagir face à adrenalina do momento, e ainda a Descontração demonstrada por cada convidado.

O programa BioTekna ANS é mais uma demonstração de como a tecnolgia apoiada pela Mission Winnow poderá servir no futuro para melhorar o nosso estilo de vida, principalmente quando praticamos desportos ou atividades exigentes, mas também no nosso próprio dia-a-dia.

andardemoto.pt @ 7-8-2019 12:24:40 - Texto: Bruno Gomes