MotoGP – Jorge Lorenzo anuncia fim da carreira!

Numa conferência de imprensa especial, o piloto espanhol Jorge Lorenzo anunciou que coloca um ponto final na sua carreira enquanto piloto profissional depois do Grande Prémio de Valência.

andardemoto.pt @ 14-11-2019 15:15:54

Os rumores de que Jorge Lorenzo estava a pensar colocar um ponto final na sua carreira de piloto de MotoGP foram ecoando no paddock do Mundial de Velocidade ao longo da temporada que termina este fim-de-semana com o Grande Prémio de Valência.

Mas a verdade é que nunca ninguém quis realmente dar crédito a essa hipótese.

O piloto espanhol entrou na Repsol Honda depois de dois anos na Ducati, mas uma moto que foi desenvolvida em específico para Marc Marquez e o seu estilo especial de pilotar, a as diversas lesões graves que sofreu este ano, retiraram a Jorge Lorenzo a motivação para continuar a lutar em pista.

A decisão de abandonar a sua carreira profissional aconteceu depois da Malásia, comunicando ao Alberto Puig a sua decisão.

Agora que estamos perto de fechar o ano com o início do Grande Prémio de Valência, Jorge Lorenzo apareceu perante os seus companheiros de profissão e jornalistas para uma conferência bastante especial, onde revelou a sua decisão de abandonar a sua carreira de piloto de motos.

Quando lhe perguntaram qual o melhor momento em MotoGP, Lorenzo referiu que “Se tiver de escolher um momento especial ou um melhor momento, escolheria Malásia 2010 quando fui campeão de MotoGP pela primeira vez. Nesse momento senti-me livre!”.

Um dos melhores pilotos que passou pelo Mundial de Velocidade, retira-se passados 18 anos de fazer a sua estreia.

Conhecido pela sua precisão e suavidade em cima de uma MotoGP, Jorge Lorenzo, nascido em Palma de Maiorca, conquistou três titulos de MotoGP (2010, 2012 e 2015) e antes disso tinha conquistado dois títulos nas 250 cc (2006 e 2007).


Estreou-se no Mundial de Velocidade nas 125 cc em 2002. Em 2005 mudou-se para a categoria seguinte, as 250 cc, onde foi bastante feliz e assegurou dois títulos consecutivos, e assim despertou a cobiça das melhores equipas de MotoGP.

A Yamaha, que na altura contava com Valentino Rossi como o seu principal piloto, viu em Lorenzo o piloto de futuro, e de facto o espanhol rapidamente fez notar o que era capaz de fazer ao ganhar a sua primeira corrida em MotoGP no seu ano de estreia, precisamente no Grande Prémio de Portugal.

Os três títulos de MotoGP foram conquistados aos comandos de uma Yamaha e foram esses os seus melhores anos na categoria rainha. Pelo meio ficaram os momentos mais azedos com Rossi, e que levaram inclusivamente a Yamaha a montar uma parede a dividir a box.

A mudança para a Ducati foi conturbada do ponto de vista de resultados, que demoraram a aparecer, mas quando a marca italiana finalmente deu a Lorenzo o que ele pediu, as vitórias começaram a aparecer. No final de 2018 parecia que o espanhol estava de volta ao topo.

Jorge Lorenzo destaca precisamente como um dos pontos altos da sua carreira a vitória em Mugello com a Ducati, perante os milhares de fãs italianos.

Ainda assim, a Ducati optou por outro caminho, e Jorge Lorenzo viu-se obrigado a mudar de marca novamente.

A mudança para a Repsol Honda foi inesperada.

Com Marc Marquez como principal piloto do HRC, Lorenzo sabia que não teria vida fácil dentro da equipa. Não só chegou à equipa lesionado, o que o impediu de começar a temporada e fazer os importantes testes de inverno, como a Honda RC213V se revelou completamente ineficaz nas suas mãos.

A Honda fez uma RC213V a pensar no estilo de pilotagem de Marc Marquez, e Jorge Lorenzo nunca se conseguiu habituar ou encontrar a forma certa de extraír o melhor desta moto japonesa.

Nesta que será a sua última temporada enquanto piloto profissional, Jorge Lorenzo também foi afetado por diversas lesões graves que apareceram em momentos chave da temporada, impedindo a sua adaptação à Honda.


E em relação a lesões, o espanhol de 32 anos tem muitas histórias para contar.

Quem não se recorda dos diversos “highsides” que sofreu no seu ano de estreia e que resultaram em tornozelos partidos e a Lorenzo a subir para a moto apoiado em canadianas e com a Dainese na altura a fabricar uma bota especial?

Outro momento negativo aconteceu em Assen 2013, quando Jorge Lorenzo sofreu uma queda num treino livre de sexta-feira de manhã, fraturou a clavícula, voou para Barcelona onde foi operado, e nessa mesma tarde regressou à Holanda onde conseguiu autorização para competir na corrida.

Mesmo nessas condições e a competir com uma placa para segurar a clavícula, Jorge Lorenzo batalhou na corrida e terminou então em 5º lugar, o que na altura significou perder apenas 2 pontos para o seu rival nesse ano, Dani Pedrosa.

O esforço fenomenal de Jorge Lorenzo nessa corrida deu-lhe a alcunha de “Homem de Ferro”.

Leia aqui as palavras de Jorge Lorenzo no momento de se despedir do Mundial de Velocidade

“Na vida de um piloto há quatro momentos especiais na minha opinião: a primeira corrida. Primeira vitória. O primeiro campeonato. E quando anuncias a retirada. E este dia chegou para mim, e estou aqui para anunciar que esta será a minha última corrida de MotoGP. Depois desta corrida retiro-me como piloto profissional.

Tudo começou há quase 20 anos, com 3 anos de idade. As pessoas que estão comigo sabem como sou perfecionista. Isso obriga a estar sempre motivado. Depois dos nove anos na Yamaha, maravilhosos, precisei de algo mais, e por isso mudei para a Ducati. Apesar dos resultados não serem bons, continuei a lutar, e consegui o resultado maravilhoso de ganhar em Mugello perante os fãs. E depois atingi o sonho de todos os pilotos que foi ser um piloto da Honda e do HRC.

Não pude estar em condições fisicas para ser competitivo, e nunca me senti confortável com a moto. Sempre pensei que seria uma questão de tempo. Quando comecei a ver uma luz ao fundo do túnel, tive uma queda em Montmeló e a outra de seguida. Depois disso pensei se tudo isto valia a pena. Mas voltei para casa e pensei em não desistir. Mas sinto a falta de motivação para estar no topo. Acima de tudo gosto de vencer.

Percebi a uma determinada altura que não seria possível fazer isso. Nesta altura da minha carreira é impossivel manter a motivação. Os objetivos que coloquei no início da temporada foram irrealistas. Agradeco ao Alberto Puig porque foi ele que me deu esta oportunidade para mudar para a Honda. Infelizmente desapontei a Honda e o Alberto. Mas penso que esta é a melhor solução para mim e para a Honda, pois não podemos estar a lutar para ganhar apenas alguns pontos. Ambos somos vencedores.

Sempre disse que sou um tipo muito sortudo. Competi contra pilotos fantásticos, que infelizmente não conseguiram atingir o meu nível e tiveram de regressar a outros trabalhos. Sinto-me sortudo.

Estou aqui para agradecer toda a ajuda que tive neste desporto, o bom tratamento que me deram, e a todas as fábricas que me contrataram na minha carreira, Derbi, Aprilia, Yamaha, Ducati e Honda. À minha mãe e ao meu pai, por todo o sacrificio que fizeram. E a todos os fãs, aos do meu clube de fãs em especial, mas a todos por fazerem deste desporto tão grandioso. E desejo a todos a maior sorte a nível pessoal e profissional”,
disse um emocionado Jorge Lorenzo, recebendo de seguida uma ovação de pé por parte de todos os presentes.

Durante a conferência de imprensa em Valência perguntaram ao ainda piloto da Repsol Honda o que vais fazer no futuro? “Na vida há muitas coisas para fazer para além das motos. Não pensei nisso ainda. Tenho algumas paixões. Mas ainda não planifiquei. Quero fazer férias longas num sitio solarengo e com praia. E depois logo verei”, respondeu o Jorge Lorenzo.

Quem também fez questão de estar ao lado do piloto espanhol neste momento foi Carmelo Ezpeleta, CEO da Dorna. O responsável máximo de MotoGP fez questão de anunciar que no próximo Grande Prémio de Espanha no circuito de Jerez de La Frontera, Jorge Lorenzo será nomeado “Lenda de MotoGP”.

Com o anuncio do abandono de Jorge Lorenzo quando ainda tinha mais um ano de contrato para cumprir com a Repsol Honda, há agora um lugar livre naquela que é considerada como a melhor equipa de fábrica de MotoGP.

Será que a Honda vai optar por uma solução de curto prazo para ter alguém a competir apenas durante 2020? Ou será que a casa japonesa já terá alguém em perspetiva de entrar na equipa e que seja capaz de estar a lutar pelos lugares de topo?

Estas são algumas das perguntas que ficam agora no ar, mas que durante o Grande Prémio de Valência poderão começar a ter algumas respostas.

andardemoto.pt @ 14-11-2019 15:15:54


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