Mundial de Resistência FIM – Momentos para recordar

Uma temporada atípica mas recheada de momentos que devem ser recordados pelos fãs do Mundial de Resistência. Aqui ficam as histórias de como a SERT, a Moto Ain e Hanspeter Bolliger saíram vencedores e foram distinguidos depois das 12 Horas do Estoril.

andardemoto.pt @ 1-10-2020 14:58:00

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A temporada 2019/2020 ficará para a história do Mundial de Resistência FIM pelas mais diversas razões. Não só porque foi uma excelente temporada do ponto de vista competitivo, com a discussão pelo título a ser levada até à última ronda, as 12 Horas do Estoril, como também ficará na memória a ausência de público nas bancadas devido à pandemia do vírus Covid-19, que obrigou ao cancelamento de várias corridas, em particular da mítica ( Horas de Suzuka.

Sem público nas bancadas para aplaudir os grandes vencedores, não podemos deixar passar a oportunidade de recordar alguns dos momentos que ficarão na história deste mundial e de alguns dos seus principais intervenientes.

A nova campeã do mundo de resistência é a Suzuki Endurance Racing Team. Mais conhecida como SERT, esta formação francesa é um dos nomes históricos deste campeonato. Fundada por Dominique Méliand em 1980, a SERT demorou apenas três anos até conquistar o seu primeiro título mundial.



Com 40 anos de competição acumulada, e muita experiência para enfrentar novos desafios, a temporada 2019/2020 culminou com a conquista do 16º título do Mundial de Resistência, quatro anos após a SERT e Dominique Méliand terem saboreado o seu último título. Mas a temporada não se afigurava nada fácil para a equipa.

O seu fundador e histórico diretor decidiu passar a “pasta” e deixar Damien Saulnier como novo diretor da equipa. Saulnier não tinha uma missão fácil pois a SERT tinha de reorganizar a sua formação de três pilotos, quando Vincent Philippe anunciou que no final de 2019 iria pendurar o fato.

A vitória no Bol d’Or serviu para a SERT perceber que estava de regresso aos seus melhores dias depois de viver tempos conturbados desde 2017. A tripla de pilotos composta por Vincent Philippe, Etienne Masson e Gregg Black foi depois quinta classificada nas 8 Horas de Sepang, prova que antecedeu o fim de carreira de Vincent Philippe.



Damien Saulnier estava a demonstrar que a aposta de Dominique Méliand tinha sido justificada, mas a pandemia que vivemos desde início de 2020 obrigou a equipa a repensar a sua estratégia. A SERT regressou à pista para a terceira ronda do ano nas 24 Horas de Le Mans. Já com Xavier Simeon no lugar do ausente Vincent Philippe. Um terceiro lugar nessa prova deixou a equipa oficial da Suzuki com o título praticamente garantido, mas precisaram de esperar até ao fim das 12 Horas do Estoril para fechar a temporada com o quarto lugar e assim garantiram o seu 16º título mundial.

A completar o seu primeiro ano ao comando dos destinos da Suzuki Endurance Racing Team, Damien Saulnier confessa que “É uma loucura! Foi um enorme desafio substituir o Dominique. Tudo isto é graças à equipa que já existia. Nunca teríamos conseguido isto sem eles. Trabalhámos arduamente ao longo do último ano para criar este projeto. Reconstruímos a equipa, contratámos o Xavier para o lugar do Vincent – foi muita coisa que aconteceu ainda mesmo antes do covid aparecer. Estou realmente orgulhoso desta equipa. O nosso sucesso tem muito a ver com a química que existe dentro da equipa, o apoio técnico da Yoshimura, a experiência comprovada da SERT, e a equipa manter a mesma paixão e espírito que o ‘patrão’ mostrou há 40 anos”.



Na classe Superstock, a equipa Moto Ain, que compete com a Yamaha R1 #96, dominou quase por completo a temporada que teve o seu desfecho há poucos dias no Estoril.

Com Pierre Chapuis como diretor, a formação francesa venceu três das quatro rondas realizadas. Os pilotos Roberto Rolfo, Robin Mulhauser e Hugo Clère subiram ao lugar mais alto do pódio no Bol d’Or, nas 8 Horas de Sepang e nas 12 Horas do Estoril. Antes, nas 24 Horas de Le Mans, foram terceiros classificados na classe Superstock depois de várias quedas que mesmo assim não os impediram de terminar a prova.

Se na temporada passada a Moto Ain não teve vida facilitada para conquistar o título, em 2019/2020 a equipa que utiliza pneus Michelin não sentiu grandes dificuldades e atingiu mesmo resultados interessantes na classificação geral fazendo frente às melhores equipas da classe EWC: à geral tiveram como melhor resultado um 4º lugar nas 8 Horas de Sepang.



O diretor da Moto Ain encontra facilmente as explicações para este domínio e o seu segundo título consecutivo: “É basicamente porque os pilotos e mecânicos estão afinados uns com os outros. Pudemos ver isso durante a última paragem no Estoril, em que foram os pilotos a fazerem o próprio reabastecimento. A nossa consistência também fez a diferença esta temporada. Conseguimos três vitórias e um terceiro lugar em quatro corridas. Nunca ficámos fora do pódio, enquanto os nossos rivais flutuaram ao longo da temporada”, explica Pierre Chapuis.

E um ataque à classe EWC estará nos planos da Moto Ain? Pierre Chapuis é bastante claro em relação a essa hipótese: “Estamos a trabalhar nisso. Pensei que íamos conseguir esta temporada, mas no fim, isso não foi possível. Fazer uma boa temporada na classe EWC significa um orçamento 5 ou 6 vezes superior ao das Superstock. As motos são mais caras, são mais dispendiosas de manutenção e também consomem mais pneus. Estou muito satisfeito com a nossa parceria com a Michelin. Trabalhámos na consistência, duração e estabilidade dos pneus. Tudo depende do que a Michelin nos ofereça na próxima temporada”.


E se dentro das pistas foram encontrados os grandes vencedores desta temporada do Mundial de Resistência FIM, fora delas também foi possível encontrar um vencedor: Hanspeter Bolliger.

Instituído após o trágico desaparecimento de Anthony Delhalle em 2017 e criado precisamente em homenagem ao piloto, o Troféu Espírito de Endurance “Anthony Delhalle” tem como objetivo destacar um piloto ou uma equipa que façam alguma coisa notável durante uma corrida.

E notável foi a carreira de Hanspeter Bolliger!

Fundador da equipa Bolliger Team Switzerland, Hanspeter, ou “Hämpu” como é carinhosamente apelidado no paddock, foi uma cara bem conhecida do Mundial de Resistência ao longo dos últimos 38 anos, a partir do momento em que se estrou na resistência durante as 24 Horas de Imola.


Desde então a sua Kawasaki #8, apesar de ser uma moto privada, deu bastante que fazer às motos oficiais, e Hanspeter Bolliger nunca se recusou a sujar as mãos para ajudar a sua equipa de mecânicos durante uma corrida desta disciplina pela qual se apaixonou há quase quatro décadas.

Nas 12 Horas do Estoril, Hanspeter Bolliger cumpriu a sua última corrida enquanto diretor da Bolliger Team Switzerland. Passou o testemunho ao seu filho Kevin, que assim irá continuar o trabalho do seu pai no Mundial de Resistência. O Troféu Espírito de Endurance “Anthony Delhalle” foi entregue a Hanspeter Bolliger precisamente no final da corrida 12 Horas do Estoril.

andardemoto.pt @ 1-10-2020 14:58:00


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