MotoGP – Miguel Oliveira fechou com chave de ouro uma década ao mais alto nível

Piloto português terminou da melhor forma possível a sua décima temporada no Mundial de Velocidade. A segunda participação em MotoGP foi sem dúvida uma enorme evolução. E os números de Miguel Oliveira em 2020 mostram que o “Top 3” de MotoGP estava ao alcance.

andardemoto.pt @ 28-11-2020 17:19:33

Apesar de todo o apoio que sempre sentiu por parte dos fãs portugueses, Miguel Oliveira foi obrigado a ultrapassar muitos obstáculos no seu caminho até ao topo do Mundial de Velocidade. Quando em 2010 se estreou neste mundial, então ainda nas saudosas 125 GP, o piloto de Almada já imaginava que um dia estaria entre os melhores do mundo de MotoGP.

A temporada 2020 do Mundial de Velocidade, apesar de atípica e de tudo o que aconteceu, marcou o fim da primeira década de Miguel Oliveira neste campeonato. Pelo segundo ano a competir em MotoGP, o piloto de 25 anos da Red Bull KTM Tech3 foi uma das estrelas da categoria rainha.

Numa altura em que Miguel Oliveira já se prepara para vestir as cores de fábrica da KTM, pois em 2021 estará ao lado de Brad Binder na Red Bull KTM Factory, onde assume a posição de principal piloto da marca austríaca, este é por isso o momento ideal para analisarmos o que o português fez em 2020.


E os números não enganam: este foi um ano excelente!

Em 14 Grandes Prémios em que participou, Miguel Oliveira percorreu um total de 1398,42 km em corrida. Mas se somarmos às corridas as voltas que completou em treinos e qualificações, a KTM RC16 com o #88 percorreu uns incríveis 7189,081 km.

Para percorrer esta distância o português recorreu a todos os cinco motores disponíveis em 2020, sendo que a RC16 revelou uma fiabilidade a toda a prova.

De facto, Miguel Oliveira, para além da sua consistência, mostrou saber como aproveitar o V4 austríaco ao máximo sem passar o limite que leva à diminuição da fiabilidade. Aliás, numa reta final de temporada em que muitos pilotos estavam já a pensar em utilizar um sexto motor – algo que apenas aconteceu com Maverick Viñales – o Miguel Oliveira tinha ainda um motor por estrear.


Numa temporada memorável, Miguel Oliveira teve o seu primeiro grande triunfo no Grande Prémio da Estíria, precisamente na casa da KTM. Na segunda corrida realizada no Red Bull Ring, o português alcançou a primeira vitória da carreira em MotoGP! Um momento histórico para ele, mas também para Portugal, que teve assim a bandeira nacional hasteada no pódio de MotoGP enquanto “A Portuguesa” ecoava nas colinas à volta do circuito austríaco e nas nossas televisões.

O momento mais alto da temporada chegou precisamente na última corrida do ano.

No Grande Prémio de Portugal, no Autódromo Internacional do Algarve, entre os dias 20 e 22 de novembro de 2020, Miguel Oliveira demonstrou estar num nível muito superior a todos os restantes pilotos de MotoGP.

Na ronda portuguesa, o piloto que Hervé Poncharal, diretor da Tech3, tem imensa pena de ver sair da equipa, voltou a vencer. Mas desta feita venceu de uma forma avassaladora! Com uma corrida perfeita onde para além da “pole position” (recorde da “pole position”) alcançou a melhor volta em corrida (recorde da volta em corrida), Miguel Oliveira subiu ao topo do MotoGP e tem o recorde absoluto no circuito algarvio.



Foi, a par dos pilotos da Petronas Yamaha SRT, Fabio Quartararo e Franco Morbidelli, o outro único piloto que conseguiu mais do que uma vitória em MotoGP nesta temporada de 2020 que foi tão estranha mas ao mesmo tempo tão excitante e emocionante.

Em termos de pontos somados por Miguel Oliveira, as contas são relativamente simples de se fazer: os 125 pontos somados com que terminou a temporada revelam uma média de 8,9 pontos a cada bandeira de xadrêz, e se dessa equação retirarmos as três corridas que o piloto luso não terminou, a “colheita” por corrida sobe para uma média de 11,3 pontos.

Terminou a temporada com o 9º lugar na classificação de pilotos de MotoGP. Com 125 pontos na sua conta pessoal, Miguel Oliveira ficou a apenas 2 pontos de passar Fabio Quartararo e assumir o 8º lugar. E se olharmos um pouco mais acima na classificação, verificamos que o português fecha a temporada a apenas 14 pontos do terceiro classificado, o espanhol Alex Rins.

Clique aqui para ver os nossos grafismos renovados com as classificações completas de toda a temporada de MotoGP e do Miguel Oliveira

Entrando no campo das suposições e dos “ses” que tantas vezes nos fazem sonhar, bastaria a Miguel Oliveira obter um resultado dentro do que nos habituou numa das três corridas em que não pontuou para facilmente terminar o ano entre os três melhores de MotoGP!


E que resultados foram esses que nos permitem sonhar com um “Top 3” final em MotoGP?

Aqui ficam os resultados do Miguel Oliveira em todas as 14 corridas realizadas pela categoria MotoGP em 2020:

- Grande Prémio de Espanha – 8º classificado; 8 pontos
- Grande Prémio da Andaluzia – Não Classificado; 0 pontos
- Grande Prémio da República Checa – 6º classificado; 10 pontos
- Grande Prémio da Áustria – Não Classificado; 0 pontos
- Grande Prémio da Estíria – 1º classificado; 25 pontos
- Grande Prémio de São Marino – 11º classificado; 5 pontos
- Grande Prémio da Emilia Romana – 5º classificado; 11 pontos
- Grande Prémio da Catalunha – Não Classificado; 0 pontos
- Grande Prémio de França – 6º classificado; 10 pontos
- Grande Prémio de Aragão – 16º classificado; 0 pontos
- Grande Prémio de Teruel – 6º classificado; 10 pontos
- Grande Prémio da Europa – 5º classificado; 11 pontos
- Grande Prémio da Com. Valenciana – 6º classificado; 10 pontos
- Grande Prémio de Portugal – 1º classificado; 25 pontos


Nestes resultados destacamos as seguintes situações:

- Nos circuitos onde se realizaram duas corridas consecutivas, Miguel Oliveira melhorou o seu resultado em relação à primeira corrida realizada por três vezes (Red Bull Ring, Misano e Motorland Aragón);
- Nos circuitos onde se realizaram duas corridas consecutivas, Miguel Oliveira piorou os seus resultados por duas vezes (Jerez de La Frontera e Ricardo Tormo);
- No circuito de Jerez, na segunda corrida do ano, Miguel Oliveira estava a caminho de um excelente resultado, possivelmente o pódio tendo qualificado na 5ª posição. No entanto foi colocado fora de prova logo na primeira curva depois de ser tocado na roda traseira por Brad Binder (Red Bull KTM Factory);
- No GP da Catalunha o piloto português caiu sozinho, na curva 2. Foi uma das quatro vezes em 2020 que Miguel Oliveira não somou pontos;
- Nos circuitos onde se realizaram duas corridas consecutivas, foi no Red Bull Ring que Miguel Oliveira obteve a melhor pontuação conjunta: 25 pontos. No circuito Ricardo Tormo somou um total de 21 pontos nas duas corridas ali realizadas, e em Misano um total de 16 pontos, sendo então esse o seu terceiro melhor resultado pontual no somatório das duas corridas;
- Nos circuitos que acolheram uma única corrida de MotoGP, o melhor resultado foi, claro, a vitória no GP de Portugal que lhe deu 25 pontos. O pior resultado foi o GP da Catalunha onde não somou qualquer ponto por força da queda;
- Miguel Oliveira apenas por uma vez não terminou a primeira volta de uma corrida. Foi no GP da Andaluzia quando ficou fora de prova logo na primeira curva depois do toque de Brad Binder.



Numa temporada em que completou 313 voltas em corrida, Miguel Oliveira fecha com chave de ouro uma década ao mais alto nível do motociclismo de velocidade. Agora terá pela frente aquele que será o seu maior desafio: assumir o papel de principal piloto de uma equipa de fábrica de MotoGP!

Já não precisamos de esperar muito tempo para ver o que fará Miguel Oliveira e a Red Bull KTM Factory em 2021. Tendo em conta a clara evolução em termos de resultados e consistência em corrida, tudo indica que Miguel Oliveira vai fazer ainda melhor no próximo ano. E o título de MotoGP já não é apenas uma miragem!

Os melhores momentos de Miguel Oliveira em MotoGP durante 2020

andardemoto.pt @ 28-11-2020 17:19:33


Clique aqui para ver mais sobre: Desporto