SBK 2021 França – Campeonato ao rubro… dentro e fora da pista!
O piloto turco Toprak Razgatlioglu pensava ter conseguido três vitórias em três corridas do Mundial Superbike em Magny-Cours. Mas uma penalização relegou-o para segundo na corrida Superpole, dando a vitória a Jonathan Rea. Uma decisão que deixa a luta pelo título ao rubro e com as emoções à flor da pele no paddock.
andardemoto.pt @ 6-9-2021 11:21:30
O
circuito francês de Nevers Magny-Cours foi palco de mais uma ronda do
espetacular Mundial Superbike, que em 2021 está a ter uma temporada que os fãs
dificilmente vão esquecer. Com o seis vezes campeão Jonathan Rea (Kawasaki
Racing Team) a ter pela frente um Toprak Razgatlioglu (Pata Yamaha with Brixx)
que não desarma, a luta pelo título está ao rubro… dentro de fora da pista!
Na corrida 1 das Superbike, foi o campeão Rea que obteve a oitava “pole
position” consecutiva este ano. Um facto que por si só é novo recorde, mas que
o norte-irlandês fez questão de sublinhar ao registar também o novo recorde de
volta mais rápida ao circuito francês. Mas quando os semáforos apagaram, foi
Toprak Razgatlioglu que levou a melhor sobre o rival Rea, com o piloto turco a
colocar desde logo a sua Yamaha YZF-R1 na primeira posição.
O piloto da Kawasaki Ninja ZX-10RR ainda tentou recuperar a liderança, mas
Toprak, sempre impressionante nas travagens, foi conseguindo defender a sua
posição de líder com mestria. Jonathan Rea chegou a reduzir a diferença para o
primeiro lugar para apenas um par de décimas de segundo, até que Toprak Razgatlioglu
finalmente aumentou o ritmo e fugiu para uma vitória relativamente tranquila, cruzando
a meta com cerca de quatro segundos de diferença para Jonathan Rea.
O piloto turco tornou-se no primeiro piloto Yamaha a terminar 18 corridas no
pódio numa única temporada do Mundial Superbike, mas impressionou também ao
longo da corrida por ter conseguido rodar de forma consistente dentro do 1m37s,
registando mesmo novo recorde de corrida com 1m36.937s. Um ritmo impressionante
e demolidor para a concorrência mais direta. Por outro lado, Jonathan Rea
prolongou a sua “seca” de vitórias para sete corridas.
Nesta corrida 1 de Superbike, destaque ainda para mais um pódio para o “rookie”
Andrea Locatelli, que assim colocou a segunda moto da Yamaha oficial no terceiro
posto.
Com as contas do título ainda mais equilibradas após a corrida 1, a corrida
Superpole tornou-se ainda mais relevante para as contas do campeonato, apesar
de apenas “oferecer” aos pilotos metade da pontuação habitual das corridas mais
longas.
A luta pela vitória na corrida Superpole ficou, mais uma vez e sem grande
surpresa, restrita a dois pilotos: Jonathan Rea e Toprak Razgatlioglu.
O turco da Yamaha conseguiu alcançar a liderança na segunda volta, mas Rea
manteve-se sempre colado ao rival ao longo das 10 voltas desta corrida de “sprint”.
A decisão sobre o vencedor, pelo menos em pista, aconteceu apenas na última
volta.
Na chegada à chicane Imola, Jonathan Rea conseguiu passar Toprak Razgatlioglu.
O turco rapidamente respondeu ao ataque do rival da Kawasaki e recolocou a
Yamaha R1 na liderança, posição em que cruzou a linha de meta, deixando assim
Jonathan Rea em segundo, novamente, com o norte-irlandês a reclamar para si o
novo recorde do circuito com uma volta em 1m36.374s.
Mas a história desta corrida Superpole em Magny-Cours não ficou “escrita”
apenas em pista. Horas depois de ter terminado a ronda francesa do Mundial
Superbike, os Comissários FIM para este campeonato emitiram uma penalização que
incidiu sobre Toprak Razgatlioglu. De acordo com estes comissários FIM, Toprak excedeu
os limites de pista na saída da curva 10 e já na última volta. De acordo com o
regulamento, foi então aplicada uma penalização de um lugar a Toprak Razgatlioglu
que desceu para segundo e a vitória ficou então para Jonathan Rea, com Alex
Lowes a colocar a segunda Kawasaki oficial na terceira posição.
Esta decisão foi conhecida horas depois da ronda francesa ter terminado, o que
lançou a ira nos responsáveis da Pata Yamaha with Brixx. Paul Denning e Andrea
Dosoli a deixarem no ar que daqui para a frente estarão atentos e não vão dar
qualquer espaço de manobra para que outras situações deste tipo passem em
claro, particularmente se isso acontecer com Jonathan Rea e a Kawasaki.
Os responsáveis do Mundial Superbike justificam a decisão de penalizar Toprak
apenas porque está nas regras. E a Kawasaki Racing Team emitiu um comunicado a
reforçar que apenas se queixaram aos Comissários FIM de SBK do que aconteceu na
última volta porque está nas regras essa penalização.
No entanto, as emoções estão ao rubro no paddock do Mundial Superbike, e também
nas redes sociais. Os fãs, para além da Yamaha, depois de elogiarem as
excelentes corridas que puderam assistir no traçado francês, revelam toda a sua
frustração por verem o resultado da corrida Superpole estar a ser decidido fora
da pista.
Revendo a transmissão da corrida Superpole, e particularmente a última volta,
de facto Toprak Razgatlioglu excede por escassos milímetros os limites do
circuito. De acordo com o regulamento seria penalizado, conforme foi. No
entanto, e tal como referem alguns pilotos e fãs do Mundial Superbike, o piloto
turco não obteve benefício de exceder o limite do circuito, sendo que mesmo
depois desse momento Jonathan Rea conseguiu ultrapassar o rival e assumir a
liderança da corrida, liderança essa que acabou por não segurar até à linha de
meta.
Com tudo isto a acontecer no paddock, a boa relação existente entre duas das
principais equipas e pilotos do Mundial Superbike poderá ter acabado e a partir
de agora a luta pelo título ganhará novos contornos.
Já na corrida 2 de Superbike, e na altura da realização dessa corrida final do fim-de-semana
ainda não havia informação da controversa penalização, Toprak Razgatlioglu
voltou a repetir a “dose” das corridas anteriores.
O turco queria tornar-se no terceiro piloto a conseguir vencer as três corridas
de Superbike no mesmo fim-de-semana. Arrancou decidido, mas Jonathan Rea, desta
feita acompanhado nos momentos iniciais pelo seu companheiro de equipa Alex Lowes
(3º na corrida Superpole), estava a tentar impedir que Toprak escapasse
novamente para aquela que seria a sua terceira vitória.
Aos poucos, e depois de diversas trocas de posição entre os três, algumas delas
bastante físicas e com alguns ligeiros contactos à mistura, Toprak Razgatlioglu
foi ganhando décimas de vantagem volta após volta. Jonathan Rea desgastou em
demasia os pneus Pirelli da sua Kawasaki a tentar escapar ao rival na primeira metade
da corrida 2, e sofreu bastante nos momentos finais da prova francesa.
Sem conseguir inserir a moto em curva, apanhando alguns “sustos” com a frente a
escorregar, Jonathan Rea assistiu a uma corrida fantástica de Toprak Razgatlioglu,
que novamente rodou uma corrida inteira sempre em 1m37s, sempre com um estilo
de condução no limite nos momentos de travagem, situação em que Rea não se
sentia confortável devido aos problemas de travagem da sua Kawasaki.
Assim que percebeu que o campeão estava com dificuldades nos pneus, Toprak
rapidamente amealhou uma vantagem suficiente para controlar o ritmo do
adversários até à bandeira de xadrez, e voltou a festejar uma vitória no
Mundial Superbike.
Jonathan Rea foi segundo, enquanto Scott Redding (Aruba.it Ducati), depois de
um fim-de-semana muito complicado a vários níveis, acabou em crescendo e subiu
mesmo ao pódio nesta corrida 2, com o britânico a ser terceiro, mas sem apresentar
argumentos que lhe permitam lutar com os dois primeiros.
Com este conjunto de resultados, e depois de contabilizada a penalização
imposta a Toprak Razgatlioglu, a classificação do campeonato apresenta o piloto
turco da Yamaha em primeiro com 370 pontos, Jonathan Rea segue de perto com
363, enquanto Scott Redding com 298 pontos está já bastante longe mas mantém
Andrea Locatelli (4º classificado) também bastante distante em termos pontuais.
A próxima ronda do Mundial Superbike acontece de 17 a 19 de setembro no
circuito de Montmeló, na Catalunha.
Galeria de fotos Mundial Superbike - Magny-Cours
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