Entrevista ao Pedro Nuno depois de surpreender na qualificação do Bol d’Or

O Andar de Moto esteve à conversa com o piloto português sobre a sua estreia no Mundial de Resistência. Pedro Nuno surpreendeu ao ser o 3º mais rápido do seu turno na classe Superstock e 14º à geral na primeira qualificação para a prova de 24 horas Bol d’Or.

andardemoto.pt @ 16-9-2021 20:24:49

No primeiro dia nesta sua estreia em absoluto no Mundial de Resistência FIM, o piloto português Pedro Nuno, que habitualmente vemos nas corridas de curta duração e que esta temporada abraçou o projeto no ESBK, surpreendeu tudo e todos pelo seu ritmo no circuito Paul Ricard.

Para além de competir pela primeira vez na resistência, e logo numa prova com o “peso” do Bol d’Or, Pedro Nuno também está a aprender os segredos do traçado francês. Mas ao contrário do que poderíamos esperar, a sua adaptação à Yamaha YZF-R1 #119 do Team Slider Endurance está a ser mais rápida do que o esperado.

De facto, os resultados deste primeiro contacto não podiam ser melhores!

O Pedro Nuno participou com os seus dois companheiros de equipa na primeira sessão de qualificação, e desde já mostrou a sua rapidez, um fator que acaba por ser menos importante do ponto de vista global numa corrida de resistência e 24 horas de duração, mas que revela já a boa preparação do piloto português e todo o seu talento.


O português assumiu os comandos da R1 #119 da classe Superstock no turno de qualificação dos pilotos vermelhos. Pedro Nuno foi o terceiro mais rápido da classe com a sua volta mais rápida a parar o cronómetro em 2m10.333s, a pouco mais de 5,1 segundos do piloto mais rápido em pista, Sylvain Guintoli (Yoshimura SERT Motul) que compete na classe principal EWC.

Na tabela de tempos geral, Pedro Nuno ficou então na 14ª posição, um excelente resultado neste primeiro dia de qualificação do Bol d’Or, sendo que a equipa francesa pela qual compete este fim de semana encontra-se na 26ª posição da Geral, depois de obtido o tempo médio por volta dos três pilotos. Pedro Nuno mostra-se assim, claramente, como o mais rápido do Team Slider Endurance.

De referir que nesta primeira qualificação a equipa mais rápida (melhor tempo médio dos três pilotos) foi a BMW Motorrad World Endurance Team, que bateu a Yoshimura SERT Motul, enquanto o Team Bolliger Switzerland #8 ficou com o terceiro lugar na tabela de tempos.

Depois da sua sessão de qualificação, e enquanto os mecânicos da Team Slider Endurance preparam a Yamaha R1 #119 para o primeiro treino noturno do Bol d’Or, o nosso jornalista Bruno Gomes teve a oportunidade de conversar com o piloto português sobre esta experiência no Mundial de Resistência FIM. Aqui fica a nossa entrevista ao Pedro Nuno.



Andar de Moto – Estamos mais habituados a ver-te nas corridas de “sprint” e este ano no ESBK. Esta participação no Mundial de Resistência estava nos teus planos ou surgiu do nada? E de quem é que partiu este convite?
Pedro Nuno – Foi um convite que surgiu absolutamente do nada. Para teres uma ideia, no passado fim de semana estava a ver o MotoGP e não sabia de nada. Na segunda-feira quando as coisas se confirmaram, fui à federação para tirar a licença especial. Foi tudo muito rápido e em cima da hora. Mas estou muito feliz. O convite partiu da parte da equipa. O Team Slider Endurance precisava de um piloto para substituir um dos pilotos habituais, falaram comigo, e as coisas acertaram-se.

Andar de Moto – Este é um campeonato interessante para ti? Digo isto do ponto de vista de futuro?
Pedro Nuno – Este é um campeonato que sigo atentamente há vários anos. É um campeonato interessante, mesmo do ponto de vista da minha carreira. Há vários pilotos das corridas de “sprint” que participam nestas corridas de resistência. Não digo que seja um campeonato para fazer a tempo inteiro, mas pode ser um excelente complemento. Gosto do ambiente que se vive aqui. Fui bem recebido pela equipa e companheiros. O ambiente que se vive aqui é mais descontraído. Por outro lado, e não quero ser mal interpretado, acredito que é um excelente campeonato para se começar, com menos pressão inicial, e depois tentar chegar a equipas de topo. Talvez seja mais “fácil” chegar lá acima.

Andar de Moto – E pensas fazer mais corridas aqui?
Pedro Nuno – Quero fazer algumas. Mas depende de muita coisa. Estou a trabalhar com um novo manager e por isso vamos ver o que acontece.


Andar de Moto – E isso passa por que campeonato? Se é que já me podes dizer alguma coisa…
Pedro Nuno – Não posso adiantar muito sobre isso. Não está nada garantido, estamos ainda nos contactos iniciais, mas a minha passagem às supersport este ano foi também um passo a pensar no futuro.

Andar de Moto – Esta é a tua estreia absoluta na resistência. A equipa colocou-te algum objetivo ou estás totalmente sem pressão nesse sentido? E o que é que te deixa mais curioso nesta experiência?
Pedro Nuno – Para já, tenho de te dizer que esta é uma pista fantástica! Nunca aqui tinha andado, estou a descobrir o Paul Ricard, mas é fantástico. Esta é a minha primeira vez e a equipa não me colocou nenhum objetivo. É fazer o máximo de voltas que conseguir, ganhar experiência, aprender. E aqui há muita coisa para aprender! Estou curioso para andar em pista à noite. Estou mesmo curioso com isso. Nunca andei à noite em pista, nem nas pit-bike.

Andar de Moto – Suponho que do ponto de vista físico também seja um desafio interessante? Isto porque, embora estejas a competir há já algum tempo após a tua grave lesão, uma prova de resistência coloca o teu físico num esforço maior do que as corridas de 20 e poucas voltas.
Pedro Nuno – Sim, a minha lesão já foi há quatro anos. Estou também curioso com isso. Será um bom desafio para mim do ponto de vista do físico. Mas sinto-me bem preparado e bastante capacitado para este tipo de provas. Hoje fiz muitas voltas à pista, fui o piloto da equipa que mais voltas deu, e sinto-me bem, sem problemas.



Andar de Moto – E quais são as maiores dificuldades neste teu primeiro dia?
Pedro Nuno – A moto tem preparação superstock e já conheço bem a R1. Mas o depósito de combustível é bastante maior, e o peso do combustível na moto altera a distribuição de pesos em relação ao que estou habituado. A moto tem mais botões e tenho de me habituar ao reabastecimento rápido e às luzes. Depois foi preciso encontrar um compromisso entre nós os três. Sabes que eles já cá estão na equipa há mais tempo e eu sou o miúdo novo na equipa por isso sou eu que tenho de me adaptar aquilo que eles já têm. Mas penso que já encontrámos um bom compromisso para os três.

Andar de Moto – Mas se te convidaram, é porque sabem que os podes ajudar em certas coisas para além da tua rapidez que já conhecemos de outros campeonatos, certo?
Pedro Nuno – Sim, referes um ponto importante. De facto, a equipa este fim de semana vai competir pela primeira vez com pneus Michelin. Eles não estão habituados a estes pneus. Mas eu estou. Em Espanha uso Michelin na minha moto, e por isso já tenho algum conhecimento destes pneus. Também por isso dei mais voltas à pista hoje, pois foi a forma de eu os ajudar a encontrar a melhor afinação para a nossa moto tirando o melhor partido destes pneus Michelin.


Para todos aqueles que querem seguir a prestação do Pedro Nuno nesta sua estreia no Mundial de Resistência FIM e nas 24 horas do Bol d’Or, o Andar de Moto irá acompanhar de perto a evolução do piloto português ao longo do fim de semana, e vamos manter o contacto direto com o piloto para obter as suas reações assim que possível ao longo da corrida e da qualificação.

Recordamos também que o Bol d’Or terá transmissão televisiva no Eurosport: sábado 18 de setembro das 13h45 - 23h00, e domingo 19 setembro das 05h00 - 14h15.

andardemoto.pt @ 16-9-2021 20:24:49


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