Reação do Pedro Nuno à estreia no Mundial Supersport
O piloto português fez a sua estreia no Mundial Supersport participando na ronda do Autódromo Internacional do Algarve. Em solo nacional e aos comandos de uma moto totalmente desconhecida, Pedro Nuno pautou a sua participação pela evolução, embora um problema mecânico tenha impedido o que seria um “top 20”.
andardemoto.pt @ 7-10-2021 11:14:15
Apesar
de toda a satisfação por poder estrear-se no Mundial Supersport, e logo na
ronda portuguesa do Autódromo Internacional do Algarve, o piloto Pedro Nuno
sabia que a sua missão seria bastante complicada logo à partida.
Convidado à última hora para ocupar o lugar de Michel Fabrizio na equipa GAP
Motozoo by Puccetti, Pedro Nuno foi obrigado a “reaprender” a pilotar uma moto,
pois a equipa compete com Kawasaki, uma moto totalmente desconhecida para o
piloto português, que assim teve de descobrir qual a melhor forma de conseguir
retirar o máximo potencial da moto japonesa.
A juntar a isso, pneus Pirelli que também não está habituado a usar nas
corridas do campeonato espanhol ESBK, obrigaram a trabalhar a dobrar para
afinar a moto para as suas necessidades e com muito pouco tempo para o fazer.
Pedro Nuno qualificou-se na 30ª posição para as duas corridas do Mundial
Supersport no AIA, rodando na sua melhor volta a cerca de 3,8 segundos do mais
veloz em qualificação, que foi o francês Jules Cluzel (GMT94 Yamaha).
Na primeira corrida do fim de semana algarvio, o jovem português colocou como
grande objetivo terminar a corrida e garantir que tudo corrida bem. Rodando na
cauda do pelotão, Pedro Nuno foi aumentando o ritmo e cruzou mesmo a linha de
meta na 25ª posição. Já na segunda corrida, e depois de brilhar no “warm up”
com o 13º tempo quase a entrar nos dez melhores, sessão em que a chuva igualou
um pouco a performance das motos e foi então que Pedro Nuno fez valer o seu
talento e conhecimento do circuito, o português da GAP Motozoo by Puccetti avançou
para a corrida com maior confiança.
Na derradeira corrida do fim de semana, rapidamente saltou várias posições
desde o momento do arranque. Pedro Nuno subiu na classificação e rodou sempre nos
lugares que davam acesso ao “top 20”, trocando várias vezes de posição com os
mais experientes neste mundial Hendra Pratama (Ten Kate Yamaha) e Frossard
(Moto Team Jura Vitesse).
Infelizmente para as aspirações do português, que melhorou a sua melhor volta
em corrida da primeira para a segunda corrida em quase um segundo, foi já com a
meta praticamente à vista que o motor da Kawasaki Ninja ZX-6R deu sinais de
problemas. Percebendo que não iria conseguir terminar a corrida, Pedro Nuno
entrou na box na penúltima volta e abandonou quando tinha o “top 20” ao
alcance.
“Foi uma semana difícil, mas ao fim ao cabo muito produtivo. Conheci uma
moto nova que é a Kawasaki, moto que para aquilo que estou acostumado a andar é
totalmente diferente, oposta à Yamaha, uma moto bem mais difícil. Em 30 voltas
que dei na sexta-feira, afinar a moto, habituar-me à moto, mudar a posição de
condução, tudo isto não foi nada fácil. Na qualificação, ficar a 3 segundos foi
ótimo, devido a todas as dificuldades que já referi. Na primeira corrida, o
vento dificultou-me um pouco a corrida, e o facto de não conhecer os pneus piorou
ainda mais na fase final. Domingo de manhã choveu bem forte no warm up, e como
à chuva não se nota tanto a diferença da moto, viu-se o potencial e consegui
estar a lutar pelo top 10, o que é ótimo. Deixou-me bastante feliz, pois no
futuro tenho a certeza que conseguirei lutar pelos pontos. E durante a segunda
corrida, estava a fazer uma boa corrida, já a lutar pelo top 20, a melhorar o
meu resultado, e melhorar o meu ritmo, mas na penúltima volta tive um problema
no motor da minha moto, e não consegui mesmo terminar. Na penúltima volta tive
mesmo de entrar e abandonar. Infelizmente é assim, como se costuma dizer “morri
na praia”, mas fiquei contente por esta experiência, pela minha primeira vez no
Mundial Supersport, sem conhecer a Kawasaki, os pneus, a equipa, tudo, conseguir
andar ao ritmo que andei é ótimo. Tenho a certeza que se fosse com uma moto que
eu conheço, neste caso a Yamaha, lutar pelos pontos era bastante possível e o
objetivo, mas fica aqui prometido que numa próxima vez, se for com uma Yamaha,
a prestação será bem melhor!”, reagiu Pedro Nuno depois de mais um fim de
semana de descoberta de um novo mundial.
Agora irá concentrar-se nas duas últimas rondas do campeonato espanhol ESBK,
onde regressará aos comandos da sua Yamaha R6 da equipa GV Stratos.
Quanto à vitória nas corridas do Mundial Supersport realizadas no Autódromo
Internacional do Algarve, na corrida 1 foi Jules Cluzel que aproveitou da
melhor forma a “pole position” para vencer na frente de Manu Gonzalez (Yamaha
ParkinGO Team) e com Dominique Aegerter (Ten Kate Racing Yamaha) a fechar o pódio.
Na segunda corrida, o sul-africano Steven Odendaal (Evan Bros Yamaha) manteve
vivas as esperanças em “roubar” o título a Aegerter, vencendo na frente de
Jules Cluzel e Federico Caricasulo (Biblion Iberica Yamaha). De facto, esta
corrida algarvia foi boa para as aspirações de Odendaal, que viu o rival
Aegerter não ir além da 5ª posição.
A classificação do Mundial Supersport tem Dominique Aegerter em primeiro com
354 pontos, Steven Odendaal segue em segundo com 300 pontos, sendo o outro único
piloto que ainda pode ser campeão, enquanto o jovem talento espanhol Manuel
Gonzalez é terceiro com 249 pontos na sua conta pessoal.
andardemoto.pt @ 7-10-2021 11:14:15
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