A evolução das regras na MotoGP
Segurança, contenção de custos e equilíbrio são as prioridades
Os regulamentos da MotoGP nunca param de evoluir. De há uns
anos para cá, os esforços da Dorna visavam equalizar a categoria, impedindo os
fabricantes mais ricos de ganhar vantagens injustas gastando mais em
desenvolvimento. Depois, a contenção de custos e finalmente, a segurança,
cada vez mais, têm sido as considerações primordiais.
andardemoto.pt @ 16-2-2022 18:26:38 - Paulo Araújo
Para 2022, a Comissão de Grandes Prémios anunciou várias alterações e novidades técnicas aos regulamentos do Mundial de Velocidade.
Em termos da qualificação, os pilotos têm agora de fazer um tempo dentro dos 105% do tempo mais rápido em todas as três categorias. Anteriormente, eram apenas 107% do tempo mais rápido, mas há muito que os pilotos conseguima isso sem problemas.
A duração das sessões de aquecimento no dia de corrida também reduz. No caso das classes de Moto3 e Moto2 para apenas 10 minutos de duração. No caso das MotoGP, os 20 minutos de duração não foram alterados.
MotoGP
As equipas de MotoGP podem passar a utilizar o motor inspecionado pela FIM logo a seguir à inspecção, em vez de aguardar 45 dias. Caso a equipa utilize esse motor e uma infracção técnica, venha a ser detetada, serão aplicadas penalizações respeitantes a todas as provas em que o motor tenha saído utilizado, no entanto.
A partir de agora, os fabricantes passam a ter de disponibilizar para homologação um modelo 3D completo em CAD ou a peça final a usar. Até agora só era necessário apresentar um esquema técnico para a homologação do pacote aerodinâmico, mas com as equipas a recorrer já a impressoras 3D, isso não apresenta qualquer problema.
A evolução do pacote aerodinâmico permite apenas uma modificação durante a época.
A MSMA, a associação de fabricantes estabelecida no início dos anos 90 para proteger os seus interesses no Mundial, pode propor qualquer nova regra técnica e pode vetar qualquer regra técnica proposta pelos outros membros ou pelos promotores, a Dorna, IRTA e FIM.
Ao contrário da Formula 1, em que basta uma maioria, na MotoGP todas as regras têm de ser decididas por unanimidade, logo, se cinco fábricas quiserem uma nova cláusula e uma não concordar com as outras cinco, nada acontece.
Michelin central às alterações
A partir de 2022, haverá menos dois pneus traseiros à disposição de cada piloto. para não obrigar a Michelin a transportar pneus para cada circuito que depois não são utilizados. A partir de 2023 fala-se de reduzir ainda mais um pneu, mas neste caso poderá ser dianteiro ou traseiro.
Os compostos dos pneus usados em MotoGP passam a conter uma maior percentagem de materiais reciclados de forma a reduzir a pegada ecológica, o que já era feito nas Elétricas da Taça do Mundo de MotoE.
A redução do número de pneus por cada GP não será problema, segundo Piero Taramasso, responsável da Michelin para o MotoGP, pois habitualmente os pilotos não usam todos os pneus que a marca francesa transporta. Taramasso garante ainda que a introdução de materiais reciclados nos compostos dos pneus não significará uma redução de desempenho, pelo contrário.
Ainda na categoria rainha, a Brembo anunciou novidades nos sistemas de travagem disponíveis para 2022.
Uma são discos de carbono maiores, de 355 mm de diâmetro. Os pilotos poderão continuar a utilizar os discos de carbono de 320 e 340 mm, mas nos circuitos mais exigentes em travagem, a Brembo vai disponibilizar apenas as versões de 340 e 355 mm, isto numa corrida no seco.
Haverá duas opções de pacotes de travagem para cada equipa por temporada.
A primeira inclui 3 pares de pinças dianteiras da marca italiana e 3 bombas radiais, 10 discos de carbono e 28 pastilhas de travão.
A segunda opção é uma estreia este ano e inclui 2 pares de pinças dianteiras Brembo, 3 bombas radiais, 10 discos de carbono e 32 pastilhas de travão.
O valor máximo que pode ser cobrado pela Brembo por cada pacote destes é de 80.000 euros, um aumento de 10.000 euros.
Falando
agora das Moto2, os guarda-lamas dianteiros poderão incorporar condutas de
refrigeração específicas para as pinças de travão, coisa que até agora só
acontecia na MotoGP.
A segurança dos pilotos
Os regulamentos do Mundial de Velocidade sofrem também várias importantes evoluções para garantir a segurança de todos os pilotos que competem nas várias categorias do Mundial de Velocidade.
Estas já estavam anunciadas, e a primeira é a redução para um máximo de 30 motos em pista na categoria Moto3.
A idade mínima para que um piloto possa participar nas categorias Moto3 e Moto2 será de 16 anos. Em MotoGP apenas podem competir pilotos maiores de idade.
Exceções são o vencedor do Mundial Moto3 Junior ou da Red Bull Rookies Cup que poderão competir no Mundial Moto3 sem ter a idade mínima, mas terão de t ter 15 anos em 2022, 16 anos em 2023, ou 17 anos em 2024.
Do lado médico, e de forma a evitar problemas recentes, a Comissão de Grandes Prémios decidiu obrigar os pilotos que sofrem uma lesão a terem de ser submetidos a novos e mais rigorosos testes físicos.
Estes novos testes visam especialmente pilotos que tenham sofrido de traumatismos cranianos, lesões abdominais e torácicas e lesões músculo-esqueléticas ou fraturas compostas que tenham necessitado de cirurgia.
Para além disso, quando um piloto sofrer uma queda que envolva perda de conhecimento ou outra lesão na cabeça, o seu capacete será enviado para o laboratório da FIM na Universidade de Saragoça, onde será analisado por especialistas.andardemoto.pt @ 16-2-2022 18:26:38 - Paulo Araújo
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