Junior GP Moto2 – Entrevista a Santi Duarte
Em 2022, Duarte será o único português na classe
Miguel Santiago Duarte abraçou um
novo projecto, saltando das pequenas Supersport 300 este ano para as poderosas
Moto2, na prática do dobro da cilindrada. O piloto acaba de passar pelo Estoril
para o início do Júnior GP onde continua com Yamaha graças a ter escolhido a classe
Stock. É mais um português a subir nos
escalões internacionais e quisemos saber tudo acerca do desafio:
andardemoto.pt @ 9-5-2022 10:49:10 - Paulo Araújo
“Tem sido uma adaptação, a meu ver, boa!” - diz-nos o piloto de Mafra – “Estou a ganhar ritmo, mas já descobri que há sítios em que vai-me custar mais, à medida que o corpo tem de se adaptar a forças que não eram precisas nas 300....”
“Durante os treinos, pensei que não ia alinhar, devo ter falhado a qualificação por uma milésima, tive uma queda sexta-feira e depois dos treinos comecei a sentir dores nos pulsos...”
“Consegui rodar outra vez nos tempos de qualificação mas na corrida estava muito mais calor, não conseguia parar a mota, parecia que estava a dançar de traseira, não tinha aderência nenhuma..."
"Assim a duas voltas do final, comecei a sentir-me mesmo muito mal dos pulsos, já não conseguia travar nem conseguia reduzir, e quando chegar a casa tenho que por creme fisio e fazer uma massagem..”
“Para a semana há Campeonato espanhol aqui também e espero estar mais à vontade, também esta foi a primeira corrida e falta-nos ainda arranjar algumas peças da moto.”
“Estamos a tentar arranjar orçamento para isso. Temos conseguido patrocinadores mas ainda precisamos de mais, mas pelo menos, estamos com as participações garantidas...”
“Como disse, falta uma peça importante na moto, que dá um segundo e meio por volta, que é um trimmer que permite reduzir sem embraiagem!”
“Para já temos que trabalhar com o que temos, e é o que eu
tenho estado a fazer.
Sei que ainda posso evoluir bastante, então não tenho pensado no aspecto competitivo só em sentir-me bem na mota e escolher a classe de stock permitiu-me ficar com o meu patrocinador tradicional, a Yamaha, mas estamos a correr contra as Moto2 que tem o motor Triumph de 750, muito mais potente e com mais binário, carenagens todas em carbono, usam travagem diferente, chassi diferente, é outra coisa e depois o andamento acaba por ser completamente diferente!”
"Estar nas 600 este ano vai ser uma escola para mim, quem sabe se para o ano consigo dar o salto para a Moto2 e no espaço de três anos, quem sabe, estar mesmo no mesmo campeonato que o Miguel, no Mundial!”
“Só que eu tenho que trabalhar para isso, e estamos a tentar reunir patrocinadores, atrair patrocinadores grandes, decerto, mas pequenos também, quanto mais melhor!”
“Não interessa a quantia, interessa é envolverem-se.”
“Aliás criamos um site como meio para oferecer aos patrocinadores mais pequenos onde uma pessoa entra no site e sabe tudo sobre a moto, mas também remete para as empresas patrocinadoras a explicar quem eles são, e tudo o mais!”
“Já na condução, sinto-me muito melhor, a moto vai muito mais com o meu estilo de condução, descobri que não posso travar tão tarde com numa 300, porque a moto é muito mais pesada, nas 600 era sempre uma guerra para manter velocidade em curva porque depois não saía!"
"Por outro lado, nesta, posso mudar de direção mais precisamente, triangular mais a curva para acelerar mais cedo, mas ainda não tenho as reações certas para mudar o corpo de sitio e contrariar a tendência para fazer cavalinho, porque as 300 não faziam cavalo!”
“O piloto tem que se habituar a mudar a posição do corpo para contrariar isso, mas felizmente aqui nas 600 os pilotos podem ser mais corpulentos, há mesmo uns 2 ou 3 mais altos do que eu, nas 300 nisso punha-me em desvantagem!”
“Acho que a pistas com que me vou dar melhor vai ser Portimão, embora seja capaz de ser um bocado assustador numa 600!”
“Como disse, falta-nos essa centralina que nos vai permitir reduzir sem a embraiagem e poupar mais a traseira e isso vai-me permitir reduzir 1,5 segundos...”
“Depois, o segredo é dar voltas e voltas, infelizmente choveu a pré-época toda, quase não pude treinar.”
“Acho que as pistas que são visitadas pelo GP Júnior, a maioria já conheço, mas acho que a com que me vou dar melhor vai ser Portimão, embora seja capaz de ser um bocado assustador numa 600, mas como eu vou fazer também o Campeonato Nacional... vou ter muito treino nela!”
“A próxima prova agora é Valencia, que não é uma pista que eu adoro, tem muitas curvas lentas, parece um Kartódromo, mas também não é uma pista que eu odeio.”
“Para já em Portimão é a pista aonde vou ter mais treino!”
“Claro que nós não temos informação nenhuma sobre as afinações, sou eu que tenho que ir fazendo a moto com o Pardal, e para a semana para o Campeonato Espanha aqui, já devo estar mais à vontade!”
“Mesmo que isto não seja fácil, o que importa é aprender, e para a semana talvez seja mais fácil... neste momento doem-me todos os pulsos, parece que levei com um tijolo em cada um!”
“Muitos pilotos do campeonato nacional de 600 faziam tempos piores que os meus, por isso, para segunda corrida numa 600, e para os quilómetros que tenho na moto, acho que estou muito bem!”
“Como objetivos para a semana estou a apontar entrar nos 45 baixos ou mesmo fazer um 1:44!”
andardemoto.pt @ 9-5-2022 10:49:10 - Paulo Araújo
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