Os campeões - Entrevista Domingos Cunha

Mini Enduro e TT

Dando início a uma série de entrevistas aos Campeões das várias modalidades, começámos por um dos mais jovens, Domingos Cunha, que é um novo valor do TT nacional.

andardemoto.pt @ 14-12-2023 14:00:19 - Paulo Araújo

“Este ano fui Campeão  Nacional de Mini-enduro e Campeão Nacional de Todo-terreno. Correram-me bem todas as provas, tirando uma de Enduro na Figueira da Foz que não correu tão bem, mas tirando isso foi tudo impecável… “

“Vinha em primeiro no Campeonato, se ganhasse aquela prova já só precisava de pontuar na prova seguinte para ser Campeão…”

“Houve um erro, penso que da organização, estivemos nos briefings e não explicaram bem as marcações, foi uma situação um bocado ingrata para ambos os lados…”

“No Enduro, estava habituado a seguir as setas encarnadas, e eles meteram encarnadas e amarelas, as duas ao mesmo tempo e eu estava habituado a seguir as encarnadas e às tantas segui as encarnadas e devia ter seguido as amarelas, mas pronto…”

“Nem eu, nem quase todos os pais, ninguém ouviu explicar, como faço uma corrida ao sábado e há outra ao domingo...”

“Não é vulgar haver duas marcações ao mesmo tempo, levei cinquenta minutos de penalização, mesmo assim, ainda conseguiu fazer quinto!”



“Neste momento, faço tudo, Bajas e Enduro com esta mesma moto, uma Yamaha YZ125 que tem alguma preparação especial… Como é Mini-enduro, e também nas Mini Bajas, evita-se o alcatrão e ainda não precisa de estar matriculada… Normalmente, uma prova de Enduro tem três especiais, a Enduro, a Cross e a Extreme, e nós no Mini Enduro só fazemos a Enduro e a Cross, porque a Extreme dizem que para os mais pequeninos seria impossível.”

“É claro que eu já conseguiria fazer uma Extreme, é assim mais puro enduro, pedras, troncos… uma coisa mais curta mas com mais intensidade!”

Domingos fala do seu começo com a mesma candura e transporta-nos para um dia em 2015…

“Comecei a andar de moto com 4 anos, os meus pais tinham-me oferecido uma PW50, uma Yamaha e desde ai fui sempre passando de moto para moto ao longo da minha carreira…”

“A minha primeira corrida foi em Pegões, nunca me esqueço, pusemos a PW no porta-bagagens do carro e fui à minha primeira prova…  e desde aí, portanto há 3 anos em 2020, comecei com o Enduro, na PW85...”


“Aliás foi já em 2021, fiz uma ou duas provas, depois em 2022, ai já foi mais a sério, com a 85 fui vice-Campeão e agora este ano passei para a 125 e fui Campeão, foi um Campeonato mais a sério.”

“Comecei muito novo e acho que isso também ajudou, como já referi, o meu pai ofereceu-me uma PW e na altura tínhamos uma casa em Montargil e eu comecei muito cedo a andar, andava muito, nunca em pista, mas daí foi sempre para a frente…”

“Depois quando fiz os meus primeiro campos no Offroad Camp Yamaha e a seguir integrei a equipa, evoluí substancialmente e a eles devo também o meu muito obrigado, fazem parte da minha evolução enquanto piloto e como pessoa.”

“Isto duo envolve muito trabalho, entre testes, ginásio e treinos, eu treino off-road em Santiago do Cacém que é a quase duas horas daqui, portanto interligar a escola com as motos tem sido desafiante, mas temos conseguido, (risos) penso que sem negativas.”


“Acho que o desafio tem sido mesmo esse, gosto sempre de desafios novos e principalmente de grandes desafios...”

A ilustrar essa ambição, o programa de 2024 já está delineado e é ambiciosos, como explica Domingos:

“Para o ano em princípio vou fazer o Troféu Yamaha, na mesma classe, em YZ125LC, faço também o Mini-Enduro a lutar pelo título, o Campeonato Nacional de Mini Bajas, e tirando isso, em princípio faço também o Campeonato Nacional de Enduro Sprint e ainda vamos ver se consigo fazer uma ou outra corridas das Bajas...”

“Já falámos com a Federação, em 2024 em princípio vai haver um campeonato europeu de Mini-enduro e uma das provas vai ser em Portugal, não sei se farei o Campeonato todo, mas em principio essa cá de Portugal vou fazer e vamos ver se corre bem!”

Uma olhadela casual à moto de Domingos revela imediatamente que se trata de uma máquina muito especial com alguma preparação cuidada, como o jovem explica:

“Vamos começar pela frente da moto, nos raids metemos um disco maior, um disco grande para evitar ficar sem travão da frente que já me aconteceu...”


“Depois, aparte as partes mais visual, temos a mica com luzes, protetores de mãos, o guiador, que  é fundamental, ajuda-me imenso na minha condução.

“Falando assim mais tecnicamente, temos uma suspensão Kayaba Factory, forqueta à frente e amortecedor atrás, temos o escape HGS e ponteira HGS, e uma roda de trás de 18 com que me sinto melhor, ajuda-me a curvar…”

“Gosto mais de guiar com roda de 18, tanto no troféu Yamaha como Bajas e Enduro, prefiro... parece que curva melhor, vou mais agarradinho ao chão!”

“Aqui ela está com o disco normal, o pequeno, mas para os raids ponho o disco maior. Como tive um Enduro há duas semanas, aí pus o disco normal...”

“Para já tenho só uma moto, para o ano o plano é ter outra, uma para treinos e outra para corrida, mas ainda estamos a pensar nisso, seria bom, porque entre treinos e corridas a moto está sempre a ser levada e trazida do Offroad Camp, e assim, tendo uma moto de treinos, posso ter uma moto cá e treinar mais vezes...”

“A moto veio da Yamaha, na altura pelo Dr. Filipe Almeida, a quem agradeço, adquirida ao Pedro (Barradas) através da OffRoad..”


Falando do futuro mais alargado, Domingos, que tem apenas 15 anos, não exclui uma futura participação no Dakar:

“Por acaso, é curioso, cada vez mais tenho curiosidade de ir andar de moto no deserto, navegar com Road Book, mas se me perguntassem agora se queria fazer um Dakar de moto, ainda hesitava, derivado ao perigo a que somos expostos, se fosse por agora era mais por diversão.”


“De resto, para o futuro, ainda não sabemos se seguimos o Enduro ou mais o Todo-Terreno... Agora para o ano vamos continuar com os dois, mas para competir contra os mais velhos, vamos decidir ou fazer o Campeonato de Bajas e algumas de Enduro ou fazer o Campeonato Nacional de Enduro e algumas Bajas… ainda não decidimos isso, para já estamos só com a cabeça no ano que vem, e depois decidiremos 2025...”

Quisemos saber, em auto-avaliação, os pontos fortes do jovem Campeão.

“Um dos meus pontos fortes é a minha cabeça, é rara a vez que me vou abaixo... Claro que quando estou a treinar com alguém mais rápido ou com mais técnica, ocorre-me pensar que gostava de andar assim, vou-lhe perguntar como é que ele faz porque gosto de evoluir...”

“Temos de ter humildade e admitir que este ou aquele está a andar melhor... Nesse aspeto, a minha cabeça está no sítio e a minha capacidade física também, agora com a ajuda do meu PT, evolui bastante desde que entrei no ginásio e agora vou continuar o trabalho...”

“No todo terreno, as minha referência, sem dúvida o Martin Ventura, que creceu no Off-Road Camp e aí não tenho nada a acrescentar, se calhar é o melhor piloto a nível nacional de Bajas, e que agora se vai estrar nos Rallies.”

“No Enduro, diria o meu “tio” Manuel Moura, um colega do meu pai que corre nos Veteranos e que já foi Campeão Nacional não sei quantas vezes, e para mim é uma referência, e mesmo com os seu 40 e muitos anos continua a ir ao ginásio, a treinar, bicicletas estáticas, de vez em quando na serra, e isso é impressionante!”

“Também tenho de lhe agradecer pois treino muitas vezes com ele e ando bastante com ele também...”

Obviamente, o meu pai, que foi quem me incentivou a andar de moto, e até o meu avô, que está aqui ao meu lado e sempre correu, Bajas 1000, Telecel,  embora tenha corrido de Moto4, mas é uma referência enquanto desportista e enquanto pessoa!”    

Finalmente, quisemos saber as exigências de Domingos em relação à moto:

“Eu sou um bocado estilo Hélder Rodrigues, muito exigente com a afinação da moto para cada corrida, suspensões, pneus, isso do guiador, é uma coisa que para mim é fundamental, se me chegassem o guiador, sei lá, 5mm para a frente, eu conseguia conduzir mas não me sentia bem na moto!”

“Sou um bocado exigente nessa parte graças também ao Pedro Barradas do OffRoad Camp, que me tem ensinado a ser exigente!”

“Até agora, andei sempre em Yamaha, tive uma CRF50 (Honda) mas pouco tempo, comprámos logo uma TTR90 e tenciono continuar com a Yamaha muito e bons anos!”

“O que falta aqui é poder ligar a luz da frente e poder matricular a moto, de resto é perfeita dá para Enduro, Raids, tudo!”

“Eu treino em todo o tipo de terreno, no verão mas seco porque não há pistas com lama, por causa do calor, treino em areia, seco, lama... mas quando treino em areia, escolho areia densa, quando treino em lama, é mesmo intenso, é 8 ou 80!”

Assim quando apanho uma corrida mais difícil venho com um treino hardcore desse terreno...”

“Numa semana típica gostava de conseguir treinar de moto duas ou 3 vezes, mas tem sido impossível, com tantas corridas que temos tido este ano, tenho sempre a moto lá no OffRoad Camp a preparar, com o mecânico Carlos Cambalhota a quem também agradeço imenso porque tenho sempre a moto impecável.”

“Ginásio, treinos duas vezes por semana, uma hora cada dia e às vezes quando tenho cá a moto ando durante a semana com o tio Manuel, cuja propriedade para isso é um

cuja propriedade para isso é um paraíso!"

A concluir quero agradecer também ao Fernando Pinhel, que já não está cá, mas foi uma peça mais do que fundamental na minha evolução enquanto piloto e pessoa, foi importantíssimo na minha vida...”




andardemoto.pt @ 14-12-2023 14:00:19 - Paulo Araújo


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