O futuro da MotoGP

novas motos e regras em 2027

Uma mudança radical está na calha para tornar o MotoGP mais seguro, mais sustentável e ainda mais espetacular, com a chegada de novas motos e novos regulamentos em 2027.

andardemoto.pt @ 7-5-2024 10:38:00 - Paulo Araújo

Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp

O MotoGP vai introduzir novas motos a partir de 2027, a par com novos regulamentos, definidos segundo o promotor para tornar o desporto mais seguro, mais sustentável e ainda mais espetacular.

De acordo com a Dorna, as novas máquinas serão mais relevantes para as atuais máquinas de estrada e mais eficientes, impulsionando a sustentabilidade global, e foram concebidas para criar corridas ainda melhores com maior emoção e ainda mais ultrapassagens.

Para começar, a cilindrada dos motores vai ser reduzida dos atuais 1000cc para 890cc. Isto vai reduzir a potência e velocidade máxima e aumentar a fiabilidade dos motores. A redução será efetuada através da limitação do diâmetro de cada cilindro de 81 para 75 mm.

A concessão de motores por época será reduzida de 7 para 6 por moto, e a capacidade do depósito reduzida de 22 para 20 litros, impondo por sua vez consumos mais moderados.



Nas corridas de Sprint, a atual capacidade de 12 litros será reduzida para 11.

O combustível a empregar será 100% sustentável, ou através de gasolinas sintéticas, ou bio.

Na aerodinâmica, a largura das aletas dianteiras desce de 600 para 550 mm, e recua em relação à dianteira da moto 50 mm, reduzindo o seu efeito na roda dianteira. Na traseira, as equipas poderão homologar uma solução que será depois fixa o resto da época.

Em termos de suspensão, os ajustadores de altura serão banidos, e os dados GPS de uma equipa serão facultados a todas as outras, uma ajuda às equipas menos avançadas e uma equalização tendente a criar mais equilíbrio e logo, corridas mais próximas, com mais ultrapassagens.

Claro que, lendo nas entrelinhas, tudo isto é uma tentativa de dar resposta a várias questões que se têm vindo a levantar, nomeadamente o advento de uma geração atual de motos rápidas demais, complicadas demais, e portanto, potencialmente perigosas.



Num contexto em que as atuais motos estão a orçar os 260 cavalos e a atingir quase 400 Km/h, tornaram-se ao mesmo tempo difíceis de guiar, não da forma física que era difícil pilotar uma 500 há 20 anos, mas por causa de toda a eletrónica com que o piloto tem de lidar ao longo de uma prova, bastando olhar para o módulo de comando de uma MotoGP moderna para nos assustar:

Há comandos e manípulos para o controlo de tração, controlo de wheelie, controlo da velocidade no pit lane, controlo de arranque, dispositivo para prender e soltar a suspensão na partida, dispositivo para alternar entre vários modos de injeção e de resposta do motor, ajuste do movimento das manetes à medida que as pastilhas gastam e da reação da suspensão à medida que o balanço de peso muda na moto com o consumo do combustível no depósito, e um modo de alternar entre o menu de informação no painel LED do tablier, que permite à equipa enviar informação ao piloto.

Isto são as que toda a gente conhece e toda a gente tem, não impedindo que uma ou outra marca tenha ainda mais recursos de que não estamos cientes neste momento.



Por exemplo, através da ligação GPS, a moto “sabe” em que ponto do circuito está e a suspensão ou reação de acelerador podem ser ajustadas para uma determinada curva.

Ora, segue que um piloto concentrado na pilotagem dificilmente consegue lidar com isto tudo, e um que comece a preocupar-se demasiado com os botões à sua frente, dificilmente se concentrará a 100% na pilotagem…

Depois, há ainda a aerodinâmica: asas, aletas, escamas de dragão, apêndices nos lados, frente, trás e fundo a dificultar a pilotagem e a provocar reações imprevisíveis, ou a dar motos que estão tão agarradas ao chão que não querem mudar de direção, resultando em esforço físico excessivo para os pilotos ao longo dos 40 minutos de uma corrida média de MotoGP…

Ainda não aconteceu, mas quanto tempo decorreria até um destes apêndices, verdadeiras lâminas leves mas muito rígidas, ferir um piloto (ou comissário à beira da pista, se se soltar a 300 Km/h) gravemente?

Por outro lado, o desenvolvimento técnico está entalado numa estreita faixa entre, para cima, ao aumentar as prestações, tornar as motos perigosas e inguiáveis e, para baixo, ao reduzir desempenho, torná-las mais lentas que uma Superbike, que custando um quinto de uma MotoGP, nalguns circuitos rodam a 2 ou 3 segundos dos tempos destas.

Já várias vezes ouvimos pilotos e até técnicos protestar que as motos se estão a tornar físicas demais, rápidas demais, ou até perigosas. 

Claro que um promotor nunca vai admitir isto apresentando as mudanças acima, que visam corrigir este estado de coisas, como uma melhoria positiva em nome da evolução e tendente a tornar o espetáculo mais empolgante… Oxalá que assim venha a ser!

andardemoto.pt @ 7-5-2024 10:38:00 - Paulo Araújo


Clique aqui para ver mais sobre: Desporto


Facebook Twitter Pinterest LinkedIn WhatsApp