BMW S1000RR - Desportiva com vocação turistica
Feita para as pistas, esta super-desportiva pisca o olho a uma utilização em estrada. O botão do controlo de velocidade foi o mote para este teste.
andardemoto.pt @ 7-12-2015 03:51:50
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Apresentada ao mundo em 2009 e reformulada em 2014, esta superdesportiva alemã divide as opiniões dos fanáticos da velocidade entre a polémica estética e a performance arrasadora. A mim, fascina-me pelas prestações dinâmicas e pela facilidade e rapidez com que se conseguem atingir velocidades estratosféricas, sempre com uma grande sensação de segurança.
Já por várias vezes tinha tido a oportunidade de dar "umas voltinhas" neste modelo, mas nunca com a preocupação de escrever um teste. E sinceramente, quando saí das instalações da BMW com esta unidade que podem apreciar nas fotos, quase que amaldiçoando o meu metro e oitenta de altura e os meus oitenta quilos de peso pelo facto de não conseguir encontrar uma posição de condução confortável, também não tinha qualquer intenção de escrever o que quer que fosse sobre ela.
Mas quando, passados alguns quilómetros, depois de descobrir a melhor maneira de me encaixar, e depois de ter recordado as sensações que resultam de uma relação de peso/potência de quase um cavalo por quilo, e depois de ter podido sentir a sua estabilidade e de ter desfrutado das ajudas electrónicas, nomeadamente nas saídas das curvas, já para não falar na enorme capacidade de travagem, decidi que podia, ou melhor devia, escrever a minha opinião.
Até porque conheço muito motociclista para quem uma moto a sério é uma desportiva, apesar de nunca ter pisado o asfalto de uma pista. E muitos deles usam-nas no dia-a-dia ou mesmo em viagem. Afinal, não foi por acaso que a BMW decidiu instalar um "Cruise Control" numa moto deste género. E muitos deles ficam completamente perdidos ao lerem as descrições super técnicas de alguns jornalistas, focadas no desempenho em pista e alheias a um desempenho em estrada.
Este seria o momento ideal para começar a desbobinar todas as "guloseimas" tecnológicas que esta moto integra na sua essência. Um verdadeiro compêndio tecnológico dedicado a tornar civilizada toda a selvageria inerente a um propulsor que debita 200cv sobre um conjunto com apenas duas rodas e cujo peso pouco passa dos 200kg. Mas isso seria uma perda de tempo, pois o que conta realmente é o resultado.
E só quem já experimentou o débito de potência deste tetracilíndrico quando de punho trancado o regime de rotação passa as 8.000 rpm e galopa alucinantemente até às 12.000 rpm, é que pode perceber a importância e dar o devido valor a toda a complexidade electrónica que permite manter a roda dianteira colada ao chão. Ou quando, por mais violenta que seja a rotação do punho direito, a borracha traseira se mantém igualmente colada ao alcatrão. Sobretudo em curva.
Isto para quem não gosta de acrobacias, pois a S1000RR disponibiliza vários modos de condução, sendo inclusivamente possível prescindir quase em absoluto das ajudas electrónicas. Mas para isso é preciso ser-se ou completamente louco, ou um sobredotado e feliz ou infelizmente eu não me qualifico para tal. Limitei-me ao modo Race, o mais agressivo dos três modos de série. Mas não passei daí! Até porque, com muita pena, não pude experimentar o "Launch Control" ou controlo de arranque, disponível nos modos "Pro".
Assim, já em jeito de resumo, e para além das sensações que o motor é capaz de proporcionar, houve momentos que me marcaram e que merecem destaque: a facilidade com que se entra em ângulo, a precisão da direcção, a brutal capacidade de travagem e, ao mesmo tempo, a sensibilidade que as manetes transmitem, são difíceis de esquecer.
A suspensão garante um conforto acima da média neste segmento. Esta unidade estava dotada de DDC (Dynamic Damping Control), ou suspensão de regulação electrónica que se ajusta sozinha às condições do piso e à forma de condução, e que se regula também automaticamente de acordo com o modo de condução seleccionado. Sendo mais macia nos modos Rain e Sport, é mais rija nos modos Race e Slick, mas ainda assim permite um ajuste personalizado ao gosto ou à necessidade de cada condutor ou piloto.
Como pontos negativos não posso deixar de referir o consumo elevado e a escassa capacidade do depósito de combustível que limitam substancialmente a autonomia. Para o meu tamanho, a protecção aerodinâmica é escassa, o assento é demasiado rijo e a posição de condução é acanhada com os joelhos bastante dobrados e muito peso em cima dos pulsos, facto agravado a circular a baixa velocidade. O calor emitido pelo motor faz-se sentir fortemente, sobretudo quando se aumenta o ritmo de condução. A caixa de velocidades, apesar do "quick shift", tem um accionamento bastante rijo.
Mas por outro lado, a iluminação é excelente, os espelhos retrovisores cumprem bem a sua missão e o descanso lateral é bastante firme.
A versão aqui apresentada estava bem acessorizada, com diversos opcionais como o sistema de alarme, as manetes especiais e as protecções do motor, e com os "packs" Race (controlo de tracção dinâmico, modos de condução Pro e Cruise Control) e Dynamic (Quick Shift e Suspensão de regulação electrónica), sendo o seu valor final de 20.800,98 €.
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Para mais informações consulte o concessionário mais perto de si.
andardemoto.pt @ 7-12-2015 03:51:50
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