Teste duplo Yamaha XV950 Racer / Harley Davidson Sportster 48 - Um espectáculo
Há motos que nascem para serem apreciadas, para serem vistas, mostradas e exibidas. Motos que definem um estilo, uma época, um estado de espírito. Motos que se moldam ao nosso imaginário de liberdade e rebeldia. Aqui ficam dois bons exemplos.
andardemoto.pt @ 25-1-2016 01:20:51
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Harley Davidson Forty-Eight | Moto | SportsterYamaha XV950 Racer | Moto | Sport Heritage
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
São baixas, longas, esguias e evocam tempos antigos. São simples, tanto estética como mecânicamente. Estão ambas prontas para serem modificadas de acordo com as nossas preferências, e para serem sobretudo exibidas e contempladas. Dão vontade de ser olhadas de um lado, do outro e de diversos ângulos. São motos que se descobrem devagar, pausadamente, ao ritmo de uma conversa entre amigos, ao ritmo de uma bebida, ao ritmo de um cigarro.
Neste caso particular, a base mecânica destas duas motos é muito semelhante: Motor bicilíndrico em "V", quadro tubular, guiador afastado, transmissão final por correia, peso a rondar os 250kg, e uma altura do assento ao chão a rondar os 700 mm.
Uma bebeu inspiração nas "bobber" americanas do pós-guerra, com pneus gordos e uma frente possante, tipo cão de fila pronto para atacar. É americana de gema. É a Harley-Davidson Sportster Forty-Eight, uma "Dark Custom" reconhecida ao longe pelo pequeno depósito de combustível "Peanut" com capacidade para pouco menos de oito litros de combustível, e que realça a imponência do "big Twin" que lhe serve de apoio. Guiador largo, pés em posição avançada, este modelo de 2016 lava-nos a alma com o vento que abraçamos aos seus comandos.
A outra contrapõe com a cultura "Ton-Up" britânica do final da década de 50. Esguia e reduzida ao essencial, com linhas simples e harmónicas, o seu único luxo são as placas de número que ostenta de ambos os lados e que evidenciam a tendência desportiva. É uma cafe racer por direito, apesar da sua origem oriental.
O guiador estreito e o assento com o remate curvo fazem lembrar imediatamente o som da "juke box", e o pequeno apêndice aerodinâmico que cobre o farol, evoca as corridas à volta do quarteirão, os casacos de pele cheios de "patches" sujos e ilhós cromadas. É a Yamaha XV 950 Racer, uma ilustre membro da família "Sport Heritage" da casa de Iwata.
São motos alternativas que em andamento oferecem sensações diferentes e apenas a sua filosofia é equivalente.
A "Forty-Eight" incentiva a rolar despreocupadamente, a apreciar a paisagem, a acelerar nos arranques e a negociar as curvas com toda a tranquilidade do mundo. Desfruta-se pela cadência sincopada do motor, pela nota robusta do escape e pela sensação de sermos donos do mundo.
A XV 950 Racer incentiva ao desassossego, a ignorar a paisagem e a apreciar o embalo das curvas, a negociar a travagem "in extremis" e a enrolar o punho uma e outra vez, alternando com intermináveis passagens de caixa até que a alma, ou o fundo das costas, nos doa. Desfruta-se pela sensação de sermos os mais rápidos do mundo.
Tanto numa como noutra o conforto é relativo e dispensável. O curto curso das suspensões, a pouca alavanca proporcionada pelos guiadores, a posição esticada da condução e o peso elevado do conjunto, aliados a uma protecção aerodinâmica francamente escassa, condenam estas motos, a menos que se seja masoquista, a uma utilização sobretudo urbana e de lazer, em percursos curtos por bom piso.
O que estas motos têm em comum é o facto de se prestarem a estar em permanente evolução. A personalização é mais do que fundamental e é aceitável que se torne compulsiva e obcessiva. É um culto que justifica uma dedicação maternal em busca da perfeição. Se na Harley-Davidson é imperativo reforçar o estilo e a exclusividade, na Yamaha é fundamental melhorar as prestações.
Saídas do Stand, ambas necessitam de atenção e de alguma preparação para satisfazer até mesmo os proprietários menos exigentes.
E se neste caso, a Forty-Eight que testámos já tinha instalado um "kit" "Stage One", com um filtro de ar mais permissivo e uns escapes bem sonantes que revelam todo o carisma do "V-Twin", a XV 950 Racer ainda se apresentava "virgem" e "cândida", a exigir alguma atenção urgente, nomeadamente ao nível do som e ao nível estético, sobretudo no caso dos deselegantes piscas de série, demasiado grandes e ainda iluminados por volumosas lâmpadas de incandescência, que fazem quase desaparecer o farolim traseiro, muito elegante, original e em LED.
Mas ambas as marcas disponibilizam uma gama de acessórios e componentes que permitem apurar as prestações mecânicas, dinâmicas e sonoras, bem como o estilo de cada uma delas. Isto para quem não pretenda ser ainda mais radical!
Galeria de Fotos
Para resumir, e tratando-se de motos muito semelhantes em termos de ficha técnica, é impressionante que a Harley-Davidson Sportster Forty-Eight parece muito mais pesada do que a Yamaha XV 950 Racer, Esta americana é bastante mais difícil de manobrar, mas por outro lado recompensa-nos com a sonoridade e o binário do motor Evolution 1200 que nos satisfaz em cada arranque e em cada retoma.
Por outro lado, a Japonesa oferece uma ciclistica bastante mais ágil, inspirando muita confiança em andamentos mais rápidos. Ainda assim, a inclinação lateral que disponibiliza é pouca, sendo muito fácil raspar no chão com os avisadores dos poisa-pés. Por falar neles, e quando parados com os pés no chão, a sua posição implica bastante com os tornozelos, obrigando a abrir demasiado as pernas.
Mas tudo isto é secundário. Afinal, o que se pretende mesmo, é que estas motos sejam um espectáculo que nos encha de orgulho e nos faça sentir realizados quando as contemplamos.
Resta-nos agradecer a disponibilidade ao Luís Ferreira e ao Bruno Gonçalves, a simpatia ao "Staff" da Alma Danada - Associação Criativa, que faz a gestão do espaço Cine Incrível, e a paciência ao pessoal da Impact Custom Tatoo & Piercing.
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