Mundial MotoGP- Silverstone – Antevisão
O Mundial de MotoGP deste ano está ao rubro em
todas as 3 classes. Ironicamente, a que é normalmente a mais competitiva, a
Moto3, tem sido este ano dominada praticamente por um só piloto.
andardemoto.pt @ 24-8-2017 10:50:00 - Paulo Araújo
O Mundial de MotoGP deste ano está mais ao rubro que nunca, e isto em todas as 3 classes. Ironicamente, a que é normalmente a mais competitiva, a Moto3, tem sido este ano dominada praticamente por um só piloto, Joan Mir, que tem 7 vitórias em 11 corridas e como tal tem uma soberba vantagem de 64 pontos sobre o seu rival mais próximo Romano Fenati, que tem 154 pontos à chegada a Silverstone.
Aron Canet é um terceiro, a "apenas" 78 pontos do
líder, mas numa categoria em que tentar prever os pilotos do pódio já é
difícil, mais ainda é prognosticar o vencedor. Este ano só quatro pilotos venceram corridas
até agora, e Mir podia dar-se ao luxo de nem aparecer em duas provas e liderar
ainda o campeonato por boa margem...
Na Moto2 está tudo mais próximo, com os primeiros três pilotos separados por apenas 54 pontos, e o próprio Miguel Oliveira em quarto a apenas mais 20. Morbidelli tem dominado sem questão, tendo até agora ganho, também ele, 7 das 11 provas.
Incrivelmente, também aqui em
Moto2 só ganharam 4 pilotos, mas a regularidade de outros como Oliveira,
Bagnaia ou Nakagami (já confirmado em MotoGP para o ano, onde substituirá
Crutchlow na Honda de Lucio Cecchinello), mantêm-nos perto do topo. Mais uma vez,
com 175 pontos em jogo das 7 corridas restantes, nada está garantido.
E chegamos então à MotoGP.
Chegamos, habituados a épocas em que apenas um piloto, fosse ele Marquez, Lorenzo, ou Rossi, para não irmos muito longe, dominava claramente a categoria. No dia da corrida era o pacote mais forte, o que melhor tirava mais partido da moto, pneus e pista e atacava no momento certo, que vencia. Se nem sempre era possível ganhar andava lá perto e, não raro, a três ou quatro corridas do fim do campeonato, já se adivinhava o vencedor, tirando algum interesse à categoria.
Este ano, está tudo invertido: Não só 5 pilotos já ganharam provas de MotoGP, como apenas 16 pontos, facilmente invertíveis numa única corrida se as coisas correrem menos bem, separam o actual líder Marquez, do resto do pelotão.
Primeiro foi a Yamaha, ou melhor, Viñales, que ganhou 3 das primeiras 5 provas. Depois, a Ducati começou a acertar na mouche, levando 3 das últimas 6, e pelo meio, a Honda foi ultrapassando dificuldades para ganhar 3 vezes com Marquez, igualando o número de vitórias de “Dovi” ou Viñales, e Pedrosa, que apesar da sua única vitória em Jerez, tem sido incrivelmente consistente.
Mais, se fizermos o mesmo exercício de subtrair 100 pontos aos do líder, em vez de abarcarmos apenas os primeiros 4, como nas outras classes, temos uma longa fila que nos leva até Danilo Petrucci em 10º lugar, com 75 pontos!
Há que referir ainda ocasiões em que pilotos como o próprio Petrucci, mas também Zarco e Folger, só não venceram corridas por acaso, o que a ter acontecido espalharia mais ainda os pontos...
Houve 10 pilotos a pisar o pódio na MotoGP, assim como em Moto3, contra apenas 7 pilotos a subir ao pódio em Moto2. Ou seja, num comentário mais “perto de casa”, Miguel Oliveira batalha naquela que é, de momento, a classe mais difícil do Mundial...
Mas analisemos um pouco mais de perto a “classe rainha”.
A Honda, que lidera neste momento com Marc Marquez, não pode esconder que 2017 tem tido uma época cheia de problemas, mesmo em relação às Yamaha, com dificuldades de inserção em curva, e em relação às Ducati, com défice de velocidade de ponta ou saída em aceleração. Só o talento e regularidade dos seus pilotos tem salvo o orgulhoso HRC do descalabro completo, e conseguindo ainda nada menos que 6 pódios onde ambos Marquez e Pedrosa pisaram o pódio, permitindo ao diminuto Catalão comandar esta fase da luta pela conquista do título.
Por outro lado, as 3 vitórias de Marquez igualam as de Dovi e Viñales, e também eles estiveram nos treinos em Misano à procura de mais consistência. Eventualmente a Honda definiu uma estratégia que permita a Marquez aumentar o seu palmarés de 2 vitórias e 5 "poles" em Silverstone, circuito onde Pedrosa nunca ganhou.
A Yamaha tem justas aspirações a bons resultados em Silverstone, depois do teste em Misano, há dias, e considerando que Viñales já venceu no traçado de Northamptonshire em Moto2 e aí se estreou nas vitórias em MotoGP no ano passado, será um forte candidato à vitória. Valentino Rossi também venceu aqui em 2015, e ficou no pódio em 2014 e 2016. Já, agora, atenção às carenagens das M1 com a imagem da campanha “#Rodamos Juntos”, que promove a convivência sã entre ciclistas e motociclistas.
A Ducati chega a Inglaterra em alta, tendo conseguido não só a vitória na Áustria, mas também colocar Jorge Lorenzo logo a seguir ao pódio. O rápido traçado de Silverstone, onde as motos passam tanto da volta ao circuito inclinadas a grandes velocidades, só pode favorecer quer o estilo arrojado dos seus pilotos, quer as incríveis capacidades da Desmosedici 2017 para extrair o melhor dos pneus Michelin que se têm revelado uma dor de cabeça para algumas equipas, esta época.
Dovi já teve 3 pódios em Silvesrstone e Lorenzo é um três-vezes vencedor, em 2010, 2012 e 2013. Também a Ducati testou em Misano Adriático há dias, e as suas máquinas devem dar-se bem no mais longo e um dois mais velozes circuitos do Campeonato.
Mas nunca podemos esquecer os “outros” protagonistas, especialmente tendo em conta as ferozes exibições de Zarco, que foi a melhor Yamaha na Áustria, e Folger, isto para só falar das Tech 3... mas há também Crutchlow a jogar em casa, as Ducati privadas, e as Suzuki, Aprilia e KTM, que têm vindo a melhorar de corrida para corrida, e podem lançar a confusão no pelotão... Resumindo: um Grande Prémio a não perder!
andardemoto.pt @ 24-8-2017 10:50:00 - Paulo Araújo
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