Teste Honda CRF1000L Africa Twin Adventure Sports - O nível acima

Porque há motociclistas que têm grandes ambições, a Honda decidiu elevar o nível de equipamento e conforto da sua moto de culto, e criou esta versão Adventure Sports da CRF1000L, que acaba de apresentar ao mundo!

andardemoto.pt @ 12-2-2018 20:00:00

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Honda Adventure Sports - Africa Twin | Moto | On/Off Road

Revelada no último Salão de Milão, o EICMA 2017, a Honda CRF1000L Africa Twin Adventure Sports representa o nível acima para os motociclistas que gostam de grandes aventuras. Mais bem preparada para enfrentar obstáculos e grandes viagens, com maior capacidade de carga e mais conforto, ela é a resposta às preces dos fãs da marca.

A apresentação à imprensa internacional foi feita em finais de Fevereiro de 2018, nos arredores de Málaga, tendo a Honda preparado um programa muito completo que, apesar do frio, permitiu um contacto bastante interessante com esta sua nova coqueluche. 

Um primeiro dia de teste, por estradas asfaltadas, e uma manhã do segundo dia, com pneus de tacos, a explorar as belezas naturais mais inacessíveis da região da pré-cordilheira Bética, por estradas de macadame, algumas em bastante mau estado, foram mais do que suficientes para poder perceber que a nova “Adventure Sports” tem tudo para encantar muito boa gente.

A começar na irrepreensível qualidade de construção até aos pormenores como os pisca-piscas que se desligam sozinhos… ou também sozinhos se acendem em caso de travagens de emergência, tudo na Adventure Sports foi pensado em prol da funcionalidade, do conforto e da robustez.

A Adventure Sports nasce da mesma base da Africa Twin normal, que para 2017 também apresenta ligeiras alterações que a tornam ainda mais apetecível.

Disponível em versão com caixa de velocidades normal, que já conta, em opcional, com “quickshifter” integral de sensibilidade regulável electronicamente, ou em versão DCT, com embraiagem dupla que transforma a caixa de velocidades em automática, a Africa Twin alarga assim a sua gama, para melhor responder às exigências do mercado.

Mas o novo painel de instrumentos, plano e em LCD de única peça é, talvez, a alteração que mais salta à vista. No entanto, são bastantes os pormenores que tornam diferente a Africa Twin de 2018.


O acelerador “ridebywire” (ou “throttle by wire" como a marca o define), é um desses “pormenores”, que reverte numa melhor resposta do motor e proporciona 4 níveis de débito de potência: Tour, Urban, Gravel e User, o modo em que o utilizador pode escolher a sua conjugação preferida dos diversos parâmetros disponíveis: débito de potência, intensidade do travão motor e nível de intervenção do controlo de tracção, que agora tem 7 opções possíveis.

Também a ponteira de escape, ligeiramente mais pequena, passa a ter apenas 2 estágios em vez dos 3 anteriores, facto que reverte a favor de um som mais límpido e forte, acentuado pela ignição a 270º. O peso total foi reduzido em 2 quilos, graças à utilização de uma nova bateria que garante uma longevidade 4 vezes superior. E os raios das rodas de 21 e 18 polegadas são agora em aço inoxidável.

Relativamente à versão normal, a nova Adventure Sports, disponível apenas num único esquema cromático comemorativo do 30º aniversário da “XRV”, a mítica vencedora do Dakar na qual se inspira, pesa apenas mais 13kg.

Apresenta uma posição de condução mais elevada, graças a suportes específicos que colocam o guiador 32,5mm mais acima e 6,5mm mais perto do condutor.

Uma maior autonomia (a Honda anuncia valores superiores a 500km), conseguida à custa de um consumo reduzido (no final do primeiro dia de teste os computadores de bordo das diversas motos que pude inspecionar revelavam todos valores ligeiramente abaixo dos 6 litros, sendo que nenhuma foi poupada) e um depósito de combustível de maiores dimensões, com capacidade para 24,2 litros (18,8 litros na versão normal).

Uma protecção aerodinâmica também melhorada, graças a um ecrã maior e 8cm mais elevado, promove uma mais eficaz protecção na condução em pé, e fomenta uma maior apetência para as grandes tiradas.

Em termos de ergonomia houve modificações, e os poisa-pés são maiores, em ambos os modelos, facto que a par com o alteração dos parafusos dos suportes de poisa-pés do passageiro, e do assento plano, no caso da Sport Adventure, garante mais espaço e maior liberdade de movimentos ao condutor.

O curso das suspensões completamente reguláveis da Adventure Sports, é 20mm mais longo que o da versão normal, o que confere também uma altura livre ao solo superior em 20mm, e um assento mais alto, regulável, a 900/920mm do solo (870mm na versão normal da Africa Twin).

Claro que, mal nos sentamos na Adventure Sports, temos a sensação de ser capazes de conquistar o mundo, e o maior volume do conjunto, o maior peso, a maior altura do assento e o maior curso da suspensão, fazem toda a diferença, apesar de cobrarem dividendos em termos de agilidade e facilidade de manobra, sobretudo aos condutores de mais baixa estatura.

No asfalto, o aprumo da ciclística confere uma grande confiança, com a direcção bastante incisiva, apenas um pouco mais lenta na resposta do que a versão normal, e uma travagem muito eficaz, com comandos bastante doseáveis e uma mordida inicial forte e decidida, sem ser demasiado brusca. 

O ABS apenas se nota mais interventivo numa condução rápida em pisos menos consistentes, onde a ritmos mais elevados peca por a sua acção sobre a roda dianteira não poder ser desligada.

O motor tem uma resposta rápida e a sonoridade é quase divina, sobretudo quando orquestrada pelo “quickshifter”. O elevado binário do bicilíndrico revela-se um precioso companheiro em estradas de montanha, evitando frequentes trocas de relação de caixa, mostrando-se sempre disponível para empurrar o conjunto, sem qualquer dificuldade.

O conforto é elevado, com as suspensões a absorver até mesmo os grandes impactos, sempre sem qualquer problema, e o assento bastante largo e suficientemente firme, mas sem se revelar demasiadamente duro, contribui para uma experiência de condução irrepreensível. A posição de condução em pé é bastante boa, com o guiador a cair naturalmente nas mãos e os pés firmemente apoiados, e bastante espaço para mexer os joelhos.

A posição dos comandos é bem conseguida, e o selector da electrónica é bastante fácil de usar, incidindo sobre menus a que é necessária alguma habituação. Os punhos aquecidos são equipamento de série, assim como as protecções da carenagem, do motor e do cárter.

Também tive a oportunidade de testar a minha favorita versão com DCT, sistema que também foi revisto e que agora conta com efeito “blipper” (acelera sozinho) nas reduções, e que se nota ainda mais suave nas passagens de caixa, com o modo “S” a ser ainda mais desportivo, sobretudo no seu 3º nível, que consegue manter o motor a regimes bastante elevados, sem passar de relação, tornando a condução "desportiva" muito mais interessante.

Como ponto menos positivo, é impossível não mencionar a ausência de “cruise control” ou controlo automático de velocidade, um “gadget” que pessoalmente me agrada imenso, e com que a maioria das motos concorrentes já conta.

Confrontei mesmo o Test Project Leader da Honda, Tanaka san, sobre qual a razão desta sua decisão, e a sua resposta foi que, de facto, o assunto foi considerado, mas acabou por ser rejeitado por a Adventure Sports ser um modelo mais vocacionado para a aventura do que para estrada.

De qualquer forma, pelo nível de equipamento, pela qualidade de construção, pela facilidade de condução e pelo conforto que proporciona, esta nova Honda Africa Twin Adventure Sports é uma moto muito equilibrada a todos os níveis, e deve ser uma opção a ter em conta caso procure uma moto para grandes viagens, seja a solo ou com passageiro, e para qualquer tipo de estrada.

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