Comparativo Honda Forza 125 / Yamaha X-Max 125 - Opções de luxo!
As scooters “premium” 125 cc da Honda e Yamaha enfrentam-se num comparativo extremamente renhido! Forza ou X-Max: qual delas é a melhor?
andardemoto.pt @ 29-1-2018 22:00:39 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: ToZé Canaveira
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Honda Forza 125 | Scooter | ScootersYamaha XMAX 125 | Scooter | Sport Scooters
Quando se fala em mobilidade urbana, a grande maioria das vezes referimo-nos a modelos de cilindradas mais baixas, em que o que interessa é a facilidade de utilização no meio urbano. A simplicidade é a palavra chave, os custos são um fator importante e devem ser o mais reduzidos possível. Mas, e como em tudo na vida, há outras opções para além do “simples” ou do “mais barato”.
As scooters “premium” 125 cc são por isso a escolha óbvia para os motociclistas que procuram liberdade de movimentos na cidade, mas que pretendem ao mesmo tempo manter um nível de conforto e sofisticação acima da média.
Nesse sentido, juntámos num frente a frente duas das opções mais destacadas do segmento: a Honda Forza 125 e a Yamaha X-Max 125.
Ainda antes de entrarmos na análise do comportamento dinâmico de ambas, convém falarmos dos motores, pois só assim ficamos com uma melhor ideia de como a Honda e a Yamaha estão tão equilibradas entre si.
O motor, em ambas, é um monocilíndrico Euro4, SOHC, com o da Honda quase a tocar nos 125 cc, mais especificamente 124,9 cc, enquanto que o da Yamaha fica ligeiramente abaixo com 124 cc. O equilíbrio continua quando olhamos para as performances prometidas por cada um dos motores: a Honda atinge o limite dos 15 cv e a Yamaha fica nos 14 cv, sendo novamente marginal a diferença que cada motor apresenta ao nível do binário máximo, 12,5 Nm para a Forza contra 12 Nm da X-Max.
Neste particular, as diferenças fazem-se nas rotações, com a Honda a espalhar a potência e binário ao longo de uma gama de rotações mais alargada, veja-se por exemplo o binário que atinge o pico às 8250 rpm, enquanto a Yamaha preferiu concentrar o binário mais abaixo, às 6500 rpm.
Na ciclística, e ao contrário do motor, as diferenças já começam a ser maiores, especialmente nas dimensões de cada scooter.
A Honda trabalhou intensamente para fazer com que esta geração da Forza 125 seja o mais leve possível, veja-se por exemplo a decisão juntar no mesmo elemento o motor de arranque e o alternador, enquanto no lado direito do cárter encontramos integrado o pequeno radiador. O resultado desse trabalho acaba por se refletir de forma notória no peso do conjunto, com a Forza a ostentar uns “leves” 159 kg a cheio.
Do lado da Yamaha, o facto da nova X-Max 125 se aproximar em termos de aspeto e dimensões às suas irmãs mais poderosas de 300 e 400 cc, faz com que a scooter de Iwata fique penalizada no peso, com 175 kg a cheio. Por outro lado ganha em aspectos como discos de maiores dimensões, 267 e 245 mm, um depósito de 13 litros, e um painel frontal que oferece uma protecção aerodinâmica bastante assinalável, apesar do design desportivo.
E por falar em frontal, a Honda conta com um ecrã ajustável em altura sem recurso a ferramentas (na Yamaha são necessárias ferramentas), mas a Forza não protege tão bem do vento nem os ombros do condutor nem o capacete, como acontece com a X-Max. Na Honda, há ainda a considerar algum ruído causado pela turbulência, com alguns modelos de capacete.
Ainda antes de arrancar para uma análise ao comportamento dinâmico, e com ambas lado a lado, uma primeira “vista de olhos” permite perceber que os acabamentos e a qualidade estão num nível muito elevado! Afinal de contas, estamos perante duas propostas que, em termos de preço, tocam nos 5000 €.
Seja na Forza ou na X-Max, é quase impossível encontrar defeitos na pintura ou soldaduras menos bem acabadas.
Os plásticos, e estamos a falar de inúmeros painéis, encaixam perfeitamente uns nos outros. O assento da Yamaha inclui uma pequena inserção metálica com o logo X-Max e ruídos parasitas apenas os encontrei na Forza, e só quando o ecrã está na sua posição mais elevada. O ecrã em si vibra em piso degradado, o que causa bastante ruído, como se o mecanismo estivesse solto.
Pronto para arrancar, com as chaves no bolso, afinal o sistema “keyless” é equipamento de série em ambas, o condutor da Honda é recebido por um espaço extremamente agradável: o assento largo oferece um bom suporte lombar, e o guiador bem posicionado permite que os braços fiquem numa posição descontraída.
Uma verdadeira scooter para executivos, com um espaço ligeiramente mais acanhado na plataforma, onde os joelhos acabam por ficar mais fletidos, mas não em desconforto.
Na Yamaha o cenário é idêntico, brilha aí o painel de instrumentos, mais desportivo e com ecrã LCD de maiores dimensões, com melhor leitura das inúmeras informações, sendo que o assento a 795 mm de altura é 15 mm mais alto e menos largo do que na Honda. Apesar disso, o apoio lombar, para mim, é melhor na X-Max do que senti na Forza, mas o “feeling” da posição de condução da X-Max é de cariz desportivo, e isso poderá não agradar a todos. De referir que o espaço para as pernas é melhor na Yamaha do que na Honda.
Já em andamento, a leveza da Honda Forza 125 é imediatamente notada nas trocas de direção e nos arranques a cada semáforo. Assim que o sistema “Stop&Start” acorda o motor eSP da Honda, rodar o acelerador significa que a Forza rapidamente atinge os 100 km/h, sem vibrações, sem sobressaltos, e sem falhas na entrega de potência.
O menor peso compensa a entrega de binário mais acima nas rotações, conforme já referi, e a Forza demonstra uma ligeiríssima vantagem em termos de aceleração, quando comparada com a Yamaha X-Max.
Na Yamaha o motor monocilíndrico não conta com “Start&Stop”, está sempre a trabalhar, e isso acaba por se refletir num consumo ligeiramente superior, com a média a atingir os 3,4 litros, enquanto na Honda a média não foi além dos 3,1 litros por cada 100 quilómetros.
O que o motor da X-Max tem é um carácter desportivo, sente-se desenvolto na subida de rotações, embora com menos pulmão até aos médios regimes do que a rival. Mas a partir das 7000 rpm a X-Max começa a recuperar e atinge uma velocidade máxima de 125 km/h, contra os 120 km/h que visualizamos no velocímetro da Honda, e já com o monocilíndrico da Forza a mostrar esforço para acompanhar a rival.
Não é só o facto da X-Max fazer mais alguns quilómetros por hora que a rival, o que compensa em parte a menor aceleração, mas sim a facilidade com que os faz. O motor parece mais solto, sem estar em esforço ou entrar em corte mesmo quando vamos a “fundo” em autoestrada.
Em condução, a Forza brilha por um comportamento muito equilibrado, digamos que se sente uma scooter mais executiva, com reações suaves e previsíveis, seja na direção, muito assertiva e leve, seja no funcionamento extremamente eficaz das suas suspensões.
Neste particular, a Honda instalou na Forza dois amortecedores traseiros muito bem afinados, e que mesmo a suportar peso do passageiro e em ritmo mais vivo, aguentam perfeitamente o esforço, e dificilmente percorrem o seu curso total batendo no fundo. O mesmo já não se pode dizer da X-Max que, nas mesmas circunstâncias, não raras vezes esgota o curso dos amortecedores.
Surpreendentemente, adicionar peso do passageiro na traseira é algo que se nota mais no comportamento dinâmico da Honda do que no da Yamaha.
Ágil, muito manobrável e mais compacta de dimensões que a Yamaha, a Forza 125 é uma scooter que não tem qualquer problema a enfrentar o trânsito citadino. Diria até que é excelente para este tipo de utilização. No entanto, isso não significa que tenha problemas numa estrada mais aberta.
As trajetórias escolhidas são facilmente mantidas, sem necessidade de reajustar o acelerador, e a forma como as suspensões digerem os ressaltos do asfalto permite explorar os limites com total confiança e conforto, até porque a distância livre ao solo dá vantagem à Honda na altura de curvar.
Saltando para a X-Max, e apesar de ser equilibrada em termos dinâmicos, a scooter da Yamaha é um pouco mais nervosa na forma como reage aos impulsos do guiador, embora a distância entre eixos seja maior que na Forza, o que faria pensar o contrário.
O seu centro de gravidade mais elevado obriga o condutor a trabalhar mais para extrair o máximo dela, e dá um pouco de luta, no bom sentido, pois há sempre qualquer coisa de novo para descobrir quando conduzimos a X-Max 125, sendo o nível de prazer aos comandos muito elevado.
O acelerador da Yamaha está afinado para reagir de uma forma mais imediata aos impulsos e a direção, um pouco mais pesada, torna-a bastante mais estável em linha reta. Mesmo em dias de vento intenso, a Yamaha mantém a trajetória em linha reta e nas curvas mais abertas, enquanto a Honda obriga a maior atenção.
À saída das curvas mais lentas, e quando o monocilíndrico começa a encher o pulmão, o controlo de tração da X-Max faz-se notar com bastante insistência quando o piso está molhado, cortando a potência na dose e momentos exatos. O controlo de tração é um ponto muito positivo e em destaque na Yamaha X-Max.
Gostei mais da rigidez estrutural da Yamaha, o que lhe confere uma ligeira vantagem quando a conduzimos em ritmo agressivo. Sente-se, sem dúvida, que é uma scooter mais desportiva do que a rival da Honda.
No capítulo da segurança, a travagem da Honda conta com discos de menores dimensões, mas nem por isso perde em eficácia em relação à X-Max.
A potência de travagem é um pouco menor, mas a forma como o sistema de travões da Honda digere a força que exercemos nas manetes, permite usar com maior confiança os travões, e sabemos sempre com o que contar. E mesmo nas travagens fortes a estabilidade é assinalável.
A Yamaha X-Max, por seu lado, tem travões com uma excelente potência de travagem, mas a forma como podemos explorar essa potência não é tão doseável como na rival, pelo que para tirar máximo partido dos travões Yamaha temos de a conduzir de uma forma mais agressiva.
Em ritmo urbano não será possível perceber como os travões da X-Max são bons, mas levem-na para uma estrada de curvas, com travagens bem fortes, e facilmente vão perceber que a Yamaha fez um bom trabalho neste capítulo da segurança.
E porque estamos a falar de scooters, e uma scooter tem, obrigatoriamente, de ser prática e conseguir transportar objetos, falta referir os espaços para arrumação.
Apesar de ambas anunciarem capacidade para transportar dois capacetes integrais debaixo do assento, e de facto estamos perante duas propostas com bastante espaço, e com iluminação interior, a realidade é que se os capacetes tiverem maior dimensão ou arestas mais vincadas, será difícil conseguir fechar os assentos sem forçar.
Aqui não há diferenças significativas que permitam dizer que uma destas scooters é melhor do que a outra. A diferença faz-se nos espaços de arrumação na consola central. A Honda apenas tem um, mas é bastante profundo, ao ponto de conseguir guardar uma garrafa de água grande, enquanto a Yamaha divide o espaço disponível por dois compartimentos, mais pequenos.
Veredito
Escolher entre a Honda Forza 125 e a Yamaha X-Max 125 não é uma tarefa nada fácil. Nem o preço ajuda a diferenciar estas duas scooters “premium”. Para ser sincero, não consigo dar uma vitória clara a uma delas. O que uma faz de melhor, a outra consegue compensar noutros aspetos. O equilíbrio é mesmo a nota dominante.
O que para mim ficou claro após rodar bastantes quilómetros com a Forza e com a X-Max, é que são duas opções de luxo num segmento que exige sofisticação.
Para os motociclistas que privilegiam o conforto, provavelmente a Honda Forza será a escolha acertada. É previsível em termos dinâmicos, mais confortável, e mais fácil de conduzir. Além disso, o motor eSP com “Start&Stop”, é mais económico. Mas para os motociclistas que procuram mobilidade com um dose de “picante”, a Yamaha X-Max é a resposta. De cariz desportivo, não dispensa a sofisticação como chave “keyless” ou controlo de tração.
Penso que pela primeira vez na minha vida enquanto jornalista de motos, não consigo dizer de caras qual delas acho melhor. O meu coração diz-me que escolhe a Yamaha pelo gozo que deu a conduzir, mas o meu cérebro diz-me para escolher a Honda pois é mais equilibrada para uma utilização urbana.
São mesmo duas opções de luxo.
Galeria de fotos comparativo Honda Forza 125 / Yamaha X-Max 125
Equipamento
Neste comparativo utilizámos os seguintes equipamentos:
Bruno Gomes
- Capacete Schuberth SR2
- Blusão Rev'it Blake
- Calças Rev'it Lombard
- Botas TCX X-Blend WP
- Luvas Ixon RS Grip HP
Rogério Carmo
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