Comparativo Naked - Todas Naked, todas diferentes
Uma naked é uma moto no seu estado mais puro e simples. Mas apesar de existirem muitas propostas naked, a verdade é que são todas diferentes. Reunimos cinco exemplares – Indian FTR 1200, Kawasaki Z900, Suzuki Katana, Triumph Street Triple 765 RS e Yamaha MT-09 SP –, despidas de carenagens (ou quase) e que nos mostram cinco formas diferentes de ser naked.
andardemoto.pt @ 23-3-2020 20:45:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
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Indian FTR 1200 | Moto | FTRKawasaki Z900 2020 | Moto | Supernaked
Suzuki Katana | Moto | Estrada
Triumph Street Triple RS | Moto | Roadsters
Aqui
no Andar de Moto gostamos de todas as motos. Mas há algumas que conquistam mais
facilmente o nosso coração. As naked são desse tipo de motos. Decidimos juntar
cinco modelos de cinco fabricantes. Este não é um comparativo convencional, por
assim dizer. Neste trabalho queremos dar-lhe a conhecer algumas opções naked e
o que pode esperar de cada uma delas.
Conseguimos juntar um grupo interessante de modelos: Indian FTR 1200, Kawasaki
Z900, Suzuki Katana, Triumph Street Triple 765 RS e a Yamaha MT-09 SP. Mais à
frente analisamos cada uma em separado, mas antes disso convém definir o que é
uma naked.
A grande maioria dos motociclistas tem como primeira moto uma naked. E há razões
que explicam essa escolha. As naked são motos versáteis, que funcionam como
verdadeiros “canivetes suíços”. São reconhecidas pela sua posição de condução
que deixa o condutor com o tronco bem levantado.
Os poisa-pés de uma naked estão, habitualmente, posicionados precisamente
abaixo do ponto em que o condutor se senta no assento da moto, permitindo uma
posição de pernas que não é demasiado agressiva. Também a pensar no conforto, o
guiador que encontramos numa naked está posicionado mais alto.
Uma
naked, que em português podemos definir como uma moto despida, é precisamente
isso: despida de carenagens. As naked são desprovidas de carenagens integrais e
de ecrãs frontais. Mas há algumas exceções, como por exemplo naked
semi-carenadas como a Suzuki Katana.
Agora que já definimos o que é uma naked, convém também realçar alguns dos
pontos que tornam as naked tão irresístiveis.
São fáceis de conduzir. Uma naked é essencialmente um motor, duas rodas, quadro
e travões. São por isso mais leves do que motos totalmente carenadas, e isso
tem inevitáveis benefícios em termos dinâmicos e manobrabilidade. São ágeis,
menos massa para movimentar significa que são mais fáceis de conduzir e resulta
em menor esforço. São ideais para condutores menos experientes.
Menos carenagens e outro tipo de componentes significa que as naked são menos
dispendiosas em termos de manutenção. Em caso de queda não há carenagens para
estragar.
Depois, e a pensar nas convencionais operações de manutenção, uma naked tem
acesso facilitado aos diferentes componentes mecânicos e ciclística. E isso
reflete-se na fatura com menores custos de mão-de-obra.
São
rápidas! Mesmo a naked menos desportiva das que incluímos neste trabalho, a Indian
FTR 1200, é ainda assim uma moto muito rápida, particularmente em aceleração,
mas também em velocidade máxima.
O fator “cool”. Poder ver toda a mecânica e ciclística de uma moto é como viver
num estado de Nirvana. O motor, as suspensões, travões, todos os cabos... tudo
está à vista! Uma naked é uma moto destilada, é a essência das motos.
E são mais acessíveis. É verdade que há exceções e nem todas as naked são
propriamente “baratas”. Mas em comparação com modelos de cilindrada ou
performance equivalente e que são totalmente carenados, as naked oferecem o
mesmo por menos euros. E os euros que não gastamos na compra, são euros que
podemos gastar em gasolina para desfrutar da nossa naked!
Agora que já definimos o que é uma naked e que já lhe mostrámos algumas razões
para escolher uma, chegou a hora de lhe darmos a conhecer diferentes formas de
ser naked. Todas são naked, mas todas são diferentes.
Indian FTR 1200
Esta
americana com o seu motor V-twin de 1203 cc é, muito provavelmente, a moto que
o caro leitor não pensava que iríamos incluir neste trabalho com motos naked. Mais
conhecida pelas suas customs e grandes turísticas, a Indian aventurou-se neste
mundo das motos sem carenagens com um estilo que foi buscar inspiração nas
motos de competição “flat track”.
A FTR 1200, que aqui testamos na sua versão base, é uma moto à antiga. Isso
significa que não há modos de motor ou controlo de tração sofisticado. E isso
por vezes pode ser assustador numa moto cujo motor V-twin disponibiliza 120 cv
e 115 Nm de binário.
Equipada com os pneus ligeiramente cardados, a FTR 1200 permite adotar uma
condução desportiva, quase como se fosse uma “hooligan”, até porque a distância
livre ao solo é generosa e permite curvar com bons ângulos de inclinação antes
de raspar com os poisa-pés no asfalto.
O pneu
traseiro tem uma grande tendência a escorregar rapidamente se à saída das
curvas formos mais impetuosos com o acelerador, e apesar do peso de 230 kg a
cheio, a FTR 1200 permite corrigir os deslizes a tempo e seguir viagem. A
posição de condução não é a mais natural, com as costas a ficarem ligeiramente
curvadas e o assento a não permitir muita liberdade de movimentos.
Vamos bem encaixados na moto, com os braços bem abertos, o que é perfeito para
controlar a frente enquanto o motor exprime toda a sua força em aceleração. E
de facto a aceleração é o melhor que esta Indian FTR 1200 tem para oferecer.
Torna-se divertida de conduzir, mas requer alguma experiência para a podermos
explorar na sua plenitude.
Promovida pela Indian como uma “wheelie machine”, a verdade é que a longa
distância entre eixos de 1524 mm não torna difícil a tarefa de levantar a roda
dianteira que tem 19’’. Esta FTR 1200 acaba por brilhar pela estabilidade em
linha reta, e o quadro em treliça revela uma rigidez estrutural assinalável,
que permite percorrer curvas mais abertas sem reduzir a velocidade.
Numa
moto em que o motor desenvolve tanto binário tão abaixo nas rotações,
destacamos a suavidade da embraiagem “assist and slip”. Em conjunto com uma
suave caixa de seis velocidades muito bem escalonada nas primeiras relações, a
embraiagem deslizante digere perfeitamente os abusos nas reduções mais bruscas.
Os travões Brembo monobloco merecem nota
muito elevada pela forma como conseguem abrandar esta FTR quando a conduzimos
de forma desportiva.
Clique aqui para ver todas as características técnicas e PVP da Indian FTR 1200
Kawasaki Z900
A Z900
renovou-se para este ano, recebendo novos modos de condução com diferentes
níveis de entrega da potência, para além de um sistema de controlo de tração.
Mas o que não mudou foi a qualidade de construção desta naked japonesa.
Sempre recorrendo ao tema “Sugomi”, a Kawasaki dotou a nova Z900 de um estilo
ainda mais vincado, e se a anterior geração já era muito importante em termos
de vendas, esta versão 2020 tem tudo para ser a mais popular Z da casa de
Akashi.
Para isso conta com um motor tetracilíndrico em linha de 948 cc. Com 125 cv de
potência e 98,6 Nm de binário, o motor da Z900 deixa-se explorar nos baixos e
médios regimes, sempre com uma resposta bastante suave.
A
partir dos médios regimes, por volta das 7.000 rpm, os cavalos japoneses como
que explodem rumo ao limitador para lá das 10.000 rpm, e a Z900 revela uma
vivacidade entusiasmante e suave, com a entrega de potência a acontecer de
forma linear e prevísivel.
O acelerador eletrónico desta Kawasaki mostra estar afinado na perfeição! Seja
no modo Sport, Road ou Rain, o acelerador corresponde perfeitamente aos nossos
impulsos, não se mostra demasiado agressivo em modo de condução Sport, e por outro
lado em Rain a potência disponível desce consideravelmente (menos 50%). Nestes
três modos não é possível ajustar de forma independente a potência e a
intervenção do controlo de tração.
O motor desta naked é uma delícia, e tanto pode ser explosivo e endiabrado,
como logo de seguida estamos suavemente a rolar em 6ª a 60 km/h sem qualquer
problema e com consumos de combustível muito contidos. Se quisermos afinar a
eletrónica teremos de recorrer ao modo de condução Rider.
E
afinar é tudo aquilo que precisámos de fazer, mas nas suspensões. Ao contrário
da unidade que testámos
na apresentação da nova Z900 à imprensa nacional , a Z900 que vê nestas
imagens foi-nos entregue com a suspensão dianteira demasiado suave. Nas curvas
a sensação foi de que a frente não estava colada ao asfalto, mostrou-se
incerta, obrigando a refrear bastante o ritmo numa estrada de curvas.
Até porque a travagem da Z900 é potente, incita a puxar pela moto, mas muitas
vezes sentimos que não dava para travar com mais força ou mais tarde porque a
frente baixava demasiado.
A posição de condução é a mais equilibrada de todas as cinco que testamos neste
trabalho. Estamos em pleno controlo da direção da moto, a altura do assento a
820 mm é alta mas não em demasia, e como novidade nesta nova geração da Z900
temos ainda um soberbo painel de instrumentos TFT, muito legível, e recheado de
informações.
Clique aqui para ver todas as características técnicas da Kawasaki Z900
Suzuki Katana
A
Suzuki Katana dá uso a uma semi-carenagem frontal onde encontramos a ótica
retangular que se tornou tão importante na original Katana. Com esta pequena
carenagem a Katana é aquela que oferece a melhor proteção aerodinâmica a
velocidades mais elevadas, e por isso a que melhor se comporta em autoestrada
ou estradas mais abertas.
E como se isso não fosse suficiente, o conforto proporcionado pela posição de
condução permite-nos desfrutar da Katana sem sentir cansaço.
Com 215 kg de peso a cheio a Katana fica a 15 kg da mais pesada Indian FTR
1200, mas a verdade é que a moto que tem o seu nome colado às espadas usadas
pelos samurais japoneses, acaba por se sentir mais pesada do que o esperado.
É
necessário forçar um pouco a direção através do guiador para colocarmos a
frente na trajetória, e em inclinação temos de manter a força no guiador ou a
Katana reage imediatamente e alarga a trajetória. Mas assim que ganhamos
confiança, esta espada de samurai “corta” curvas a um ritmo impressionante, e
as trocas de direção fazem-se com estabilidade.
O motor, que vimos inicialmente ser usado na GSX-R1000 de 2005, é um poço de
força. A Suzuki trabalhou a eletrónica para que a potência não se revelasse tão
acima nas rotações, e de facto, e tendo em conta que é um quatro em linha
desportivo, os 150 cv começam a fazer sentir a sua força logo às 3.500 rpm e a
partir daí sobem sem soluços até às 10.000 rpm, com o motor a revelar um enorme
pulmão e capacidade de recuperação.
A estabilidade proporcionada pela quadro é assinalável, particularmente tendo
em conta distância entre eixos que está ao nível de uma desportiva (1460 mm) e
que garante boa agilidade. Assinalável é também a tração à saída das curvas.
Neste
particular a Suzuki merece uma nota muito positiva, pois o controlo de tração,
mesmo no nível mais interventivo, reage discretamente, cortando o binário disponível,
mas nunca de forma a retirar o prazer de condução e maximizando realmente a
tração para nos empurrar rapidamente de curva em curva.
Em relação à suspensão, a sensação com que se fica depois de conduzir a Katana
é que a Suzuki realizou um excelente trabalho ao nível das afinações. O
equilíbrio é a palavra de ordem. Absorve quase na perfeição as maiores
irregularidades do asfalto, a frente não afunda em demasia quando os travões
Brembo mostram toda a sua força, e a traseira mantém-se estável em aceleração.
Clique aqui para ver todas as características técnicas da Suzuki Katana
Triumph Street Triple 765 RS
É a
mais desportiva e a melhor equipada para atacar um circuito. A naked britânica
é sempre uma moto a ter em conta, e apresenta argumentos muito reforçados para
este ano. O design é desportivo e ao mesmo tempo clássico.
As linhas fluídas do depósito e a traseira afilada estão muito bem conseguidas,
enquanto na dianteira encontramos agora um conjunto de duas óticas mais
afiladas, mas não tão futuristas como noutras opções naked. A qualidade de
construção está acima de qualquer falha! É uma moto feita a pensar na qualidade
e exclusividade.
Exotismo que se revela logo na sua unidade motriz. Tal como na “rival” MT-09
SP, a Street Triple 765 RS dá uso a um motor tricilíndrico. Dos 765 cc a
Triumph consegue extrair nada menos do que 123 cv, com os 79 Nm a estarem muito
bem espalhados pela gama de rotações.
É um
motor capaz de performances arrebatadoras, quase tão arrebatadoras como a sua
sonoridade que parece uivar aos nossos ouvidos cada vez que rodamos o punho. É
uma moto que pede sempre mais.
O pacote tecnológico instalado nesta naked britânica é o mais avançado do lote
de cinco modelos que lhe falamos aqui. Cinco modos de condução, ABS com função
“cornering” (demasiado interventivo se puxarmos pela travagem até ao limite),
controlo de tração ajustável. Enfim, temos à disposição uma panóplia de
soluções tecnológicas dignas de uma verdadeira desportiva.
Ágil, extremamente ágil, fruto em parte do quadro rígido, da curta distância
entre eixos (1405 mm), e do peso a cheio que fica apenas pelos anoréticos 185
kg, de longe a mais leve de todas, conduzir a Triumph Street Triple 765 RS
revela-se uma experiência dinâmica de excelência!
A
naked britânica trabalha connosco para aumentar o prazer, a eletrónica funciona
na perfeição numa condução em estrada, e quanto mais depressa a conduzimos
melhor nos sentimos, com as suspensões Showa e Öhlins a oferecerem um
“feedback” excelente na leitura do asfalto, aumentanto consideravelmente a
confiança para inserir a moto nas trajetórias mais apertadas.
A travagem Brembo não fica atrás de nenhuma outra naked, com as pinças M50 a
serem acionadas pela bomba MCS a morderem discos de 310 mm.
Clique aqui para ver todas as características técnicas da Triumph Street Triple 765 RS
Yamaha MT-09 SP
A
segunda proposta tricilíndrica que lhe mostramos neste trabalho vem do Japão. É
a MT-09 SP, uma variante melhor equipada da explosiva naked que a Yamaha
apresentou como sendo a primeira da família “Masters of Torque”.
A posição de condução é aquela que nos deixa menos “dentro” da moto, e por isso
mais expostos ao vento quando circulamos a velocidades mais elevadas.
O assento plano deixa o condutor sentado 820 mm de altura do solo, o que está
em linha com outras opções, mas está posicionado bem mais acima em relação ao
depósito de combustível em comparação com as outras naked.
Isso permite uma maior liberdade de movimentos, e a MT-09 SP deixa-se conduzir
da melhor forma se nos movimentarmos bastante. Um pouco ao estilo das
supermoto.
O
guiador largo está posicionado mais próximo do condutor, pelo que adotamos uma
posição de condução menos descaída sobre a frente. Isso, em combinação com a
distância entre eixos de 1440 mm e um binário de 87,5 Nm que se começa a fazer
sentir logo às 3.000 rpm, faz com que a frente desta MT-09 SP se sinta por vezes
mais leve do que o desejável.
É necessário aprender a conduzir com a roda traseira e não tanto a confiar na
dianteira. Sente-se mais nervosa de reações, mas permite corrigir facilmente os
nossos erros com pequenos impulsos no guiador.
O motor da Yamaha é também muito polivalente, menos agressivo na entrega de potência
do que o que se sente na Triumph, particularmente nas rotações mais elevadas,
mas ainda assim requer uma boa dose de compromisso por parte do condutor para a
explorar todo o seu potencial. Mesmo trocando entre os modos de
condução D-Mode, o acelerador sente-se imediato, por vezes em demasia.
É uma
moto de tudo ou nada, para conduzir a arruaçar, e mesmo no meio do trânsito a
MT-09 SP não cria problemas pois vamos sentados alto, com boa visibilidade
para o que vai à nossa frente, e podemos assim antecipar trajetórias e fluir de
forma rápida por entre os carros.
Apesar da caixa de velocidades ser precisa, o “quickshift” de série não é o
mais acertado. Tem um funcionamento brusco, totalmente oposto ao da Triumph.
Felizmente nas reduções a MT-09 SP apresenta um “feeling” perfeito, com a
embraiagem deslizante a digerir os muitos abusos e impedindo, de forma eficaz,
o bloquear da roda traseira na entrada em curva.
Veredicto
Como
lhe acabamos de mostrar, uma naked pode apresentar diferentes facetas. Este não
é um comparativo convencional, pois não seria justo comparar diretamente motos
que, sendo naked, são tão díspares como são os casos da Indian FTR 1200 ou a
Triumph Street Triple RS.
Acima de tudo quisemos mostrar-lhe que há várias formas de “ser” naked.
Inclusivamente podemos até usufruir de uma naked com maior proteção
aerodinâmica como acontece com a semi-carenada Suzuki Katana.
São fáceis de conduzir, claro que umas mais vocacionadas para condutores mais
experientes devido à sua força e menos eletrónica, como a FTR 1200, e outras
como a Kawasaki Z900 que se revelam bastante polivalentes.
Se dá preferência às emoções fortes, então a Triumph Street
Triple RS ou a MT-09 SP serão aquelas que melhor vão ao encontro das suas
expectativas, embora a britânica seja mais vocacionada para pista enquanto a
japonesa sente-se como “peixe na água” a arruaçar por estradas públicas.
Apesar de não identificarmos uma vencedora com uma pontuação, aqui no Andar de
Moto ficámos apaixonados pela performance exuberante da Triumph Street Triple
765 RS.
Se apenas pudessemos ter uma destas cinco na nossa garagem seria a britânica. É
menos polivalente do que a Z900, que neste trabalho foi penalizada pela má
afinação das suspensões, e é menos “hooligan” do que a MT-09 SP. Mas é mais
eficiente e tem uma eletrónica muito mais evoluída.
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Indian FTR 1200 | Moto | FTRKawasaki Z900 2020 | Moto | Supernaked
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