KTM 1290 Super Adventure - Com muito prazer
A KTM Super Adventure é uma máquina de viajar rápido. Muito rápido mesmo! Conquista-nos pela facilidade de devorar quilómetros seja em que tipo de estrada for, e eleva os parâmetros do segmento Travel Enduro para níveis inimagináveis há poucos anos atrás. Venha conhecê-la!
andardemoto.pt @ 4-8-2015 11:49:12
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Debruçando-nos sobre a KTM1290 Adventure, não precisamos de muito tempo para perceber que estamos perante um caso sério de conforto, ergonomia, tecnologia e, apesar da origem teutónica, de estilo. Todos os componentes parecem cumprir mais do que o seu desígnio, contribuindo para um resultado final que quase se pode qualificar de irrepreensível.
Esta é uma puxada de trunfo da KTM que só foi possível pelo empenho dos elementos da equipa de desenvolvimento, todos eles motociclistas, profissionais especializados e sobretudo altamente motivados pelos grandes resultados comerciais da marca e pelo grande investimento que os accionistas permitiram que fosse feito tanto em termos de recursos (humanos e técnicos) como em termos de investigação e desenvolvimento.
Ao controlar os 160cv debitados pelo motor, que deriva diretamente do já bem conhecido propulsor da KTM Super Duke, a eletrónica torna-os num dos principais encantos da Super Adventure. O elevado binário, que disponibiliza 105 Nm logo às 2,500 rpm, é quase viciante. O débito de potência do motor, apesar da brutal capacidade em nos catapultar para a frente ao mínimo rodar de punho, apresenta-se agora mais suave e dócil, mesmo a baixas rotações, graças ao novo desenho das cabeças dos cilindros e à eletrónica, esta a grande protagonista do desempenho geral do conjunto pois já não é um acessório, mas antes a espinha dorsal do genial desempenho desta máquina.
A embraiagem deslizante aumenta a confiança em estrada de curvas, sobretudo em mau piso, e a caixa de velocidades, apesar de ainda não contar com nenhuma assistência eletrónica (que segundo os técnicos da marca já está em desenvolvimento) é tão suave e precisa que em andamento quase dispensa a utilização da manete esquerda. Como opcional, a Super Adventure ainda pode ser equipada com o sistema MSR (MOTOR SLIP REGULATION) que funciona de forma inversa ao controlo de tração, corrigindo o binário negativo e melhorando o desempenho da embraiagem deslizante, uma enorme vantagem ao circular em piso com pouca aderência.
Em termos de consumos, durante este teste o LC8 não se mostrou demasiado guloso, tendo-se registado em percurso misto uma média ligeiramente abaixo dos 7 litros aos 100 quilómetros. Isto representa uma autonomia teórica de aproximadamente 430 km. De qualquer forma, tentar poupar gasolina quando temos a força de 160 puros-sangue na palma da mão direita revela-se uma tarefa muito ingrata. Para terminar as considerações sobre o motor, fica uma nota negativa sobre o calor irradiado pelo LC8, sobretudo quando se circula no meio de trânsito congestionado. Também a baixa velocidade é necessário utilizar frequentemente a caixa de velocidades pois, abaixo das 2500 rpm, o motor perde elasticidade e reclama com vibrações e alguns ruídos pouco agradáveis.
Onde a Super Adventure revela todo o seu esplendor, é nas estradas de curvas. O LC8 responde de forma imediata aos nossos desejos e a ciclística responde da melhor forma, ou seja: como se não existisse. O quadro oferece uma elevada rigidez, apesar do seu peso (9,8kg), e a suspensão, a cargo de material WP, é semi-ativa ajustando-se independentemente da configuração programada, que pode ser escolhida entre quatro modos diferentes e bem firmes (confort, street, sport e off road), ao piso e ao tipo de condução, mantendo as rodas bem coladas ao chão e a moto sempre na horizontal, seja em travagem ou em aceleração, já que a eletrónica monitoriza todos os dados recebidos do motor e das rodas, além dos transmitidos pelos acelerómetros, inclinómetros, diversos sensores e pelos comandos, reagindo em conformidade, antecipando-se às forças da gravidade e da inércia.
Também a travagem é de muito bom nível, potente e incansável, mas suave na mordida inicial e muito doseável, toda ela a cargo de material Brembo. Pode ser considerada “inteligente” já que o módulo de ABS desenvolvido pela BOSCH também está monitorizado pelos inclinómetros: é o sistema MSC que controla a mordida dos discos em função da inclinação da moto.
O condutor desfruta de todas as maravilhas que a tecnologia pode oferecer num veículo de duas rodas. Para além dos quatro modos de condução, dois em que o motor fica com a sua potência limitada a “apenas” 100 cv -(Rain e Off Road) e dois que libertam toda a cavalagem mas com entregas de potência diferentes (Sport e Street), em andamento pode contar ainda com cruise control, indicador da pressão dos pneus e uma iluminação de referência que inclui faróis de berma (também inteligentes pois acendem-se em três níveis conforme a inclinação da moto). As manetes são suaves e os comandos estão muito bem posicionados, sendo facilmente acessíveis aos polegares.
Para manobrar pode contar com uma grande brecagem e um bom equillíbrio do conjunto, e para estacionar pode contar com um descanso central muito fácil de usar, um descanso lateral bem firme e com a relativa leveza do conjunto.
Em opcional ainda pode beneficiar do assistente de arranque em subida, que imobiliza a moto automaticamente (com a primeira relação de caixa engrenada) durante cinco segundos, permitindo colocar os pés no chão e fazer o ponto de embraiagem sem qualquer “stress”, uma opção útil quando a moto está muito carregada.
A posição de condução é muito confortável, e permite afinações em quase todos os elementos, desde os poisa-pés até ao guiador. O assento dividido também oferece duas posições para o condutor (860/875 mm), e o do passageiro até tem regulação independente do aquecimento. A proteção aerodinâmica é elevada e o ecrã é regulável em altura. Pode no entanto interferir com a linha de visão se estiver demasiado elevado. O painel de instrumentos é muito completo, e as suas funções são todas elas comandadas através de um “joypad” acessível pelo polegar esquerdo e que já é típico da gama Adventure da marca laranja.
Para além de tudo o mais, a manutenção também foi tida em conta, e a Super Adventure apenas necessita de revisões a cada 15.000 km sendo que apenas a cada 30.000 é que necessita afinar as válvulas. Pena não ter veio de transmissão o que ainda a tornava mais eficaz nas grandes viagens, sobretudo com mau tempo ou por maus caminhos. No entanto a corrente de transmissão é de elevada qualidade.
A KTM 1290 Super Adventure não é uma moto barata. Mas tendo em conta o seu desemepnho, nível de equipamento e qualidade de construção, até nem se pode dizer que é cara.
Existem diversas unidades para test ride, por isso, se está interessado ou muito curioso, contacte um concessionário oficial da marca (pode encontrá-los se seguir esta ligação). Para saber o preço, e todas as características técnicas, consulte o nosso catálogo (clique aqui)
andardemoto.pt @ 4-8-2015 11:49:12
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