Yamaha V-Max vs Yamaha VMAX

Uma história de potência, design e paixão que arrebatou o mundo. Duas motos controversas, capazes de tão facilmente gerar polémica como de deixar uma risca de pneu no asfalto.

andardemoto.pt @ 12-11-2015 13:51:26

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Texto: Rogério Carmo          Foto: ToZé Canaveira          Colaboração: Alda Carvalho


Tudo começou na América, no início da década de oitenta do século passado. As provas de arranque, que eram uma das grandes paixões dos americanos em termos de desporto motorizado, estavam a começar a conquistar a cena motociclística, e a Yamaha não quis perder a oportunidade de entrar na terra das oportunidades pela porta grande.

Aproveitando o motor que havia desenvolvido para a turística e americanizada XVZ 1200 TD Venture, um imponente V4 a 70º DHOC de quatro válvulas com 1200cc de capacidade, começou a desenvolver, com a ajuda de John Reed, um designer inglês que vivia então na Califórnia, aquela que viria a ser uma das mais carismáticas, exclusivas e transformadas motos de sempre: A V-Max 1200.

V-Max 1200


As primeiras unidades começaram a circular nas longas rectas americanas em 1985, e o modelo manteve-se praticamente inalterado até 2007, com apenas uma ligeira remodelação em 1993, quando recebeu uma forquilha de 43mm de diâmetro (a original era de 40mm) e pinças de travões dianteiras com quatro pistões.

O V4 da Venture foi obviamente modificado, com o perfil das arvores de cames alterado, pistões mais leves e válvulas e balanceios reforçados. Mas o grande segredo estava na alimentação, dotada de um sistema “V-Boost” que, através de dois corpos de admissão duplos de 35mm que alimentam os quatro carburadores, fornece ao motor hidrocarbonetos suficientes para se conseguir um arranque de 400m com partida parada, em cerca de dez segundos.

À época do seu lançamento a V-Max debitava 145cv à roda, numa altura em que as super-desportivas apenas rondavam os 125cv, facto que explicou grande parte do sucesso deste verdadeiro ícone do motociclismo cuja produção, até ser descontinuada em 2008, viu sair da fábrica mais de 100.000 unidades.

A sua condução, se lhe imprimirmos uma toada turística e descontraída, é suave e muito agradável, isenta de vibrações, com uma resposta muito elástica, imediata e contundente até ás 6.000 rpm. Brutal acima disso. A posição de condução é bastante ergonómica e confortável. No entanto não é uma moto em que se possa ir fazer  uma curvas à séria. A débil forquilha e os travões manifestamente escassos não vão ajudar, e o quadro abana assustadoramente quando se acelera com mais entusiasmo na saída de qualquer curva.


Uma V-Max é estilo, é paixão, é culto. Talvez por isso sejam tão difíceis de encontrar no mercado de usadas. Quando aparecem, sobretudo em bom estado de conservação e sem grandes modificações, é preciso ser-se rápido.

Que o diga a Alda Carvalho, a proprietária do belo exemplar que podem ver nas fotos e para quem uma V-Max 1200 era um sonho de longa data, e que apenas recentemente conseguiu concretizar. Desde já lhe agradecemos a simpatia e a disponibilidade para colaborar neste artigo.

Detalhes Yamaha V-Max 1200


VMAX 1700

Um ano após ter sido descontinuada a V-Max 1200, surgiu a VMAX 1700. Um conceito muito mais requintado, dotado de um motor de 1679cc igualmente configurado como V4, num ângulo de 65 graus, mas a debitar 200 cv, com um quase indescritível binário de 166,8 Nm. Agora a VMAX já não necessita de V_Boost, pois a injecção e a ignição electrónicas descarregam a potência sob a coordenação do YCC-T, vulgarmente conhecido como acelerador “ride-by-wire”. A cambota plana, o veio de equilíbrio e os tensores hidráulicos nas correntes da distribuição reduzem o ruído de funcionamento e contribuem para uma enorme suavidade e regularidade em qualquer regime.

A magia da suavidade da entrega de potência de tamanha cubicagem deve-se sobretudo à admissão variável, porque ao contrário da sua antecessora, a nova V-Max não oferece a explosão de potência do V-Boost. E é quase inacreditável a facilidade com que se conseguem domar todos aqueles cavalos e todo aquele binário.

Assim o motor mantém tudo a postos para, sempre que necessário e de forma bastante civilizada, libertar uma torrente de potência capaz de nos catapultar dos 120 km/h, quase instantaneamente, para o dobro da velocidade. Mesmo a subir, e mesmo com passageiro. Ou fazer arranques dos 0-200km/h em cerca de nove segundos! Uma sensação que raras motos são capazes de transmitir.


A VMAX é viciante, é doentia, é apaixonante. Mas quando chega às curvas? Não se pode dizer que é ágil... mas ainda assim esta Yamaha, em comparação com a versão anterior, comporta-se muito bem: a direcção é lenta mas muito precisa, o quadro de alumínio e a forquilha a oferecem um bom comportamento ao conjunto, tornando-se muito fácil manter o ângulo que se esgota de forma inabalável com os poisa pés a rasparem o asfalto, sempre com a roda dianteira a pisar com firmeza, transmitindo uma surpreendente confiança.

A travagem é muito boa, potente e doseável, e mesmo o conforto é bastante elevado, com a ergonomia bastante bem desenhada, envolvendo o condutor e mantendo-o bem encaixado no seu lugar, mesmo sob a violência dos arranques de que o motor é capaz, e incrivelmente bem protegido aerodinamicamente.

A caixa de cinco velocidade é relativamente suave e o veio de transmissão é praticamente inócuo, não se manifestando sob nenhum pretexto, muito ajudado também pela embraiagem deslizante.

Como aspecto negativo há o consumo, bastante elevado, e a consequente escassa autonomia, que se esgota, sem grandes exageros, antes de se cumprir centena e meia de quilómetros, ou nem isso, se demorarmos menos de uma hora a fazê-lo.

O painel de instrumentos, colocado sobre a entrada de ar onde deveria estar o depósito de combustível, não é de leitura fácil, sendo necessário desviar os olhos da estrada para ver a informação que transmitem. Circular a baixa velocidade e manobrar revela-se bastante difícil, com a direcção muito pesada e com pouco apoio nos pés devido à forma como é necessário abrir as pernas para contornar o largo assento.

Mas desde que não se vá para o meio do trânsito ou para o centro da cidade, a VMAX não se nega a praticamente nada. Em andamento nem se tem a noção do seu tamanho nem do seu peso.

É uma moto feita para ser abusada: nos arranques, nas retomas, na saída das curvas, mas é também uma moto que merece que se largue a estrada e nos sentemos numa esplanada a olhar para ela. As sua linhas inspiradores fazem-nos sonhar com modificações. Não fosse ela uma moto da gama Sport Heritage da Yamaha!

E se nos dermos ao trabalho de procurar, encontramos alguns exemplares dignos de nota, capazes de nos tirar do sério. Temos algumas dessas para lhe mostrar. Fica a promessa. Vai ver que temos razão.

Detalhes Yamaha VMAX 1700



andardemoto.pt @ 12-11-2015 13:51:26


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