Teste Yamaha MT-10 - Sensações Fortes
Uma japonesa que vem redefinir a classe das “naked” de alta cilindrada, fazendo frente às europeias líderes do segmento.
andardemoto.pt @ 9-6-2016 15:00:01
Texto: Rogério Carmo Foto: ToZé Canaveira
Ahhh! Não há nada que chegue à suavidade e previsibilidade de uma moto com um motor de quatro cilindros em linha! A delicadeza com que o seu binário nos empurra para a frente, e a despreocupação com que se pode rodar o punho do acelerador sem nos sujeitarmos a ser “despejados” do assento... Certo? - Errado!
Com esta MT-10, a Yamaha redefiniu os padrões do tetracilíndrico conferindo-lhe o gene “Master of Torque”, e o resultado final traduz-se por uma moto apaixonante, capaz de fazer frente a qualquer europeia de motor em “V”.
O motor CP4 “crossplane”, derivado do da YZF-R1, reúne a força e suavidade de resposta de um V4 a baixa rotação, com a explosão de potência típica de um V2 a alta rotação, mostrando-se sempre disponível sem ser necessário dispensar muita atenção à caixa de velocidades. O seu grito estridente a alta rotação é música para os ouvidos de quem a conduz, mas também para os de quem a ouve passar.
O seu funcionamento é regular a todos os níveis, desde o arranque até ao corte às 11.000 RPM, e se na R1 o calor emanado é um problema, a ausência de carenagens da MT contribui para a sua resolução, sendo practicamente imperceptível, a menos que se fique "trancado" no trânsito.
A grande elasticidade é o grande trunfo deste motor que permite engrenar terceira e fazer a nossa estrada de curvas favorita sem ter de trocar de relação de caixa, havendo potência suficiente para nos lançar violentamente para a frente, entre os 40 e os 140km/h.
Se algum reparo há a fazer no que ao motor diz respeito, serão as vibrações a médios regimes, completamente atípicas de um motor deste tipo, mas que ainda assim, comparadas com as de qualquer V2, são apenas residuais.
Claro que não fiz consumos, já que, com os andamentos que esta moto proporciona, isso seria mais do que uma perda de tempo, seria um exercício de cinismo. Gasta bem, é verdade! Mas o gozo que dá compensa largamente, e quem quiser economizar, esta não é definitivamente a moto que deve comprar.
A unidade que nos foi cedida para teste, uma versão Night Fluo, infelizmente não estava equipada com o “quick shift”, mas a caixa de velocidades é tão suave que a sua ausência quase que não se fez notar.
Em termos de ajudas electrónicas à condução, a Yamaha simplificou bastante o processo, e dotou a MT-10 com um controlo de tracção regulável em 3 níveis, muito pouco intrusivo mas simultaneamente muito eficaz, e os 3 modos do acelerador electrónico servem apenas para regular o curso do punho direito ao gosto pessoal de cada um.
No modo “A” a resposta do acelerador é mais gradual, e no modo “B” a resposta é muito mais incisiva. Pessoalmente gostei muito do modo Standard, que confere maior controlo, sobretudo em curva, quando os 160cv do motor fazem questão de se exibir. Em todos eles o motor disponibiliza a sua potência total.
Para completar o pacote electrónico, a MT-10 está equipada com “cruise control”, muito fácil de usar, disponível a partir dos 30km/h nas 3 últimas relações de caixa.
Também o painel de instrumentos foi simplificado comparativamente com o da R1, mas ainda assim apresenta-se muito completo e de fácil leitura, não faltando sequer a indicação da relação engrenada. E em termos de equipamento, não falta nem sequer as luzes de emergência (os 4 piscas).
Com uma ciclística de topo, senão mesmo referencial já que ao nível de suspensões e travagem não há nada a apontar, não fossem elas também derivadas das da YZF-R1, o seu comportamento é previsível em qualquer situação, proporcionando uma enorme confiança, mesmo quando se atingem ritmos já bastante elevados.
A facilidade com que se sai de uma curva para outra é quase desconcertante, graças à curta distância entre eixos (1400mm) que confere uma agilidade impressionante ao conjunto, que nem sequer se pode considerar leve ao acusar (segundo o fabricante e completamente atestada) 210kg na balança.
Mas ao contrário do que se possa pensar, o seu comportamento a alta velocidade é também irrepreensível, pelo menos no que se pode concluir de uma condução em estrada. A suspensão firme consegue, ainda assim, garantir algum conforto nos pisos mais degradados.
A ergonomia é perfeita, com uma altura do assento muito baixa a garantir muita confiança em manobra e também um centro de gravidade muito baixo. A posição de condução elevada, apesar de ligeiramente inclinada para a frente, é uma mais valia no meio do trânsito.
As pernas vão flectidas mas não em demasia, e os comandos estão bem colocados. Não tive a oportunidade de circular com passageiro, mas por tudo o que me foi dado a ver, quem comprar esta MT10 tem sempre uma boa desculpa para andar sozinho.
Um ponto negativo vai para o assento que é demasiado rijo, fazendo-se notar muito antes da vontade ou necessidade de parar.
Em termos de qualidade de construção, o conjunto muito compacto impressiona pela qualidade dos componentes, com suspensões completamente reguláveis e iluminação por LED, mas alguns plásticos apresentam um aspecto realmente frágil que compromete a robustez do conjunto.
Também alguns componentes do motor podem sofrer fortes danos em caso de queda, pelo que o investimento em algumas das protecções do extenso catálogo de acessórios de fábrica deverá ser considerado.
Por falar em acessórios, a Yamaha disponibiliza um ecrã “touring” de aspecto desportivo, protecções de punhos, malas laterais e "Top Case" que podem facilmente transformar esta “naked” numa turística de assalto, proporcionando maior conforto em viagens rápidas.
Mas não subsiste qualquer dúvida de que a Yamaha apresenta agora uma moto que está muito à frente das velhas FZS1000 Fazer e FZ1, e cujo grande atractivo é precisamente o motor, aliado a uma enorme facilidade de condução.
Claro está, desde que se tenha em conta que, ao alcance do punho direito, estão 160 irrequietos e impacientes cavalos de potência.
Equipamento
Neste teste usámos o seguinte equipamento:
Blusão em pele Rusty Pistons,
Capacete Nexx XR2 Trion,
Luvas OJ Grip,
Botas TCX X-Ride Waterproof
andardemoto.pt @ 9-6-2016 15:00:01
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