Moto Guzzi Airforce by Death Machines London
Uma verdadeira obra de arte, criada em memória de um veneziano apaixonado pela velocidade, e sócio fundador da Moto Guzzi.
andardemoto.pt @ 26-1-2018 00:12:02
Giovanni Ravelli foi, em conjunto com Giorgio Parodi e Carlo Guzzi, um dos fundadores da Moto Guzzi. A águia que decora todas as motos da marca italiana é uma homenagem a este homem. Ravelli foi piloto de aviação durante a 1ª Grande Guerra Mundial. E foi também um exímio ciclista, antes de se dedicar ao motociclismo onde também de destacou. Faleceu numa aterragem, aos comandos do seu biplano Nieuport 11, em 1919.
O designer James Hilton, co-proprietário da Death Machines of London juntamente com o engenheiro Ray Petty, descobriu uma Moto Guzzi LeMans Mk2 de 1982 abandonada num quintal, no sul de Itália, a oxidar sob a intempérie e numa uma atmosfera carregada de salitre, depois de ter tido um acidente contra um camião.
Apesar do aparato, o potencial era enorme, e o motor estava em muito bom estado, e por isso enviou-a para Londres. O seu plano era modificá-la, inspirado no biplanos de Ravelli e nos filmes futuristas dos anos 20. E fazia questão de, tal como veio a acontecer, apresentá-la ao Mundo no dia do aniversário do temerário Italiano apaixonado por motos.
A tarefa de reconstrução começou precisamente pelo motor. O bicilíndrico em V a 90º de instalação transversal, como é típico das moto Guzzi, foi completamente desmontado, limpo e recondicionado, desde as juntas aos rolamentos. As cabeças dos cilindros foram alvo de atenção detalhada, e a operação acabou com a instalação de um par de carburadores Dell’Orto.
O precioso quadro, desenhado pelo mago Lino Tonti, foi mantido praticamente inalterado, já que a sua concepção de elevado desempenho não necessita de grandes alterações. Apenas foi aliviado do sub-quadro e de alguns pequenos apêndices. No entanto, os “Tês” da direcção foram alterados para proporcionarem uma maior inclinação da forquilha e um melhor equilíbrio estético.
O braço oscilante, esse foi substituído por outro, proveniente de uma Moto Guzzi California, mas severamente modificado, para conseguir suportar uma suspensão “monoshock” em cantilever. Uma operação delicada se tivermos em conta o sistema CARC de transmissão por veio e cardã, típico das Moto Guzzi.
Tanto o quadro como as rodas (aro e raios) foram pintados numa cor cinzenta a que James Hilton chama “Airforce Grey”, especificamente criada para este trabalho. A roda traseira tem os raios cobertos com dois discos de alumínio, e ambas as rodas calçam pneus Firestone alusivos à época.
A forquilha provém de uma Aprilia RS 250, que foi fortemente modificada, enquanto que o amortecedor traseiro é um Hagon, especialmente produzido com inspiração aeronáutica. Para a travagem, foi usado material Brembo, com maxilas maquinadas de quatro pistões, com accionamento misto, já que é um cabo de aço que actua sob o êmbolo principal, um Brembo RCS, e que confere um aspecto mais limpo ao guiador.
Os discos de 300mm foram desenhados e produzidos em casa pela DMoL. Todos os comandos da Airforce são exclusivos: os avanços, os punhos, a cânula do acelerador interior, e as manetes invertidas, maquinadas em alumínio de especificação aeronáutica, foram também eles desenhados dentro de portas.
O equipamento eléctrico foi alvo de uma escolha cuidada, com uma electrónica dominada por um MotoGadget M-Unit, um painel de instrumentos customizado com reostato de intensidade de iluminação, um projector LED na frente e um farolim traseiro de fabrico artesanal. A “chave” de ignição é na realidade um transponder, escondido dentro de um "jack" de ¼ de polegada, sem o qual a moto não arranca.
Tudo está interligado por uma cablagem também ela feita à mão, na DMoL. As carenagens também foram integralmente feitas à mão, em alumínio martelado e soldado com uma mestria pouco comum, que usou moldes de madeira que foram dando forma ao alumínio.
O resultado final, após simples escovagem, mostra vestígios da técnica, algumas imperfeições, que foram propositadamente deixadas à mostra para reforçar o carácter de toda a construção, e evocar o mote da inspiração: os biplanos da 1ª Grande Guerra Mundial.
A estética, de linhas esguias, encaixa os diversos elementos para que fluam desde o farol até ao farolim traseiro. O aspecto orgânico é conseguido através da camuflagem de todos os componentes inestéticos, como é o caso dos escapes, escondidos debaixo do motor, dentro da volumosa protecção do cárter. Um assento pespontado à mão, em pele italiana, encerra um padrão geométrico que promove uma sensação de movimento.
Basicamente todo o processo de reconstrução da Airforce demorou 112 dias, mesmo a tempo da sua apresentação na data prevista, mas só recentemente é que ficou em condições de ser posta à venda pois faltavam “uns pequenos pormenores” que o perfeccionismo de James Hilton não podia deixar passar em claro.
À data de publicação deste artigo, a Airforce ainda estava à venda, pela quantia de 70.000 libras. Caso esteja interessado, contacte a Death Machines of London (clique aqui).
Veja a Moto Guzzi Airforce em pormenor:
andardemoto.pt @ 26-1-2018 00:12:02
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