Yamaha não vai criar uma superbike de 40.000 euros

Andrea Dosoli afirma que não está nos planos da Yamaha desenvolver uma versão especial da YZF-R1 para poder bater a Ducati Panigale V4 R. Para o responsável da Yamaha Racing no Mundial Superbike, a estratégia da Yamaha neste campeonato é a mais acertada pois podem apoiar maior número de equipas em simultâneo.

andardemoto.pt @ 22-5-2019 13:30:00

A chegada da Ducati Panigale V4 R, uma moto desenvolvida pela Ducati e pelo seu departamento de competição Ducati Corse para funcionar como versão especial de homologação, veio “agitar as águas” no Mundial Superbike. Muitos têm falado e dado a sua opinião – a favor ou contra a Panigale V4 R -, e a personalidade que decidiu falar desta vez foi Andrea Dosoli, responsável pelo projeto da Yamaha Racing no Mundial Superbike.

Para Dosoli a Yamaha adotou uma estratéfgia correta ao expandir o seu esforço neste campeonato dedicado às superdesportivas de produção. Para além da Yamaha Racing apoiar, obviamente, a equipa oficial PATA Yamaha World SBK de Alex Lowes e Michael Van der Mark, o construtor japonês alargou o seu apoio à GRT Yamaha que inscreve Marco Melandri e Sandro Cortese.

Para além destes quatro pilotos, a Yamaha YZF-R1 será também utilizada pela recentemente formada equipa Ten Kate Racing Yamaha, que a partir da ronda de Jerez vai colocar Loris Baz em pista com uma quinta R1 que também terá o apoio da fábrica japonesa.


Dosoli está consciente de que tantas motos em pista colocam a fábrica em esforço, um esforço suplementar a que as equipas rivais não são sujeitas, pois apostam claramente numa só equipa oficial, ficando as equipas privadas com um apoio reduzido.

Para o dirigente italiano da Yamaha Racing, ter quatro pilotos em pista com a R1 (cinco pilotos em breve) permite à Yamaha perceber o que devem fazer em termos de desenvolvimento da moto para obter os melhores resultados. É um facto que ano após ano a Yamaha tem-se revelado mais competitiva, e Dosoli confia plenamente nas capacidades dos seus pilotos para poderem lutar pelas vitórias e pódios.

Lowes e Van der Mark têm uma tarefa mais “fácil”, por assim dizer, pois sempre competiram com motos derivadas de produção. Já Marco Melandri e Sandro Cortese cresceram nos protótipos do Mundial de Velocidade, e por isso a sua sensibilidade extra às alterações na R1 torna a sua tarefa mais complicada.


Com tanta informação a ser entregue à Yamaha Racing, mas com a moto japonesa ainda abaixo da performance da Ducati Panigale V4 R (e também da Kawasaki Ninja ZX-10RR), muitos fãs pedem à Yamaha que lance uma versão especial de homologação da sua superbike.

Mas Andrea Dosoli é claro em relação a esse assunto: “Não participamos no Mundial Superbike para desenvolver motos de competição. Isso é o que fazem os fabricantes em MotoGP. A Yamaha participa no Mundial SBK para promover as motos que desenvolve para a estrada e desenvolvidas de acordo com as necessidades do mercado e dos nossos clientes. É por isso que não vamos lançar uma moto de 40.000 euros”, uma clara alusão ao que a Ducati fez com a Panigale V4 R que custa ligeiramente abaixo desse valor, mantendo-se assim dentro das regras definidas pelo Mundial Superbike.

Se os resultados continuarem a cair para o lado da Ducati, e de certa forma também para a Kawasaki que aposta bastante forte no desenvolvimento da sua Ninja para ganhar no Mundial Superbike, será que Andrea Dosoli e a Yamaha Racing vão continuar a pensar da mesma forma? Ou será que em Iwata os engenheiros japoneses pensam numa versão especial de homologação da YZF-R1?

andardemoto.pt @ 22-5-2019 13:30:00