21.º Portugal de Lés-a-Lés: 1.ª etapa ligou Felgueiras à Figueira da Foz

Depois do passeio de abertura, os dois mil mototuristas deram início à primeira etapa do 21.º Portugal de Lés-a-Lés rumo à Figueira da Foz, a primeira paragem desta aventura que liga o país de norte a sul.

andardemoto.pt @ 11-6-2019 18:34:02

O dia começou às 6h00 da madrugada com o arranque da 1.ª das 907 equipas inscritas, à cadência de 6 motos por minuto, e que se prolongou até meio da manhã, com a última equipa a sair de Felgueiras por volta das 11 horas. 

A ligação até à Figueira da Foz foi feita com temperaturas de 20 ºC e sem qualquer nuvem no céu, com o Oceano Atlântico como companhia. Durante a manhã, o passeio foi feito pelo Minho verdejante, com paragens em Oásis de diversão acrescida,  reconforto gastronómico e camaradagem. 

A caravana com 2115 motociclistas começou por rumar a norte para viver as primeiras emoções desta viagem, sempre ladeada por paisagens verdejantes, da descida ao Rio Vizela à sinuosa subida a Guimarães, mas passando ao lado da histórica cidade em direção a S. Torcato e ao seu santuário com uma profusão de estilos, do neoclássico, gótico, renascentista e romântico. Seguiram-se outras paragens no castelo de Póvoa de Lanhoso ou na praia fluvial de Adaúfe. Na Praia Fluvial do Faial, em Prado, a CM de Vila Verde, com o apoio do Moto Clube do Prado montou o primeiro Oásis da etapa, com vista para a ponte românica onde os participantes puderam desfrutar do primeiro de vários reforços ao pequeno-almoço entregue pela organização em Felgueiras. 

A viagem prossegue com verdura e muitos rios como o Neiva, de enorme beleza ao longos dos seus 45 km de extensão. Em Tregosa, os Moto Galos de Barcelos tinham preparado mais uma surpresa antes da parte decisiva na aproximação ao mar com a estreante passagem no concelho de Barroselas que tem a particularidade de ser presidida pelo ex-ciclista Rui Sousa, verdadeiro campeão de popularidade a pedir meças a Cândido Barbosa, participante habitual do Lés-a-Lés.

Verificou-se uma mudança de cenário em Esposende, com o Verde Minho a ficar para trás e passando a ter o Atlântico como companhia, entrando no concelho por Forjães, S. Paio de Antas e Vila Chã, vendo pela primeira vez o mar em Abelheira. O primeiro contacto com o oceano ficou ainda marcado  pela passagem por Marinhas rumo ao Oásis da CM de Esposende, fortemente apoiado pelo Grupo Motard da Guia, no espaço Pé no Rio. 


Sempre com o mar ao lado, foi feita a travessia da Avenida Brasil, entre o Castelo do Queijo e a Fortaleza de S. João da Foz, apreciando o local onde desagua o Douro. Foi feita a rápida travessia para Vila Nova de Gaia através da Ponte Luís I, com passagem pelas ruelas estreitas e centenários armazéns de Vinho do Porto. 

Sem vinho ou outras bebidas alcoólicas, naturalmente proibidas durante o evento, os participantes não deixaram de ficar surpreendidos na chegada à Marina da Afurada, simpático e versátil espaço onde o conhecido concessionário Antero, dos Carvalhos proporcionou um muito agradável Oásis, animado por muitos representantes do Moto Clube do Porto. De estômago reconfortado, o pelotão partiu então ao longo de mais de 5 horas junto ao mar, passando pelas praias da Madalena, Valadares, Francelos, Miramar e a curiosa Capela do Senhor da Pedra, erigida em 1686 dentro do mar, Aguda e o seu Parque das Dunas, criado em 1997 pelo Parque Biológico de Gaia, e Granja, local onde o casario evidencia a importância das famílias que ali passavam férias.

A cidade de Espinho foi contornada para evitar a estreita e apinhada marginal rumo à estrada florestal de Esmoriz, Maceda e Cortegaça, passando pela pista militar sem vislumbrar os bem escondidos hangares, enterrados no solo. Seguiu-se então a passagem pela Ria de Aveiro, estuário com 41 km de comprimento, juntando as águas dos rios Vouga, Antuã, Boco e Fontão. O peilotão continuou pelo Cais da Béstida e de Pardelhas, passando por Mamaparda ou pela Cicloria, com descoberta através de bicicletas gratuitas proporcionadas pela CM da Murtosa, que instalou um Oásis, no Cais do Bico, com apoio do Rancho Folclórico As Andorinhas de S. Silvestre, do Bunheiro e onde os Moto Clubes de Estarreja e Murtosa foram imprescindíveis na organização do estacionamento de tantas motos. E no controlo de mais um ponto de passagem, o 6.º dos 18 furos previstos na tarjeta comprovando a realização de todo o percurso entre Felgueiras e Lagos.

Depois da passagem pela Murtosa, o concelho mais plano de Portugal, a caravana seguiu pelos campos de Salreu e de Canelas, com caminhos a ladear esteiros, sombreados por salgueiros e carvalhos. Abordando Aveiro de forma bem diferente da habitual e pouco interessante entrada pela A25, através de um caminho em terra pelas margens do Rio Vouga mas sem escapar ao aroma proveniente da fábrica da Portucel que anuncia a proximidade de Cacia. Que rapidamente foi deixado para trás, ganhando ar bem mais respirável ao chegar ao farol mais alto de Portugal, o da Costa Nova com os seus 62 metros de altura. Ali bem perto, em zona ampla e muito agradável, ainda antes da bonita e fotogénica povoação balnear do concelho de Ílhavo, onde os palheiros, armazéns de sal e de utensílios de pesca, deram origem a casas de habitação de cores fortes, espaço para o Oásis da NEXX. A viagem prosseguiu pela Vagueira e Praia de Mira, com passagem pela Lagoa de Mira, habitat de água doce, e por desafiante estradas florestais, muito maltratadas mas impossíveis de evitar. Obrigatório rolar muito devagar para evitar as muitas armadilhas de um asfalto mais que irregular emoldurados por pinheiros, muitos deles ardidos, e acácias, aconselhando a fuga pela também pouco interessante N109. 


Já a pensar na chegada à Figueira da Foz, os participantes, entre os quais duas centenas de estrangeiros, desfrutaram das vistas de um dos areais mais longos de Portugal, com 53 km, do Rio Vouga ao Cabo Mondego, apenas interrompido ao de leve por algumas pequenas ribeiras.

Na chegada ao destino desta 1.ª etapa, os participantes puderam descansar após um dia muito exigente para o físico e para as motos com a ajuda de terapeutas e massagistas do Instituto de Medicina Tradicional e pelos mecânicos da equipa que acompanha a caravana do Lés-a-Lés.

A 2.ª etapa, com 345 km até Arruda dos Vinhos, dura cerca de 10 horas e 20 minutos, com passagens pela Praia de Vieira, S. Pedro de Muel, Nazaré , S. Martinho do Porto, praias de Porto Novo , de Santa Cruz,  da Ericeira e das Maçãs. O Cabo da Roca ou Cascais são outros locais com paragem antes da travessia de Lisboa, entre a Marginal e a Expo, sempre junto ao rio Tejo, atravessando depois o rio Trancão em direção à Arruda dos Vinhos .

andardemoto.pt @ 11-6-2019 18:34:02

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