Governo indiano faz um enorme “forcing” a favor das motos elétricas

Primeiro-Ministro indiano Narendra Modi quer que a partir de 2025 todas as motos novas abaixo dos 150 cc sejam elétricas. Os grandes fabricantes não estão satisfeitos com esta proposta, mas o Governo indiano não parece disposto a esquecer esta ideia que pretende melhorar o ambiente na India.

andardemoto.pt @ 9-7-2019 19:00:00

A India, como muitos outros países na Ásia, é um país onde anualmente se vendem muitos milhões de motos novas, a grande maioria de baixa cilindrada até 150 cc. Consciente das consequências nefastas que isto tem para o meio ambiente, o Primeiro-Ministro indiano Narendra Modi decidiu tomar medidas radicais.

De acordo com a agência Reuters, o Governo indiano pretende que em 2025 todas as motos novas abaixo dos 150 cc sejam motos elétricas.

Este “forcing” a favor das motos elétricas e do meio ambiente na India já foi transmitido aos maiores fabricantes de motos em solo indiano, marcas que têm fábricas naquele país. Numa reunião realizada recentemente, Narendra Modi explicou que esta medida é mesmo para cumprir, mas os representantes de marcas como a TVS, Bajaj, Honda, Yamaha, entre outras, não parecem muito recetivos a aceitar esta ideia.

Estes fabricantes estão claramente em oposição a uma medida tão drástica e que tenha de ser aplicada num espaço de tempo tão curto. A justificação apresentada é de que a aplicação desta medida irá criar desemprego, para além de causar graves problemas a um setor que tem grande impacto na economia indiana e na vida da população, que utiliza as pequenas scooters e motos de baixa cilindrada para se deslocarem.


Para os fabricantes de motos que utilizam motores a combustão, a aplicação desta medida a favor das motos elétricas significa uma mudança radical no seu negócio. Não estamos apenas a falar nos modelos que podem ser comercializados e que têm de ser desenvolvidos até 2025, mas também ao nível das instalações que cada marca tem na India. Os diferentes fabricantes não estão preparados para alterar, num espaço de seis anos, a sua produção de motores a combustão para motores elétricos. Os custos serão, nas palavras dos fabricantes, incomportáveis.

Pelo contrário, quem se mostra muito satisfeito com esta mudança de paradigma na India são os fabricantes de motos elétricas. Para além de não terem de alterar a sua produção para motos elétricas, pois esse é o seu negócio desde início, vão poder entrar mais facilmente num mercado que vale muitos milhões de motos novas vendidas todos os anos. E isso significa muitos lucros!

Há também que ter em conta que mesmo que as fábricas indianas de motos se adaptem para o fabrico de motos elétricas, na India não há fábricas de baterias para este tipo de motos. As fábricas terão sempre de recorrer a fabricantes externos. Será difícil que os fabricantes de baterias consigam fornecer a quantidade de baterias necessárias.


Para se ter uma melhor ideia da quantidade de motos que estamos a falar, só a TVS Motors fabricou no ano passado nada menos do que 3,1 milhões de motos! O próprio presidente da TVS Motors, Venu Srinivasan, refere que “Aqueles que querem esta mudança já para amanhã, apenas produzem 1000 motos por ano!”, uma afirmação que revela as dúvidas que alguns dos maiores nomes da indústria têm sobre a real capacidade da India em aplicar esta medida.

O Governo indiano, consciente de todos os desafios que estão ligados a esta medida de obrigar a que todas as motos vendidas até 150 cc sejam elétricas, pediu nesta primeira reunião que os fabricantes estudem medidas e elaborem uma contraproposta à medida governamental.

Dentro em breve todas as partes vão voltar a sentar-se à mesa das negociações, onde se espera que sejam dados novos passos e que, possivelmente, se encontre uma solução que permita que as motos elétricas ganhem um maior fôlego na India.

De referir que a India é um dos países asiáticos com maiores níveis de contaminação ao nível da poluição. A entrada em vigor desta medida poderá permitir que os níveis de poluição baixem drasticamente, mas as condicionantes parecem ser, pelo menos por agora, demasiado grandes e difíceis de contornar.

andardemoto.pt @ 9-7-2019 19:00:00