Honda e Hitachi fundem Showa, Keihin e Nissin

Uma estratégia para enfrentar e mudar o futuro da mobilidade. Uma resposta à crescente demanda por veículos eléctricos e autónomos.

andardemoto.pt @ 4-4-2020 14:37:11

A notícia não é de agora, o comunicado foi emitido a 30 de Outubro de 2019, e perdeu-se então no meio da fartura noticiosa das apresentações mundiais de novos modelos de motos, mas a verdade é que Honda e Hitachi vão absorver a Showa, a Keihin e a Nissin.

Claro que, nessa altura, ainda não se tinha ouvido falar da malfadada pandemia viral que marcou profundamente o ano de 2020, e a mobilidade ainda era fortemente consubstanciada no culto do automóvel, da condução e do motor de combustão interna.

Mas agora, à luz dos recentes acontecimentos, a mobilidade vai seguramente sofrer alterações profundas em todo o mundo, e o termo CASE, acrónimo para Connected, Autonomous, Shared, Electrified (conectado, autónomo, partilhado e eléctrico) que já se ouvia bastante, ouve-se agora de cada vez mais quadrantes, seja em termos de transporte público ou privado, seja de pessoas ou de mercadorias.

São vários os factores que apontam para um futuro e uma sociedade bastante diferentes e que a mobilidade vai ver o seu paradigma fortemente alterado, muito antes do que seria esperado.


Por isso esta operação levada a cabo pela Honda e Hitachi ganha toda uma nova dimensão e volta a ser digna de atenção.

A operação vai dar origem a apenas uma empresa, a Hitachi Automotive Systems, que passará a ser detida em conjunto pela Hitachi, com 66,6% das ações, e pela Honda, que ficará dona do restante capital (33,4%).

A Honda já detinha 33,5% da Showa, 41,35% da Keihin e 34,86% da Nissin, e adquiriu para este efeito a totalidade das acções das 3 empresas que, somadas, representam uma facturação anual aproximada a 16,5 mil milhões de dólares.

A direcção da Hitachi Automotive Systems ficará a cargo de seis executivos, dois representantes de cada uma das partes, um da Hitachi e outro da Honda, que nomearão, cada um deles, outros dois directores.

As marcas Showa, Keihin e Nissin permanecerão nos diversos produtos existentes, para não perderem penetração no mercado.


Mas qual é a dimensão deste negócio e qual a sua importância para o cenário da mobilidade futura?


A Honda é um dos maiores players mundiais em termos de transporte pessoal. Emprega mais de 215 mil funcionários e tem um valor de mercado superior a 50,5 mil milhões de dólares.

Das motos aos aviões, passando ainda pelos motores náuticos, aposta fortemente na inovação e da sua investigação tem sido revelados resultados interessantes como, entre muitos outros, o sistema Honda Riding Assist-e e o Capacete InteligenteEm 2019 a Honda atingiu a produção de 400 milhões de motos.

Por seu lado a Hitachi é outro gigante tecnológico cuja actividade vai desde o fabrico de máquinas ferramenta, elevadores e retro-escavadoras, até a sistemas automatizados de gestão de produção e armazenamento industriais. No total a Hitachi emprega mais de 307 mil trabalhadores, e tem um valor de mercado a rondar os 32 mil milhões de dólares (dados Forbes).

A Hitachi Automotive Systems, que tem mantido um foco particular na condução autónoma, irá incorporar agora diversas áreas tecnológicas tão diferentes como os travões, as suspensões e a gestão de energia, agregando-as para aproveitar a economia de escala e maximizar os recursos humanos e tecnológicos, potenciando os resultados.

A Keihin foi fundada em 1956, e começou por produzir carburadores para motociclos, sendo fornecedora da Honda para o seu primeiro modelo de moto, a Dream. Desde então alargou a sua produção aos sistemas de injecção electrónicos e mais recentemente desenvolveu sistemas de controlo de potência para veículos eléctricos e híbridos, bem como sistemas de monitorização e gestão de carga para baterias.

Em paralelo, tem vindo igualmente a desenvolver sistemas de segurança e controlo para células de combustível. Emprega globalmente mais de 22.500 trabalhadores.

A Showa iniciou a sua actividade em 1938, como fabricante de componentes aeronáuticos. No final da Segunda Grande Guerra começou a produzir componentes para automóveis. Mas a sua ligação ao motociclismo é forte, produzindo forquilhas e amortecedores, testados regularmente em competição.

Transmissões por veio e cardã e bombas hidráulicas de alta performance são outras das suas especialidades. Actualmente emprega mais de 12.000 funcionários. 

A Nissin (Nissin Kogyo Co., Ltd) remonta a 1953, quando iniciou a sua actividade a produzir pastilhas e a maquinar maxilas de travão de disco para automóveis. Iniciou a produção de sistemas de travagem para motos em 1971. Emprega actualmente mais de 9.000 funcionários.

Todo o foco da nova empresa será posto no desenvolvimento acelerado de componentes mais eficientes para veículos eléctricos e respectiva condução autónoma. “Vamos alavancar as nossas forças e a nossa dimensão, para nos expandirmos globalmente”, comentou Keiji Kojima,Vice-presidente executivo da Hitachi, aquando da assinatura do contrato.

“Estamos confiantes que através da sinergia criada pela aglomeração das valências destas empresas, tão activas e focadas como a Honda e a Hitachi, o desenvolvimento tecnológico vai acelerar. Com esta parceria vamos contribuir para aumentar a felicidade dos nossos clientes em termos de mobilidade, e desenvolver esta indústria”. Comentou Noriya Kaihara, Director Geral da Honda Motor Co.


andardemoto.pt @ 4-4-2020 14:37:11


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