Guerra de impostos nas motos promete aumentar preços!

A recém criada Coligação de 88 associações europeias e americanas enviou cartas à presidência da União Europeia e dos Estados Unidos. Pedem a suspensão dos impostos retaliatórios aplicados na disputa comercial existente entre UE e EUA, com consequências graves nos preços das motos.

andardemoto.pt @ 3-5-2021 13:15:01

As relações comerciais entre países, por mais amigáveis que sejam, passam por momentos mais tensos.

Desde 1 de junho de 2018, na altura ainda com Donald Trump como presidente dos Estados Unidos da América, a União Europeia e os EUA mantêm uma disputa comercial que teve como consequência a aplicação de diversos impostos retaliatórios em determinados produtos a partir dessa data.

A disputa entre a União Europeia e os Estados Unidos centra-se no alumínio e no aço.

Tudo começou quando os EUA decidiram aplicar impostos adicionais ao alumínio e ao aço importado e com proveniência da União Europeia. Desde 1 de junho de 2018 que o alumínio europeu que entra nos Estados Unidos sofre uma penalização adicional de 10%, enquanto o aço europeu vê o seu custo aumentar com um imposto adicional de 25%.

Em retaliação a estes impostos americanos, a União Europeia, entre várias outras medidas, decidiu aplicar um imposto extra a diversos produtos americanos. No que respeita ao setor das duas rodas, esta medida europeia aplica-se a motos de fabrico americano com cilindrada superior a 500 cc.



E a situação vai piorar a partir de 1 de junho de 2021.

Tudo porque a Comissão Europeia decidiu a 31 de março deste ano implementar a partir do início de junho um imposto agravado às motos de fabrico americano. De acordo com a Associação Europeia de Fabricantes de Motociclos (ACEM), as motos americanas acima dos 500 cc sofrerão uma taxa retaliatória de 50% no seu valor!

Para tentar demover as autoridades americanas e europeias de aplicar este tipo de impostos retaliatórios, que podem depois escalar de gravidade e colocar ainda mais pressão sobre o setor das duas rodas nos dois lados do Atlântico, a ACEM juntou-se à sua congénere americana USMMA, entrando numa Coligação de 88 associações de diversos setores, e enviaram cartas às presidências dos Estados Unidos, ao presidente Joe Biden, e a Ursula von der Leyen que lidera a União Europeia.

Esta Coligação Euro-Americana pretende aproveitar o bom momento que se segue à aprovação de subsídios à indústria da aviação nos próximos 4 meses. Esta decisão, que teve por base a Organização Mundial do Comércio, voltou a criar pontes entre Estados Unidos e União Europeia.



O pedido enviado por carta às duas presidências reforça o facto de que as disputas no setor do aço e alumínio, e as medidas retaliatórias aplicadas, estão a ter resultados negativos no setor das duas rodas nos dois lados do Atlântico.

A Coligação pretende que “Se regresse a um passado onde as partes mantinham uma relação transatlântica positiva, apoiando o crescimento da economia e beneficiando os produtores da matéria prima e os fabricantes de motos, os importadores, mas também os consumidores e toda a indústria ligada ao motociclismo”.

Caso Estados Unidos e União Europeia não cheguem a acordo para suspender a aplicação de impostos retaliatórios sobre alumínio e aço até ao próximo dia 1 de junho, espera-se que os preços das motos subam devido ao aumento dos impostos. Uma guerra de impostos em que serão os consumidores que vão pagar a fatura!

andardemoto.pt @ 3-5-2021 13:15:01


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