23º Portugal de Lés-a-Lés – Passeio de Abertura na zona raiana
A grande caravana do 23º Portugal de Lés-a-Lés já cumpriu o Passeio de Abertura. O primeiro dia da maior aventura mototurística da Europa levou os mais de 2000 motociclistas a visitar a zona raiana com um pé em Portugal e outro em Espanha.
andardemoto.pt @ 3-6-2021 08:30:00
Depois
da cerimónia oficial que marcou o início do 23º Portugal de Lés-a-Lés no famoso
marco 0 da mítica Nacional 2, a terceira maior estrada do mundo que liga Chaves
a Faro ao longo de 738,5 km, os cerca de 2200 participantes nesta que é a maior
aventura de mototurismo da Europa cumpriram os primeiros quilómetros relativos
ao Passeio de Abertura.
Este ano o Portugal de Lés-a-Lés, evento organizado pela Comissão de
Mototurismo da Federação de Motociclismo de Portugal realiza-se, pela primeira
vez, sob um tema: “Mais do que a N2”. Por isso, os participantes vão percorrer
bastante mais do que a extensão total da N2.
Para que tudo decorra na máxima segurança e respeito pelo Código da Estrada,
motos e condutores passaram pelas Verificações Técnicas e Documentais,
pró-forma cumprido dentro das mais estritas regras de segurança sanitária. Mas
nem as máscaras ou os abraços virtuais beliscaram a animação do reencontro
antes do arranque rumo a um percurso pelas serranas aldeias do concelho de Chaves,
entre soutos de centenários castanheiros e rotas onde os contrabandistas ganhavam
o sustento da família.
Nada menos de 96 km de deslumbramento, de prazer de condução e de uma alegria
em cada aldeia como há muito não se sentia.
Arranque condizente com a resiliência e majestosidade do Lés-a-Lés, bem vincada
na concretização da edição 2020, marcada por inúmeras limitações e
dificuldades, a passagem pela milenar Ponte de Trajano. E não é todos os dias
que um veículo motorizado pode passar a ponte pedonal criada pelos romanos, tal
como os muitos troços de calçada romana que por aqui vão resistindo ao passar
dos séculos.
As fotos no marco Zero que vão para todo Mundo
Mas, para começar, nada como a passagem pelo marco zero da N2, com mais uns
milhares de fotografias para a posteridade daquele que é um dos pontos mais
fotografados pelos mototuristas portugueses e pelos muitos estrangeiros que
aqui acorrem em número crescente.
Só nesta edição do Lés-a-Lés, além de muitos e cada vez mais espanhóis,
motociclistas que vieram desde França, Itália, Hungria, Suíça, Alemanha,
Inglaterra ou Bélgica, para, logo de entrada, apreciarem a vistas desafogadas
sobre o vale do Tâmega atéao lado de lá da fronteira, a partir do Miradouro de
São Lourenço.
Momento de deslumbre ligeiramente ensombrado pelo aberrante castelo que um americano
está a construir à imagem das fortificações do Séc. XII para tornar num polo de
atração turística. Mais modesta, mas bem terrena e simpática, a sede do Clube
Motard de Chaves, presidido por Filipe Carvalhal, recebeu a longa e heterogénea
caravana, que vai desde as pequenas Sachs V5, Casal e Zundapp XF-17 de 50 cc ou
várias Honda 125 PCX até às maiores Honda Gold Wing de 1800 cc, passando por
muitas BMW, num carrossel de modelos, cores e cilindradas bem diversificados.
Mas nem só de N2 vive o Homem, tão pouco o Lés-a-Lés. Mesmo sendo este um
passeio temático teve, logo no primeiro dia, um toque de diversidade na bonita
EN 103, que liga Viana do Castelo a Bragança, antes da passagem pelo castelo em
Santo Estêvão, uma das três fortificações que existem no concelho, palco de
muitas investidas das tropas castelhanas e onde o Rei D. Afonso II viveu na sua
juventude.
Passagem ainda pelo Castelo de Monforte de Rio Livre, epicentro do concelho e
de onde se avista uma paisagem deslumbrante, que bem valeu a passagem pelos
caminhos de terra batida, ou pela curiosa pedra bolideira em plena serra do
Brunheiro. Um enorme bloco granítico de forma arredondada, com mais de 3 metros
de altura e cerca de 10 de comprimento, que, mesmo pesando várias toneladas, é
possível mover apenas com um empurrão de qualquer pessoa. E muitos o
comprovaram.
Arte de um flaviense em todo o seu esplendor
Num dia de temperatura agradável para a ‘prática da modalidade’, com o sol
tímido a garantir uma fresca agradável para andar de moto, deleite com pormenores
de histórica beleza em aldeias como Faiões, Oucidres, Mairos ou, outras ainda,
carregadas de estórias transfronteiriças, Vilarinho da Raia, Vilarelho, Cambedo
e Soutelinho da Raia. Onde bombardeamentos das tropas franquistas, aventuras de
contrabandistas ou povoações onde se fala uma espécie de dialeto luso-galaico
foram alvo de toda a atenção
Regresso a Chaves, com passagem pelo Forte de S. Francisco e, num registo mais
artístico, a possibilidade de visitar o Museu Nadir Afonso, o flaviense nascido
em finais de 1920 e que faleceu poucos dias depois de completar 93 anos. Foi
arquiteto e filósofo, mas foi a pintura que o tornou mais conhecido, estando
agora toda a riquíssima obra bem exposta, beneficiando da riqueza da luz
natural em ambiente ímpar criado por Siza Vieira.
E houve, também, quem optasse por descobrir os vestígios medievais da Igreja
Matriz ou, os mais preguiçosos, dados a outras descobertas, pelas famosos e
originais Pastéis de Chaves Produto de pastelaria com Indicação Geográfica
Protegida (IGP) a nível nacional desde 2012, e pela União Europeia desde 27 de
maio de 2015.
Leia também – Já começou o 23º Portugal
de Lés-a-Lés
Galeria de fotos do 23º Portugal de Lés-a-Lés
andardemoto.pt @ 3-6-2021 08:30:00
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