Resumo do 6º Portugal Lés-a-Lés Off-Road 2021

Montalegre deu a partida para edição de 2021 do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road que terminou em Lagoa

andardemoto.pt @ 5-10-2021 11:19:15

Com uma lista de participantes bem recheada, que esgotaram as inscrições em poucos dias, Montalegre foi o ponto de partida da 6.ª edição do Portugal de Lés-a-Lés Off-Road,que decorreu entre 1 e 4 de Outubro com chegada a Lagoa.

A travessia do mapa nacional através de estradões, caminhos, veredas e trilhos começou na terra do bom fumeiro rumo à Covilhã, depois de 326 quilómetros de subidas e descidas num intrincado carrossel serrano cuja variedade de pisos traçou um percurso apto para todo o tipo de motos e onde as ‘maxi-trail’ estarão se podiam sentir à vontade.

O entusiasmo gerado em redor do evento levado a cabo pela Federação de Motociclismo de Portugal atraiu centenas de motociclistas ávidos de aventura e descoberta, não só portugueses como muitos estrangeiros. Do grande contingente espanhol aos vários ingleses, passando por motociclistas oriundos de França, Bélgica, Alemanha ou Suíça, a caravana tinha destino ao Algarve

Quase mil quilómetros para cumprir em ritmo de diversão, com motociclistas de todos os níveis, incluindo os reformados dakarianos, António Lopes, Bernardo Villar, Miguel Farrajota e Rodrigo Amaral, que apostados apenas em se divertirem com os amigos, seguramente a mostrar capacidades de condução muito acima da média, tantos nos belíssimos estradões como em algumas passagens mais técnicas ao longo das três etapas.

Sorrisos empoeirados mas brilhantes na chegada à Covilhã marcaram o final da 1.ª etapa do 6.º Portugal de Lés-a-Lés Off-Road, depois de 326 quilómetros muito exigentes desde Montalegre. Um dia pleno  que foi deixando para trás as serranias do Barroso rumo à Serra da Estrela, e que apelou à capacidade técnica e física dos participantes, exponenciando o caráter aventureiro do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal. 

Foi uma jornada de contrastes que começou com o nevoeiro e alguma chuva miudinha a encobrir a espetacularidade da travessia transmontana até Vila Real para, na passagem pela antiga linha de comboio do Corgo até à Régua, surgir o sol que haveria de acompanhar a caravana até ao final da jornada.


Ainda assim a morrinha matinal teve o condão de aplacar o previsível pó, facilitando a transposição de duas subidas mais íngremes logo nos quilómetros iniciais, que aqueceram os músculos dos participantes para a travessia da albufeira criada no rio Rabagão pela barragem de Pisões.

Com muito menos água que o esperado foi, ainda assim, o ponto marcante na tirada e na memória ficará o ar místico conferido pelo nevoeiro em algumas zonas onde sobrevivem castanheiros, carvalhos e outras árvores seculares.

Claro que, porque a tradição é para ser mantida, não faltaram algumas zonas de maior dificuldade nas escarpas durienses, obrigando a trabalhos forçados e muita concentração para passar pelos trilhos mais técnicos. Local onde, contrariando todas as expetativas, as afoitas Vespa’s ou até uma pequeníssima Brixton passaram sem problemas, ao contrário de motos de outro gabarito.

Exigências técnicas e físicas que prometiam continuar na 2.ª etapa, entre a Covilhã e Borba, com 307 quilómetros e passagens bem contrastantes nas paisagens dos eucaliptais do centro do País e a beleza do Parque Natural da Serra de São Mamede.

A segunda etapa revelou-se uma jornada espetacular para a prática do motociclismo, com o céu completamente limpo, sol brilhante e temperaturas amenas. Meteorologia que ajudou a criar um dia fantástico para os mais de 400 motociclistas que cumpriram a 2.ª etapa do 6.º Portugal de Lés-a-Lés Off Road, entre a Covilhã e Borba.

Foram 306 quilómetros de pisos e paisagens bem variadas, numa jornada que começou cedo, com a partida de um local que mais parecia um ‘bivouac’ do Rali Dakar. Gentileza do Moto Clube da Covilhã – Lobos da Neve que, na véspera, até providenciaram uma bem-agradecida estação de lavagem e um parque fechado (e seguro) para as motos!

A saída da Beira Baixa rumo ao Alentejo, foi feita por terrsas de Tortosendo e do Fundão, com passagem pelas rápidas pistas que ladeiam as eólicas no cume da serra da Gardunha. Troços onde só a magnitude da paisagem ia refreando a vontade de acelerar e que logo deram lugar a mais intrincados caminhos por entre os pinhais e eucaliptais.

E se, na primeira parte da etapa, a chuva caída durante a madrugada anulou por completo o pó, já entre Oleiros e Proença-a-Nova foi presença indesejada, numa região onde são ainda visíveis as feridas abertas pelos violentos incêndios de 2020. Valeu a paragem no agradável Camping de Oleiros, onde o Oásis Honda serviu fruta fresca e água para limpar a garganta e, claro, um café para ajudar a espevitar. Que o dia ainda estava no início…


À medida que a longa caravana ia rumando a sul, era notória a mudança da paisagem. Depois de Vila Velha do Rodão começou a surgir o inconfundível cheiro do Alentejo que, naturalmente, conquista os portugueses e vem atraindo cada vez mais estrangeiros. 

Como os belgas Jona Moriau, Olivier Scheen e Michael de Fazio que descobriram o Lés-a-Lés em conversa com um amigo. Pilotos experientes de Resistência (Moriau é presença assídua em provas de 4 e 8 horas a nível europeu) e Supermoto (Scheen foi vice-campeão europeu da classe S3 em 2008) trouxeram uma estrutura de luxo. e garantiram que vão voltar para fazerem o Portugal de Lés-a-Lés na versão estradista.

Por serras e vales, planícies sem fim, atravessando rios e as mais recônditas povoações do verdadeiro País profundo, o 6.º Portugal de Lés-a-Lés reforçou o epíteto da grande aventura nacional em fora-de-estrada.

Atravessar o mapa nacional, do extremo norte, bem junto à fronteira com Espanha, até às praias algarvias, foi um desafio cumprido com enorme prazer, muita diversão e camaradagem ao longo de mais de 1000 quilómetros, entre Montalegre e Lagoa.

Pelo meio, Covilhã e Borba, tendo esta cidade do distrito de Évora servido de ponto de partida para a derradeira etapa, com 360 km, alternando entre os mais rápidos estradões e as zonas mais técnicas, do rendilhado criado pela albufeira do Alqueva, aos sinuosos estradões da serra de Silves, já na ponta final do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal.

Num dia abençoado por São Pedro com sol e temperaturas amenas, a facilitar imenso a vida aos participantes e a permitir desfrutar das magníficas paisagens com milhares de hectares de olival e amendoal, mas também de diversas árvores de fruto, vinha ou cereais.

O espírito do Lés-a-Lés Off-Road, cativou os muitos estrangeiros entre os mais de 400 participantes, oriundos da Bélgica, Irlanda, Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Itália ou do Brasil. 

No final, em Lagoa, há que destacar os sorrisos e a boa disposição generalizada de quem acabava de cumprir três dias de aventura, de descoberta e de diversão. Das Terras do Barroso à serra algarvia, da Serra da Estrela às planícies alentejanas, das escarpas sobre o rio Corgo ao espelho de água do Alqueva, dos pinhais de Oleiros às praias de Lagoa, é nesta diversidade que assenta o sucesso do Lés-a-Lés.

andardemoto.pt @ 5-10-2021 11:19:15


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