Hoverbike eVTOL da Horizon Aeronautics

Voar livremente sempre foi uma das grandes ambições da humanidade. Será que essa possibilidade está quase ser uma realidade?

andardemoto.pt @ 7-1-2022 15:37:30

A Horizon Aeronautics está a desenvolver um conceito de hoverbike denominado eVTOL, que usa um sistema de rotor de passo variável "Blainjett", complexo e interessante, que expõe apenas metade de cada hélice. Muito estranho, mas a Horizon diz que é altamente eficiente.

Para entender como funciona esse sistema de propulsão Blainjett é preciso primeiro entender o funcionamento de um swashplate, o sistema que permite que cada lâmina da hélice varie a sua inclinação, ficando mais plana à medida que passa pela frente da aeronave e, em seguida, inclinando-se para desenvolver mais sustentação à medida que passa pela parte de trás.

O objectivo deste sistema é criar uma assimetria na sustentação, que permite impulso em qualquer direção; razão pela qual os helicópteros são aeronaves tão dinâmicas.

A Blainjett denomina a sua inovação de "angulo dinâmico variável" e é inspirada nas características de vôo das aves e dos insectos que, ao contrário dos sistemas convencionais cíclicos, cria um movimento dinâmico que garante uma ainda maior liberdade de acção.

O que este novo sistema faz efectivamente é dividir o swashplate para que ele opere em duas metades. O swashplate ainda se inclina normalmente, em resposta a entradas cíclicas, mas permite também que metade do swashplate se mova assimetricamente para cima ou para baixo relativamente à outra metade. Um came feito de aço flexível e duas articulações permitem que os controles de afinação se movam suavemente entre os dois níveis à medida que a hélice gira.

Originalmente o sistema Blainjett foi projetado para optimizar o recuo da lâmina. À medida que um helicóptero se move para a frente, desenvolve-se uma assimetria de sustentação pois, a altas velocidades, isso significa que as pás desenvolvem mais sustentação à medida que avançam relativamente à corrente de ar e menos sustentação à medida que recuam na corrente de ar.


Os pilotos regulam esse efeito usando o controle cíclico, mas a Blainjett diz que o seu sistema de swashplate dividido faz uma transição mais rápida entre as metades do ciclo, aumentando o ângulo de inclinação médio no lado de recuo e diminuindo-o no lado de avanço. Assim, os helicópteros poderiam, teoricamente, equilibrar a assimetria de sustentação de forma mais eficaz, além de aumentarem a sua velocidade máxima.

Os técnicos da Blainjett dizem: "Os dados do nosso protótipo mostraram uma melhoria real significativa, de 75%, com uma melhoria prevista de 125% em testes futuros".

Voltando à Horizon, este fabricante pretende construir uma aeronave, a eVTOL, do tamanho de um jet ski, cujo peso se deverá cifrar em cerca de 380 kg, com uma superfície de aproximadamente 3,58 x 1,270 metros, que será capaz de acomodar entre um e três corajosos passageiros a bordo.

O problema da Horizon ainda é a eficiência energética. O fluxo de ar através das saias laterais do hoverbike só permitiria o uso de hélices de pequeno diâmetro, que consomem mais energia, pelo que a autonomia seria bastante limitada.

Para mitigar esse problema, esta hoverbike tem uma configuração que utiliza três grandes rotores alinhados de cada lado da “moto”, sendo assim muito maiores do que a superfície disponível.

Os rotores, ou hélices, foram projetados de forma que apenas metade de cada lâmina fique exposta fora da hoverbike, com a outra metade desaparecendo sob a “carroceria”. O sistema Blainjett controla os rotores para que eles fiquem totalmente planos, para sustentação neutra, à medida que passam sob a carroceria e, em seguida, inclinados quando giram para a frente, fora da superfície do veículo, e assim conseguirem sustentação.

"A Horizon Aeronautics tem restrições reais de espaço e energia", explica o presidente da Blainjett, Cary Zachary. “Quando percebemos que poderíamos aninhar os rotores de elevação de uma certa maneira que maximizasse o espaço disponível e combinasse o seu posicionamento com o nosso conceito de tracção vetorial, sabíamos que tínhamos algo único e muito especial”.

O sistema permite elevação variável, bem como um certo grau de tracção vetorial. Mas o mais importante é que ele oferece à Horizon um sistema de rotor de grande diâmetro, muito mais eficaz do que se utilizasse hélices de menores dimensões. "Acontece que quando comparamos a nossa potência e eficiência de tracção com hélices e rotores menores, somos duas a três vezes mais eficientes, com duas a três vezes mais potência, enquanto encaixamos o sistema no mesmo espaço disponível", diz Zachary.


Esta é uma solução muito específica para um problema igualmente muito específico, num tipo muito específico de veículo cujo futuro ainda é bastante incerto. Uma hoverbike não parece ser destinada a uma utilização em grandes altitudes, pelo contrário deverá apenas criar uma elevação suficiente para aproveitar o efeito solo. Ainda assim, se por um lado uma eventual queda será menos grave, também a sua condução será mais afectada por diferentes obstáculos.

O próprio site da Horizon é bastante esclarecedor: "Fazemos veículos voadores que revolucionam as viagens de curta distância para o viajante urbano". Mas a Blainjett diz que a empresa está trabalhando num protótipo totalmente funcional que deve estar pronto para testes ainda durante o ano de 2022.

Não vamos suster a respiração à espera do test-fight, mas achamos que esta é uma ideia que os motociclistas mais curiosos e com uma mente mais tecnológica e aberta vão achar tão inquietante e interessante, tal como nós achámos.


andardemoto.pt @ 7-1-2022 15:37:30


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